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Clarice Lispector
* Ucrânia – 10 de Dezembro de 1920 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ – 9 de Dezembro de 1977 d.CDe família judaica, emigrou com a família para o Brasil quando tinha um pouco mais de um ano de idade. Começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife. Clarice falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno familiar, o iídiche.
Obra literária
Em 1944 publicou seu primeiro romance, Perto do coração selvagem.
A literatura brasileira era nesta altura dominada por uma tendência essencialmente regionalista, com personagens contando a difícil realidade social do país na época. Clarice Lispector surpreendeu a crítica com seu romance, quer pela problemática de caráter existencial, completamente inovadora, quer pelo estilo solto elíptico, e fragmentário, que críticos reputaram reminiscente de James Joyce e Virginia Woolf, se bem que ainda mais revolucionário.Em verdade, a obra de Clarice ultrapassou qualquer tentativa de classificação. A escritora e filósofa francesa Hélène Cixous vai ao ponto de dizer que há uma literatura brasileira A.C. (Antes da Clarice) e D.C. (Depois da Clarice).
Seu romance mais famoso talvez seja A hora da estrela, o último publicado antes de sua morte. Este livro narra a vida de Macabéa, uma nordestina criada no estado de Alagoas que migra para o Rio de Janeiro, e vai morar em uma pensão, tendo sua vida descrita por um escritor fictício chamado Rodrigo S.M.
Faleceu em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57º aniversário. Foi sepultada no Cemitério Israelita do Cajú, no Rio de Janeiro.
Livros de sua autoria
Perto do coração selvagem (1944)
O lustre (1946)
A cidade sitiada (1949)
Alguns contos (1952)
Laços de família (1960)
A maçã no escuro (1961)
A legião estrangeira (1964)
A paixão segundo G.H. (1964)
O mistério do coelho pensante (1967)
A mulher que matou os peixes (1968)
Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (1969)
Felicidade clandestina (1971)
A imitação da rosa (1973)
Água viva (1973)
A vida íntima de Laura (1974)
A via crucis do corpo (1974)
Onde estivestes de noite (1974)
Visão do esplendor (1975)
A hora da estrela (1977)Póstumos
Para não esquecer (1978)
Quase de verdade (1978)
Um sopro de vida (pulsações) (1978)
A bela e a fera (1979)
A descoberta do mundo (1984)
Como nasceram as estrelas (1987)
Cartas perto do coração (2001) (cartas trocadas com Fernando Sabino)
Correspondências (2002)
Correio Feminino (2006)
Entrevistas (2007)Curiosidades
Clarice traduziu para o português, em 1976, o livro Entrevista com o Vampiro, da autora estadounidense Anne Rice.A primeira edição de Onde estivestes de noite foi recolhida porque foi colocado, erroneamente, um ponto de interrogação no título.
Em artigo publicado no jornal The New York Times, no dia 11/03/2005, a escritora foi descrita como o equivalente de Kafka na literatura latino-americana. A afirmação foi feita por Gregory Rabassa, tradutor para o inglês de Jorge Amado, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa e de Clarice.

Carlos Drummond de Andrade
* Itabira do Mato Dentro, MG. – 31 de Outubro de 1902 d.C
+ Rio de Janeiro RJ. – 17 de Agosto de 1987 d.C
De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por “insubordinação mental”.
De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.
Ante a insistência familiar para que obtivesse um diploma, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925. Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas.
Ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945. Passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil.
O modernismo não chega a ser dominante nem mesmo nos primeiros livros de Drummond, Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934), em que o poema-piada e a descontração sintática pareceriam revelar o contrário. A dominante é a individualidade do autor, poeta da ordem e da consolidação, ainda que sempre, e fecundamente, contraditórias. Torturado pelo passado, assombrado com o futuro, ele se detém num presente dilacerado por este e por aquele, testemunha lúcida de si mesmo e do transcurso dos homens, de um ponto de vista melancólico e cético. Mas, enquanto ironiza os costumes e a sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e estar.
Vem daí o rigor, que beira a obsessão. O poeta trabalha sobretudo com o tempo, em sua cintilação cotidiana e subjetiva, no que destila do corrosivo. Em Sentimento do mundo (1940), em José (1942) e sobretudo em A rosa do povo (1945), Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo. A surpreendente sucessão de obras-primas, nesses livros, indica a plena maturidade do poeta, mantida sempre.
Várias obras do poeta foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, sueco, tcheco e outras línguas. Drummond foi seguramente, por muitas décadas, o poeta mais influente da literatura brasileira em seu tempo, tendo também publicado diversos livros em prosa.
Em mão contrária traduziu os seguintes autores estrangeiros: Balzac (Les Paysans, 1845; Os camponeses), Choderlos de Laclos (Les Liaisons dangereuses, 1782; As relações perigosas), Marcel Proust (La Fugitive, 1925; A fugitiva), García Lorca (Doña Rosita, la soltera o el lenguaje de las flores, 1935; Dona Rosita, a solteira), François Mauriac (Thérèse Desqueyroux, 1927; Uma gota de veneno) e Molière (Les Fourberies de Scapin, 1677; Artimanhas de Scapino).
Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.

Escultura do poeta na Praia de Copacabana
Escultura do poeta Carlos Drummond de Andrade, criada pelo artista mineiro Leo Santana.
Instalada em Copacabana – em frente à rua em que o poeta morou – no dia 31 de outubro de 2003 – Ano do Centenário do Poeta
Cronologia:
- 1902 – Nasce em Itabira do Mato Dentro, Estado de Minas Gerais; nono filho de Carlos de Paula Andrade, fazendeiro, e D. Julieta Augusta Drummond de Andrade.
- 1910 – Inicia o curso primário no Grupo Escolar Dr. Carvalho Brito. em Belo Horizonte, onde conhece Gustavo Capanema e Afonso Arinos de Melo Franco.
- 1916 – Aluno interno no Colégio Arnaldo, da Congregação do Verbo Divino, Belo Horizonte.
- 1917 – Toma aulas particulares com o professor Emílio Magalhães, em Itabira.
- 1918 – Aluno interno no Colégio Anchieta da Companhia de Jesus em Nova Friburgo; é laureado em “certames literários”. Seu irmão Altivo publica, no único exemplar do jornalzinho Maio, seu poema em prosa “ONDA”.
- 1919 – Expulso do Colégio Anchieta mesmo depois de ter sido obrigado a retratar-se. Justificativa da expulsão: “insubordinação mental”.
- 1920 – Muda-se com a família para Belo Horizonte.
- 1921 – Publica seus primeiros trabalhos na seção “Sociais” do Diário de Minas. Conhece Milton Campos, Abgar Renault, Emílio Moura, Alberto Campos, Mário Casassanta, João Alphonsus, Batista Santiago, Aníbal Machado, Pedro Nava, Gabriel Passos, Heitor de Sousa e João Pinheiro Filho, todos freqüentadores do Café Estrela e da Livraria Alves.
- 1922 – Ganha 50 mil réis de prêmio pelo conto “Joaquim do Telhado” no concurso Novela Mineira. Publica trabalhos nas revistas Todos e Ilustração Brasileira.
- 1923 – Entra para a Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte.
- 1924 – Escreve carta a Manuel Bandeira, manifestando-lhe sua admiração. Conhece Blaise Cendrars, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Mário de Andrade no Grande Hotel de Belo Horizonte. Pouco tempo depois inicia a correspondência com Mário de Andrade, que durará até poucos dias antes da morte de Mário.
- 1925 – Casa-se com a senhorita Dolores Dutra de Morais, a primeira ou segunda mulher a trabalhar num emprego (como contadora numa fábrica de sapatos), em Belo Horizonte. Funda, junto com Emílio Moura e Gregoriano Canedo, A Revista, órgão modernista do qual saem 3 números. Conclui o curso de Farmácia mas não exerce a profissão, alegando querer “preservar a saúde dos outros”.
- 1926 – Leciona Geografia e Português no Ginásio Sul-Americano de Itabira. Volta para Belo Horizonte, por iniciativa de Alberto Campos, para trabalhar como redator-chefe do Diário de Minas. Heitor Villa Lobos, sem conhecê-lo, compõe uma seresta sobre o poema “Cantiga de Viúvo”.
- 1927 – Nasce, no dia 22 de março, mas vive apenas meia hora, seu filho Carlos Flávio.
- 1928 – Nasce, no dia 4 de março, sua filha Maria Julieta, quem se tornará sua grande companheira ao longo da vida. Publica na Revista de Antropofagia de São Paulo, o poema “No meio do caminho”, que se torna um dos maiores escândalos literários do Brasil. 39 anos depois publicará “Uma pedra no meio do caminho – Biografia de um poema”, coletânea de críticas e matérias resultantes do poema ao longo dos anos. Torna-se auxiliar de redação da Revista do Ensino da Secretaria de Educação.
- 1929 – Deixa o Diário de Minas para trabalhar no Minas Gerais, órgão oficial do Estado, como auxiliar de redação e pouco depois, redator, sob a direção de Abílio Machado.
- 1930 – Publica seu primeiro livro, “Alguma Poesia”, em edição de 500 exemplares paga pelo autor, sob o selo imaginário “Edições Pindorama”, criado por Eduardo Frieiro. Auxiliar de Gabinete do Secretário de Interior Cristiano Machado; passa a oficial de gabinete quando seu amigo Gustavo Capanema substitui Cristiano Machado.
- 1931 – Falece seu pai, Carlos de Paula Andrade, aos 70 anos.
- 1933 – Redator de A Tribuna. Acompanha Gustavo Capanema quando este é nomeado Interventor Federal em Minas Gerais.
- 1934 – Volta a ser redator dos jornais Minas Gerais, Estado de Minas e Diário da Tarde, simultaneamente. Publica “Brejo das Almas” em edição de 200 exemplares, pela cooperativa Os Amigos do Livro. Muda-se, com D. Dolores e Maria Julieta, para o Rio de Janeiro, onde passa a trabalhar como chefe de gabinete de Gustavo Capanema, novo Ministro de Educação e Saúde Pública.
- 1935 – Responde pelo expediente da Diretoria-Geral e é membro da Comissão de Eficiência do Ministério da Educação.
- 1937 – Colabora na Revista Acadêmica, de Murilo Miranda.
- 1940 – Publica “Sentimento do Mundo” em tiragem de 150 exemplares, distribuídos entre os amigos.
- 1941 – Assina, sob o pseudônimo “O Observador Literário”, a seção “Conversa Literária” da revista Euclides. Colabora no suplemento literário de A Manhã, dirigido por Múcio Leão e mais tarde por Jorge Lacerda.
- 1942 – A Livraria José Olympio Editora publica “Poesias”. O Editor José Olympio é o primeiro a se interessar pela obra do poeta.
- 1943 – Traduz e publica a obra Thérèse Desqueyroux, de François Mauriac, sob o título de “Uma gota de veneno”.
- 1944 – Publica “Confissões de Minas”, por iniciativa de Álvaro Lins.
- 1945 – Publica “A Rosa do Povo” pela José Olympio e a novela “O Gerente”. Colabora no suplemento literário do Correio da Manhã e na Folha Carioca. Deixa a chefia de gabinete de Capanema, sem nenhum atrito com este e, a convite de Luís Carlos Prestes, figura como editor do diário comunista, então fundado, Imprensa Popular, junto com Pedro Mota Lima, Álvaro Moreyra, Aydano Do Couto Ferraz e Dalcídio Jurandir. Meses depois se afasta do jornal por discordar da orientação do mesmo. É chamado por Rodrigo M.F. de Andrade para trabalhar na Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, onde mais tarde se tornará chefe da Seção de História, na Divisão de Estudos e Tombamento.
- 1946 – Recebe o Prêmio pelo Conjunto de Obra, da Sociedade Felipe d’Oliveira. Sua filha Maria Julieta publica a novela “A Busca”, pela José Olympio.
- 1947 – É publicada sua tradução de “Les liaisons dangereuses”, de Choderlos De Laclos, sob o título de “As relações perigosas”.
- 1948 – Publica “Poesia até agora”. Colabora em Política e Letras, de Odylo Costa, filho. Falece Julieta Augusta Drummond de Andrade, sua mãe. Comparece ao enterro em Itabira que acontece ao mesmo tempo em que é executada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro a obra “Poema de Itabira” de Heitor Villa-Lobos, composta sobre seu poema “Viagem na Família”.
- 1949 – Volta a escrever no jornal Minas Gerais. Sua filha Maria Julieta casa-se com o escritor e advogado argentino Manuel Graña Etcheverry e passa a residir em Buenos Aires, onde desempenhará, ao longo de 34 anos, um importante trabalho de divulgação da cultura brasileira.
- 1950 – Vai a Buenos Aires para o nascimento de seu primeiro neto, Carlos Manuel.
- 1951 – Publica “Claro Enigma”, “Contos de Aprendiz” e “A mesa”. É publicado em Madrid o livro “Poemas”.
- 1952 – Publica “Passeios na Ilha” e “Viola de Bolso”.
- 1953 – Exonera-se do cargo de redator do Minas Gerais, ao ser estabilizada sua situação de funcionário da DPHAN. Vai a Buenos Aires para o nascimento de seu neto Luis Mauricio, a quem dedica o poema “A Luis Mauricio infante”. É publicado em Buenos Aires o livro “Dos Poemas”, com tradução de Manuel Graña Etcheverry, genro do poeta.
- 1954 – Publica “Fazendeiro do Ar & Poesia até agora”. Aparece sua tradução para “Les paysans”, de Balzac. Realiza na Rádio Ministério de Educação, em diálogo com Lya Cavalcanti, a série de palestras “Quase memórias”. Inicia no Correio da Manhã a série de crônicas “Imagens”, mantida até 1969.
- 1955 – Publica “Viola de Bolso novamente encordoada”.
- 1956 – Publica “50 Poemas escolhidos pelo autor”. Aparece sua tradução para “Albertine disparue”, de Marcel Proust.
- 1957 – Publica “Fala, amendoeira” e “Ciclo”.
- 1958 – Publica-se em Buenos Aires uma seleção de seus poemas na coleção “Poetas del siglo veinte”. É encenada e publicada a sua tradução de “Doña Rosita la soltera” de Federico García Lorca, pela qual recebe o Prêmio Padre Ventura, do Círculo Independente de Críticos Teatrais.
- 1960 – Nasce seu terceiro neto, Pedro Augusto, em Buenos Aires. A Biblioteca Nacional publica a sua tradução de “Oiseaux-Mouches orthorynques du Brèsil” de Descourtilz. Colabora em Mundo Ilustrado.
- 1961 – Colabora no programa Quadrante da Rádio Ministério da Educação, instituído por Murilo Miranda. Falece seu irmão Altivo.
- 1962 – Publica “Lição de coisas”, “Antologia Poética” e “A bolsa & a vida”. É demolida a casa da Rua Joaquim Nabuco 81, onde viveu 36 anos. Passa a morar em apartamento. São publicadas suas traduções de “L’Oiseau bleu” de Maurice Maeterlink e de “Les fouberies de Scapin”, de Molière, esta última é encenada no Teatro Tablado do Rio de Janeiro. Recebe novamente o Prêmio Padre Ventura. Se aposenta como Chefe de Seção da DPHAN, após 35 anos de serviço público, recebendo carta de louvor do Ministro da Educação, Oliveira Brito.
- 1963 – É lançada sua tradução de “Sult” (Fome) de Knut Hamsun. Recebe os Prêmios Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores, e Luísa Cláudio de Sousa, do PEN Clube do Brasil, pelo livro “Lição de coisas”. Colabora no programa Vozes da Cidade, instituído por Murilo Miranda, na Rádio Roquete Pinto, e inicia o programa Cadeira de Balanço, na Rádio Ministério da Educação. Viaja, com D. Dolores, a Buenos Aires durante as férias.
- 1964 – Publica a primeira edição da “Obra Completa”, pela Aguilar.
- 1965 – São lançados os livros “Antologia Poética”, em Portugal; “In the middle of the road”, nos Estados Unidos; “Poesie”, na Alemanha. Publica, em colaboração com Manuel Bandeira, “Rio de Janeiro em prosa & verso”. Colabora em Pulso.
- 1966 – Publica “Cadeira de balanço”, e na Suécia é lançado “Naten och rosen”.

Casa onde nasceu Drummond – Itabira, Minas Gerais
- 1967 – Publica “Versiprosa”, “Mundo vasto mundo”, com tradução de Manuel Graña Etcheverry, em Buenos Aires e publicação de “Fyzika strachu” em Praga.
- 1968 – Publica “Boitempo & A falta que ama”. Membro correspondente da Hispanic Society of America, Estados Unidos.
- 1969 – Deixa o Correio da Manhã e começa a escrever para o Jornal do Brasil. Publica “Reunião (10 livros de poesia)”.
- 1970 – Publica “Caminhos de João Brandão”.
- 1971 – Publica “Seleta em prosa e verso”. Edição de “Poemas” em Cuba.
- 1972 – Viaja a Buenos Aires com D. Dolores para visitar a filha, Maria Julieta. Publica “O poder ultrajovem”. Jornais do Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre publicam suplementos comemorativos do 70º aniversário do poeta.
- 1973 – Publica “As impurezas do branco”, “Menino Antigo – Boitempo II”, “La bolsa y la vida”, em Buenos Aires, e “Réunion”, em Paris.
- 1974 – Recebe o Prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos Literários. Membro honorário da American Association of Teachers of Spanish and Portuguese, Estados Unidos.
- 1975 – Publica “Amor, Amores”. Recebe o Prêmio Nacional Walmap de Literatura e recusa, por motivo de consciência, o Prêmio Brasília de Literatura, da Fundação Cultural do Distrito Federal.
- 1977 – Publica “A visita”, “Discurso de primavera e algumas sombras” e “Os dias lindos”. Grava 42 poemas em 2 long plays, lançados pela Polygram. Edição búlgara de “UYBETBO BA CHETA” (Sentimento do Mundo).
- 1978 – Publica “70 historinhas” e “O marginal Clorindo Gato”. Edições argentinas de “Amar-amargo” e “El poder ultrajoven”.
- 1979 – Publica “Poesia e Prosa”, 5ª edição, revista e atualizada, pela editora Nova Aguilar. Viaja a Buenos Aires por motivo de doença de sua filha Maria Julieta. Publica “Esquecer para lembrar – Boitempo III”.
- 1980 – Recebe os Prêmios Estácio de Sá, de jornalismo, e Morgado Mateus (Portugal), de poesia. Edição limitada de “A paixão medida”. Noite de autógrafos na Livraria José Olympio Editora para o lançamento conjunto da edição comercial de “A paixão medida” e “Um buquê de Alcachofras”, de Maria Julieta Drummond de Andrade; o poeta e sua filha autografam juntos na Casa José Olympio. Edição de “En rost at folket”, Suécia. Edição de “The minus sign”, Estados Unidos. Edição de “Gedichten” Poemas, Holanda.
- 1981 – Publica “Contos Plausíveis” e “O pipoqueiro da esquina”. Edição inglesa de “The minus sign”.
- 1982 – Ano do 80º aniversário do poeta. São realizadas exposições comemorativas na Biblioteca Nacional e na Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Os principais jornais do Brasil publicam suplementos comemorando a data. Recebe o título de Doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Edição mexicana de “Poemas”. A cidade do Rio de Janeiro festeja a data com cartazes de afeto ao poeta. Publica “A lição do amigo – Cartas de Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade”, com notas do destinatário. Publicação de “Carmina drummondiana”, poemas de Drummond traduzidos ao latim por Silva Bélkior.
- 1983 – Declina do troféu Juca Pato. Publica “Nova Reunião (19 livros de poesia)”, último livro do poeta publicado, em vida, pela Casa José Olympio.
- 1984 – Despede-se da casa do velho amigo José Olympio e assina contrato com a Editora Record, que publica sua obra até hoje. Também se despede do Jornal do Brasil, depois de 64 anos de trabalho jornalístico, com a crônica “Ciao”. Publica, pela Editora Record, “Boca de Luar” e “Corpo”.
- 1985 – Publica “Amar se aprende amando”, “O observador no escritório” (memórias), “História de dois amores” (livro infantil) e “Amor, sinal estranho”. Edição de “Frän oxen tid”, Suécia.
- 1986 – Publica “Tempo, vida, poesia”. Edição de “Travelling in the family”, em New York, pela Random House. Escreve 21 poemas para a edição do centenário de Manuel Bandeira, preparada pela editora Alumbramento, com o título “Bandeira, a vida inteira”. Sofre um infarto e é internado durante 12 dias.
- 1987 – No 31 de janeiro escreve seu último poema, “Elegia a um tucano morto” que passa a integrar “Farewell”, último livro organizado pelo poeta. É homenageado pela escola de samba Estação Primeira de Mangueira, com o samba enredo “No reino das palavras”, que vence o Carnaval 87. No dia 5 de agosto, depois de 2 meses de internação, falece sua filha Maria Julieta, vítima de câncer. “E assim vai-se indo a família Drummond de Andrade” – comenta o poeta. Seu estado de saúde piora. 12 dias depois falece o poeta, de problemas cardíacos e é enterrado no mesmo túmulo que a filha, no Cemitério São João Batista do Rio de Janeiro. O poeta deixa obras inéditas: “O avesso das coisas” (aforismos), “Moça deitada na grama”, “O amor natural” (poemas eróticos), “Viola de bolso III” (Poesia errante), hoje publicados pela Record; “Arte em exposição” (versos sobre obras de arte), “Farewell”, além de crônicas, dedicatórias em verso coletadas pelo autor, correspondência e um texto para um espetáculo musical, ainda sem título. Edições de “Moça deitada na grama”, “O avesso das coisas” e reedição de “De notícias e não notícias faz-se a crônica” pela Editora Record. Edição de “Crônicas – 1930-1934?. Edição de “Un chiaro enigma” e “Sentimento del mondo”, Itália. Publicação de “Mundo Grande y otros poemas”, na série Los grandes poetas, em Buenos Aires.
- 1988 – Publicação de “Poesia Errante”, livro de poemas inéditos, pela Record.
- 1989 – Publicação de “Auto-retrato e outras crônicas”, edição organizada por Fernando Py. Publicação de “Drummond: frente e verso”, edição iconográfica, pela Alumbramento, e de “Álbum para Maria Julieta”, edição limitada e fac-similar de caderno com originais manuscritos de vários autores e artistas, compilados pelo poeta para sua filha. A Casa da Moeda homenageia o poeta emitindo uma nota de 50 cruzeiros com seu retrato, versos e uma auto-caricatura.
- 1990 – O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) organiza uma exposição comemorativa dos 60 anos da publicação de “Alguma Poesia”. Palestras de Manuel Graña Etcheverry, “El erotismo en la poesía de Drummond” no CCBB e de Affonso Romano de Sant’Anna, “Drummond, um gauche no mundo”. Encenação teatral de “Mundo, vasto mundo”, com Tônia Carrero, o coral Garganta e Paulo Autran, sob a direção deste no Teatro II do CCBB. Encenação de “Crônica Viva”, com adaptação de João Brandão e Pedro Drummond, no CCBB. Edição da antologia “Itabira”, em Madrid, pela editora Visor. Edição limitada de “Arte em exposição”, pela Salamandra. Edição de “Poésie”, pela editora Gallimard, França.
- 1991 – Publicação de “Obra Poética”, pela editora Europa-América, em Portugal.
- 1992 – Edição de “O amor natural”, de poemas eróticos, organizada pelo autor, com ilustrações de Milton Dacosta e projeto gráfico de Alexandre Dacosta e Pedro Drummond. Publicação de “Tankar om ordet menneske”, Noruega. Edição de “Die liefde natuurlijk” (O amor natural) na Holanda.
- 1993 – Publicação de “O amor natural”, em Portugal, pela editora Europa-América. Prêmio Jabuti pelo melhor livro de poesia do ano, “O amor natural”.
- 1994 – Publicação pela Editora Record de novas edições de “Discurso de primavera” e “Contos plausíveis”. No dia 2 de julho falece D. Dolores Morais Drummond de Andrade, viúva do poeta, aos 94 anos.
- 1995 – Encenação teatral de “No meio do caminho…”, crônicas e poemas do poeta com roteiro e adaptação de João Brandão e Pedro Drummond. Lançamento de um selo postal em homenagem ao poeta. Drummond na era digital, publicação de uma pequena antologia em 5 idiomas sob o título de “Alguma Poesia”, no World Wide Web , Internet, na data de seu 93º aniversário. Projeto do CD-ROM “CDA-ROM”, que visa a publicar, em ambiente interativo e com os recursos da multimídia, os 40 poemas recitados pelo autor, uma iconografia baseada na coleção de fotografias do poeta, entrevistas em vídeo e um curta-metragem.
- 1996 – Lançamento do livro Farwell, último organizado pelo poeta, no Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro, com a apresentação de Joana Fomm e José Mayer. Esse livro é ganhador do Prêmio Jabuti.
- 1997 – Primeira edição interativa do livro “O Avesso das Coisas”.
- 1998 – Inauguração do Museu de Território Caminhos Dummondianos em Itabira. No dia 31 de outubro é inaugurado o Memorial Carlos Drummond de Andrade, projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, no Pico do Amor da cidade de Itabira. Prêmio in memorian Medalha do Sesquicentenário da Cidade de Itabira.
- 1999 – I Forum Itabira Século XXI – Centenário Drummond, realizado na cidade de Itabira. Lançamento do CD “Carlos Drummond de Andrade por Paulo Autran”, pelo selo Luz da Cidade.
- 2000 – Inaugurada a Biblioteca Carlos Drummond de Andrade do Colégio Arnaldo de Belo Horizonte. Lançamento do CD “Contos de aprendiz por Leonardo Vieira”, pelo selo Luz da Cidade. Estréia no dia 31 de outubro o espetáculo “Jovem Drummond”, estrelado por Vinícius de Oliveira, no teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e Itabira (Secretaria de Cultura do Município). Lançamento do CD “História de dois amores – contadas por Odete Lara”, pela gravadora Luz da Cidade. Encenação pela Comédie Française da peça de Molière Les Fourberies de Scapin, com tradução do biografado, nos teatros Municipal do Rio de Janeiro e Municipal de São Paulo. Lançamento do projeto “O Fazendeiro do Ar”, com o “balão Drummond”, na Lagoa Rodrigo de Freitas – Rio de Janeiro. II Fórum Itabira Século XXI – Centenário Drummond, realizado em outubro na cidade de Itabira. Homenagem in memoriam Medalha comemorativa dos 70 anos do MEC. Homenagem dos Ex-Alunos da Universidade Federal de Minas Gerais.

Escultura do poeta na Praia de Copacabana – Detalhe
Escultura do poeta Carlos Drummond de Andrade, criada pelo artista mineiro Leo Santana.
Instalada em Copacabana – em frente à rua em que o poeta morou – no dia 31 de outubro de 2003 – Ano do Centenário do PoetaBibliografia:
Obras Do Autor
Poesias:
Alguma poesia. Belo Horizonte: Edições Pindorama, 1930.
Brejo das almas. Belo Horizonte: Os Amigos do Livro, 1934.
Sentimento do mundo. Rio de Janeiro: Pongetti, 1940; 10a ed., Rio de Janeiro: Record, 2000.
Poesias (Alguma poesia, Brejo das almas, Sentimento do mundo, José). Rio de Janeiro: J.Olympio, 1942.
A rosa do povo. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1945
Poesia até agora. (Alguma poesia, Brejo das almas, Sentimento do mundo, José, A rosa do povo, Novos poemas). Rio de Janeiro: J. Olympio, 1948.
A máquina do mundo (incluído em Claro enigma). Rio de Janeiro: Luís Martins, 1949 (exemplar único).
Claro enigma. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1951.
A mesa (incluído em Claro enigma). Niterói: Hipocampo, 1951 (70 exemplares).
Viola de bolso. Rio de Janeiro: Serviço de Documentação do MEC, 1952.
Fazendeiro do ar & Poesia até agora. (Alguma poesia, Brejo das almas, Sentimento do mundo, José, A rosa do povo, Novos poemas, Claro enigma, Fazendeiro do ar). Rio de Janeiro: J. Olympio, 1954.
Viola de bolso (incluindo Viola de bolso novamente encordoada); 2ª. ed. aumentada, Os Cadernos de Cultura, Rio de Janeiro: J. Olympio, 1955.
Soneto da buquinagem (incluído em Viola de bolso novamente encordoada). Rio de Janeiro: Philobiblion, 1955 (100 exemplares).
Ciclo (incluído em A vida passada a limpo e em Poemas). Recife: O Gráfico Amador, 1957. (96 exemplares).
Poemas (Alguma poesia, Brejo das Almas, Sentimento do mundo, José, A rosa do povo, Novos poemas, Claro enigma, Fazendeiro do ar, A vida passada a limpo). Rio de Janeiro: J. Olympio, 1959.
Lição de coisas. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1964.
Obra completa. (Estudo crítico de Emanuel de Moraes, fortuna crítica, cronologia e bibliografia). Rio de Janeiro: Aguilar, 1964 (publicada pela mesma editora sob o título Poesia completa e prosa (1973), e sob o título de Poesia e prosa (1979).
Versiprosa. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1967.
José & Outros (José, Novos poemas, Fazendeiro do ar, A vida passada a limpo, 4 Poemas, Viola de bolso II). Rio de Janeiro: J. Olympio, 1967.
Boitempo & A falta que ama. Rio de Janeiro: Sabiá, 1968.
Nudez (incluído em Poemas). Recife: Escola de Artes, 1979 (50 exemplares).
Reunião (Alguma poesia, Brejo das almas, Sentimento do mundo, José, A rosa do povo, Novos poemas, Clara enigma, Fazendeiro do ar, A vida
passada a limpo, Lição de coisas, 4 Poemas). Rio de Janeiro: J. Olympio, 1969.
D. Quixote (Glosas a 21 desenhos de Cândido Portinari). Rio de Janeiro: Diagraphis, 1972.
As impurezas do branco. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1973.
Menino antigo (Boitempo II). Rio de Janeiro: J. Olympio, 1973.
Minas e Drummond. (ilustrações de Yara Tupinambá, Wilde Lacerda, Haroldo Mattos, Júlio Espíndola, Jarbas Juarez, Álvaro Apocalypse e Beatriz Coelho). Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais,1973 (500 exemplares).
Amor, amores (desenhos de Carlos Leão). Rio de Janeiro: Alumbramento, 1975 (423 exemplares).
A visita (incluído em A paixão medida) (fotos de Maureen Bisilliat). São Paulo: edição particular, 1977 (125 exemplares).
Discurso de primavera e algumas sombras. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1977.
O marginal Clorindo Gato (incluído em A paixão medida). Rio de Janeiro: Avenir, 1978.
Nudez (incluído em Poemas). Recife: Escola de artes, 1979 (50 exemplares)
Esquecer para lembrar (Boitempo III). Rio de Janeiro: J. Olympio, 1979.
A paixão medida (desenhos de Emeria Marcier). Rio de Janeiro:
Alumbramento, 1980. (643 exemplares).
Nova Reunião – 19 livros de poesias. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1983
O elefante (Ilustrações de Regina Vater). Rio de Janeiro: Record. Coleção Abre-te Sésamo, 1983.
Caso do vestido. Rio de Janeiro: Rioarte, 1983 (adaptado para o teatro por Aderbal Júnior).
Corpo (Ilustrações de Carlos Leão). Rio de Janeiro: Record, 1984.
Mata Atlântica (fotos de Luiz Cláudio Marigo, texto de Alceo Magnani) Rio de Janeiro: Chase Banco Lar/AC&M, 1984.
Amor, sinal estranho (litografias originais de Bianco). Rio de Janeiro: Lithos Edições de Arte, 1985 (100 exemplares).
Amar se aprende amando. Rio de Janeiro: Record, 1985.
Pantanal (fotos de Luiz Cláudio Marigo, texto de Alceo Magnani). Rio de Janeiro: Chase Banco Lar/AC&M, 1985.
Boitempo I e II (Reunião de poemas publicados anteriormente nos livros Boitempo, Menino antigo e Esquecer para lembrar). Rio de Janeiro: Record, 1986.
O prazer das imagens (fotografias de Hugo Rodrigo Octavio – legendas inéditas de Carlos Drummond de Andrade). São Paulo: Metal Leve/Hamburg, 1987 (500 exemplares).
Poesia Errante: derrames líricos, e outros nem tanto ou nada. Rio de Janeiro: Record, 1988.
Arte em Exposição. Rio de Janeiro: Salamandra/Record, 1990.
O Amor Natural. (Ilustrações Milton Dacosta). Rio de Janeiro: Record, 1992.
A Vida Passada a Limpo. Rio de Janeiro: Record, 1994.
Rio de Janeiro (fotos de Michael Sonnenberg). Liechtenstein: Verlag Kunt und Kultur, 1994.
Farewell. Rio de Janeiro: Record, 1996.
A Senha do Mundo. Rio de Janeiro: Record, 1996; (reeditado em 1998, pela Record, com o título de Verso na Prosa, Prosa no Verso).
A Cor de Cada um. Rio de Janeiro: Record, 1996; (reeditado em 1998, pela Record, com o título de Verso na Prosa, Prosa no Verso).
Crônicas:
Fala, amendoeira. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1957.
A bolsa & a vida. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962.
Cadeira de balanço. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1966.
Caminhos de João Brandão. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1970.
O poder ultrajovem. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1972.
De notícias & não notícias faz-se a crônica. Rio de Janeiro: J. Olympio,1974.
Os dias lindos. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1977.
Crônica das favelas cariocas. Rio de Janeiro: edição particular, 1981.
Boca de luar. Rio de Janeiro: Record, 1984.
Crônicas de 1930/1934 (Crônicas assinadas com os pseudônimos: Antônio Crispim e Barba Azul). Belo Horizonte: Revista do Arquivo Público Mineiro, 1984. [Reeditado em 1987 pela Secretaria da Cultura de Minas Gerais - ilustrações de Ana Raquel.]
Moça deitada na grama. Rio de Janeiro: Record, 1987.
Auto-Retrato e Outras Crônicas. Seleção Fernando Py. Rio de Janeiro:Record, 1989.
O Sorvete e Outras Histórias. São Paulo: Ática, 1993.
Vó Caiu na Piscina. Rio de Janeiro: Record, 1996.
Contos:
O gerente (incluído em Contos de aprendiz). Rio de Janeiro: Horizonte,1945.
Contos de aprendiz. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1951.
70 historinhas. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1978. (Seleção de textos dos livros de crônicas: Fala amendoeira, A bolsa & a vida, Cadeira de balanço, Caminhos de João Brandão, O poder ultrajovem, De notícias & não notícias faz-se a crônica e Os dias lindos.)
Contos plausíveis (ilustrações de Irene Peixoto e Márcia Cabral). Rio de Janeiro: J. Olympio/Editora JB, 1981.
O pipoqueiro da esquina (Desenhos de Ziraldo). Rio de Janeiro: Codecri,1981.
História de dois amores (Desenhos de Ziraldo). Rio de Janeiro: Record,1985.
Criança dagora é fogo. Rio de Janeiro: Record, 1996.
Ensaios:
Confissões de Minas. Rio de Janeiro: Americ-Edit., 1944.
Passeios na ilha. Rio de Janeiro: Simões,1952.
Minas Gerais (Antologia). Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1967. Coleção Brasil, Terra & Alma.
A Lição do amigo (cartas de Mário de Andrade – introdução e notas de CDA). Rio de Janeiro: J. Olympio, 1982.
Em certa casa da rua Barão de Jaguaribe (ata comemorativa dos 20 anos do Sabadoyle). Rio de Janeiro: Biblioteca Plínio Doyle, 1984.
O observador no escritório (Memória). Rio de Janeiro: Record, 1985.
Tempo, vida, poesia (entrevistas à Rádio MEC). Rio de Janeiro:Record.,1986.
Saudação a Plínio Doyle. Rio de Janeiro: Biblioteca Plínio Doyle, 1986.
O avesso das coisas (Aforismos – ilustrações de Jimmy Scott). Rio de Janeiro: Record, 1987.
Antologias:
Português:
Neste caderno… In: 10 Histórias de bichos (em colaboração com Godofredo Rangel, Graciliano Ramos, João Alphonsus, Guimarães Rosa, J. Simões Lopes Neto, Luís Jardim, Maria Julieta,Marques Rebelo, Orígenes Lessa, Tristão da Cunha). Rio de Janeiro: Condé, 1947 (220 exemplares).
50 poemas escolhidos pelo autor. Rio de Janeiro: Serviço de Documentação do MEC, 1956.
Antologia poética. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962.
Quadrante (em colaboração com Cecília Meireles, Dinah Silveira de Queiroz, Fernando Sabino, Manuel Bandeira, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga). Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962.
Quadrante II (em colaboração com Cecília Meireles, Dinah Silveira de Queiroz, Fernando Sabino, Manuel Bandeira, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga). Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1963.
Antologia poética (seleção e prefácio de Massaud Moisés). Lisboa: Portugália, 1965. Coleção Poetas de Hoje.
Vozes da cidade (em colaboração com Cecília Meireles, Genolino Amado, Henrique Pongetti, Maluh de Ouro Preto, Manuel Bandeira e Raquel de Queirós). Rio de Janeiro: Record, 1965.
Rio de Janeiro em prosa & verso (antologia em colaboração com Manuel Bandeira). Rio de Janeiro: J. Olympio, 1965. Coleção Rio 4 Séculos.
Uma pedra no meio do caminho (biografia de um poema). Apresentação de Arnaldo Saraiva). Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1967.
Seleta em prosa e verso (estudo e notas de Gilberto Mendonça Teles). Rio de Janeiro: J. Olympio, 1971.
Elenco de cronistas modernos (em colaboração com Clarice Lispector, Fernando Sabino, Manuel Bandeira, Paulo Mendes Campos, Raquel de Queirós e Rubem Braga). Rio de Janeiro: Sabiá, 1971.
Atas poemas. Natal na Biblioteca de Plínio Doyle (em colaboração com Alphonsus de Guimaraens Filho, Enrique de Resende, Gilberto Mendonça Teles, Homero Homem, Mário da Silva Brito, Murilo Araújo, Raul Bopp, Waldemar Lopes). Rio de Janeiro, Sabadoyle, 1974.
Para gostar de ler (em colaboração com Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga). São Paulo: Ática, 1977-80.
Para Ana Cecília (em colaboração com João Cabral de Melo Neto, Mauro Mota, Odilo Costa Filho, Ledo lvo, Marcus Accioly e Gilberto Freire). Recife: Edição Particular, 1978.
O melhor da poesia brasileira (em colaboração com João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira e Vinícius de Moraes). Rio de Janeiro: J. Olympio, 1979.
Carlos Drummond de Andrade. Seleção de textos, notas, estudo biográfico, histórico-crítico e exercícios de Rita de Cássia Barbosa. São Paulo: Abril, 1980.
Literatura comentada. São Paulo: Abril, 1981.
Antologia poética. São Paulo: Abril Cultural, 1982.
Quatro vozes (em colaboração com Rachel de Queiroz, Cecília Meirelles e Manuel Bandeira). Rio de Janeiro: Record, 1984.
60 anos de poesia. (organização e apresentação de Arnaldo Saraiva).Lisboa: O Jornal, 1985.
Quarenta historinhas e cinco poemas (leitura e exercícios para estudantes de Português nos EUA). Flórida: University of Florida, 1985.
Bandeira – A vida inteira (textos extraídos da obra de Manuel Bandeira e 21 poemas de Carlos Drummond de Andrade – fotos do Arquivo – Museu de Literatura da Fundação Casa Rui Barbosa). Rio de Janeiro: Alumbramento/Livroarte, 1986.
Álbum para Maria Julieta. Coletânea de dedicatórias reunidas por Carlos Drummond de Andrade para sua filha, acompanhado de texto extraído da obra do autor. Rio de Janeiro: Alumbramento / Livroarte, 1989.
Obra poética. Portugal: Publicações Europa-América, 1989.
Rua da Bahia (em colaboração com Pedro Nava). Belo Horizonte:Universidade Federal de Minas Gerais, 1990.
Setecontos, setencantos (em colaboração com Caio Porfírio Carneiro, Herberto Sales, Ideu Brandão, Miguel Jorge, Moacyr Scliar e Sergio Faraco – organizado por Elias José). São Paulo: FTD.
Carlos Drummond de Andrade (org. de Fernando Py e Pedro Lyra). Rio de Janeiro: Agir,1994.
As palavras que ninguém diz. (Seleção Luzia de Maria). Rio de Janeiro: Record, 1997, (Mineiramente Drummond).
Historias para o Rei. (Seleção Luzia de Maria). Rio de Janeiro: Record,1997 (Mineiramente Drummond).
A palavra mágica. (Seleção Luzia de Maria). Rio de Janeiro: Record, 1997 (Mineiramente Drummond).
Os amáveis assaltantes. Rio de Janeiro: Agora Comunicação Integrada, 1998.
Em outras línguas:
Alemão:
Poesie (tradução de Curt Meyer-Clason). Frankfurt: Suhrkamp Verlag, 1965.
Gedichte (tradução de Curt Meyer-Clason). Frankfurt: Suhrkamp Verlag, 1982.
Búlgaro:
lybctbo ba cbeta (tradução de Alexandre Muratov e Atanas Daltchev). Sófia: Narodna Cultura, 1977.
Chinês:
Antologia da poesia brasileira (seleção de Antônio Carlos Secchin e tradução de Zhao Deming). Pequim: Embaixada do Brasil, 1994.
Dinamarquês:
Verdensfornemmelse og Andre Digte (Tradução de Peter Poulsen). Copenhague: Borgens Forlag, 2000.
Espanhol:
Poemas (seleção, versão e introdução de Rafael Santos Torroella). Madri: Ediciones Rialp, 1951. Colección Adonai.
Dos poemas (traduzidos por Manuel Grana Etcheverry). Buenos Aires: Ediciones Botella al Mar, 1953.
Poetas del siglo veinte. Carlos Drummond de Andrade (seleção e versão de Ramiro de Casasbellas). Buenos Aires: Ediciones Poesia, 1957.
Poesía de Carlos Drurnmond de Andrade (tradução de Armando Uribe Arce, Thiago de Mello e Fernando de Alencar). Santiago do Chile: Cadernos Brasileiros: Série Poesia, 1963.
Seis Poetas Contemporáneos del Brasil (tradução Manuel Grana Etcheverry). La Paz: Embajada del Brasil, 1966 (Cuadernos Brasilenos).
Mundo, vasto mundo (Tradução de Manuel Grana Etcheverry). Buenos Aires: Editorial Losada, 1967. Colección Poetas de Ayer y de Hoy.
Poemas (introdução, seleção e notas de Munoz-Unsain). Havana: Casa de las Americas, 1970.
La bolsa y la vida (tradução de Maria Rosa Oliver). Buenos Aires: Ediciones de la Flor, 1973.
Poemas (tradução de Leonidas Cevallos). Lima: Centro de Estudios Brasilenos, 1976. Drummond de Andrade (tradução Gabriel Rodriguez). Caracas: Dirección General de Cultura de la Gobernación del Distrito Fedreal, 1976.
Amar-amargo y otros poemas (tradução de Estela dos Santos). Buenos Aires: Calicanto, 1978.
El poder ultrajovem (tradução de Estela dos Santos). Buenos Aires: Editorial Sudamericana,1978.
Dos cuentos y dos poemas binacionales (em colaboração com Sergio Faraco e Jorge Medoza Enriguez). Santiago do Chile: Instituto Chileno-Brasileño de Cultura de Concepción, 1981.
Poemas (tradução, seleção e introdução de Francisco Cervantes). México: Premià, 1982.
Don Quijote (tradução de Edmund Font – gravuras de Portinari). México: Secretaría de Educación Pública, 1985 (3.000 exemplares).
Antología Poética (tradução, introdução, cronologia e bibliografia de Cláudio Murilo). Madri: Instituto de Cooperación Ibero-americana/ Ediciones Cultura Hispánica, 1986.
Poemas (tradução Renato Sandoval). Lima: Embajada del Brasil, 1989 (Tierra Brasilena).
Itabira (Antología) (tradução Pablo del Barco). Madri: Visor,1990.
Historia de dos poemas (tradução Gloria Elena Bernal). México: SEP, 1992.
Carlos Drummond de Andrade. México: Fondo Nacional para Actividades Sociales, s. d. (Poesia Moderna).
Francês:
Réunion. (Tradução de Jean-Michel Massa). Paris: Aubier-Montaigne, 1973.
Fleur, téléphone et jeune fille… (antologia organizada por Mário Carelli). Paris: L’Alphée, 1980.
Drummond: une esquisse. Rio de Janeiro: Alumbramento / Livroarte, 1981.
Conversation extraordinaire avec une dame de ma connaissance et autres nouvelles. (Tradução de Mario Carelli e outros). Paris: A. M. Métailié, 1985.
Mon éléphant. (Tradução de Vivete Desbans. Ilustrações de Hélène Vicent). Paris: Éditions ILM, 1987. Collection bilingue.
Poésie (tradução Didier Lamaison). Paris: Gallimard, 1990.
Holandês:
Gedichten (tradução de August Willensem). Amsterdam: Uitgeverij de Arbeiderspers, 1980.
20 gedichten van Carlos Drummond de Andrade (tradução de August Willensen – Fotos de Sérgio Zalis). Amsterdam: Riksakademie van beeldende Kunsten, 1983.
De liefde, natuurlijk: gedichten (tradução August Willemsen). Amsterdam: Uitgeverij de Arbeiderspers, 1992.
Farewell (tradução August Wil)emsen). Amsterdam: Uitgeverij de Arbeiderspers, 1996.
Inglês:
In the middle of the road (tradução de John Nist). Tucson: University of Arizona Press, 1965.
Souvenir of the ancient world (tradução de Mark Strand). New York: Antaeu, 1976.
Poems (tradução de Virgínia de Araújo). Palo Alto: WPA, 1977.
The minus sign (tradução de Virgínia de Araújo). Redding Ridge: Black Scvan Books, 1980.
The minus sign (tradução de Virgínia de Araújo). Manchester: Carcanet New Press, 1981.
Travelling in the family (selected poems) (tradução de Elizabeth Bishop e Gregory Rabassa). Nova York: Random House; Toronto: Random House of Canada, 1986.
Italiano:
Sentimento del Mondo (Tradução Antonio Tabucchi). Torino: Giulio Einaudi, 1987 (Poesia).
Un Chiaro Enigma (tradução Fernanda Toriello). Bari: Stampa Puglia, 1990.
La Visita (tradução Luciana Stegagno Picchio). Milão: Libri Scheiwiller, 1996.
Racconti Plausibili (tradução Alessandra Ravatti). Roma: Fahrenheit, 1996.
L’ Armore Naturale (tradução Fernanda Toriello). Bari: Adriatica, 1997.
Latim:
Carmina drummondiana. (Tradução de Silva Bélkior). Rio de Janeiro: Salamandra, 1982.
Norueguês:
Tankar om Ordet Menneske. (Tradução Alf Saltveit). Oslo: Solum, 1992.
Sueco:
Natten och rosen (Tradução de Arne Lundgren). Estocolmo: Norstedt & Söners, 1966.
En ros at folket. (Tradução de Arne Lundgren). Estocolmo: P.A. Norstedt & Söners, 1980.
Fran oxens tid. (Tradução de Arne Lundgren). Estocolmo: P.A. Norstedt & Söners,1985. Tvarsnitt. (Tradução Arne Lundgren). Estocolmo: Nordan, 1987.
Ljuset Spranger Natten. (Tradução Arne Lundgren). Lysekil: F. Forlag, 1990.
Tcheco:
Fyzika strachu. (Tradução de Vladimir Mikes). Praga: Odeon, 1967.
Traduções:
Uma gota de veneno (Thérèse Desqueyroux), de François Mauriac. Rio de Janeiro: Pongetti, 1943.
As relações perigosas (Les Liaisons dangereux), de Choderlos de Laclos. Porto Alegre: Globo,1947.
Os camponeses (Les Paysans), de Honoré de Balzac. In: A comédia humana. Porto Alegre: Globo, 1954.
A fugitiva (Albertine disparue), de Marcel Proust. Porto Alegre: Globo, 1956.
Dona Rosita, a solteira ou a linguagem das flores (Dona Rosita la soltera o el lenguaje de lãs flores), de Federico García Lorca. Rio de Janeiro: Agir, 1959.
Beija-Flores do Brasil (Oiseaux-mouches Orthorynques du Brésil), de Th. Descourtilz. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1960.
O pássaro azul (L’Oiseau bleu), de Maurice Maeterlinck. Rio de Janeiro:
Delta, 1962. Artimanhas de Scapino (Les Fourberies de Scapin), de
Molière. Rio de Janeiro: Serviço de Documentação do MEC, 1962.
Fome (Sult), de Knut Hamsun. Rio de Janeiro: Delta,1963.
Livros em Braile:
Boca de luar. São Paulo: Fundação para o Livro do Cego no Brasil, 1985.
Corpo. São Paulo: Fundação para o Livro do Cego no Brasil, 1990.
Sentimento do mundo. São Paulo: Fundação Dorina Nowill para Cegos, 2000.
Sobre o autor:
Esfinge Clara – Garcia, Othon Moacyr (1955) – Rio de Janeiro
Palavra puxa palavra em C. D. de Andrade – Garcia, Othon Moacyr (1955), Rio de Janeiro
A rima na poesia de C. D. Andrade – Martins, Hélcio (1968) – Rio de Janeiro
Drummond: a estilística da repetição – Teles, Gilberto M. (1970) – Rio de Janeiro
Drummond rima Itabira mundo – Moraes, Emanuel de (1971) – Rio de JaneiroTerra e família na poesia de C. D. Andrade – Coelho, Joaquim-Francisco (1973) – Rio de Janeiro
Verso universo de Drummond – Merquior, José Guilherme (1975) – Rio de JaneiroDrummond de Andrade – Santiago, Silviano (1976) – Petrópolis
A dramaticidade na poesia de Drummond – Schuler, Donald (1979); Porto Alegre
Drummond: Análise da Obra – Sant’Anna, Affonso Romano de (1980); Rio de Janeiro
Ó de Itabira (poema) – Accioly, Marcus (1980) – Rio de Janeiro
Bibliografia comentada de Carlos Drummond de Andrade (1918-1930).Py, Fernando (1981) – Rio de Janeiro
El erotismo en la poesía de Carlos Drummond de Andrade – Etcheverry,Manuel Graña (1990) – Buenos Aires.

Foto de Demócrito Rocha – Capa do livro sobre o poeta de autoria do Médico Cleto Pontes
Demócrito Rocha
* Caravelas, BA – 14 de Abril de 1888 d.C
+ Fortaleza, CE – 29 de Novembro de 1943 d.C
Demócrito Rocha fundou o jornal O Povo, no Ceará, em 1928. Ele era dentista e funcionários dos Correios e telégrafos.
Intelectual, deputado federal e jornalista combativo, era casado com Creusa do Carmo Rocha,de quem teve duas filhas: Albanisa Rocha Sarasate e Maria Lucia Rocha Dummar.
Outro cearense autêntico nascido fora do Estado, como inúmeros poetas que tiveram mais origem num berço cultural e literário do que num berço genetlíaco. Demócrito Rocha nasceu na cidade interiorana da Bahia, Caravelas, no dia 14 de abril de 1888. A luta pela vida começa cedo, pois ao perder os pais ainda menino, teve que enfrentar o duro trabalho, como operário numa estrada de ferro.
A despeito disso, quando foi residir em Aracaju, tendo uma passagem rápida por Salvador (1907), já estava em condições de cursar a Escola de Odontologia de Sergipe. Enfrenta, então, um concurso para a carreira de telegrafista.
Aprovado, parte para servir no Ceará, onde vai cumprir o seu destino traçado pelo jornalismo e as Musas.
Em Fortaleza, Demócrito Rocha retoma o curso na Faculdade de Farmácia e Odontologia, formando-se em 1921. Esta década de 20 vai ser importante para o já então poeta e jornalista, pois funda, em 1929, o órgão literário Maracajá, tido na terra de Alencar como a “revista literária que o paladino e trincheira do movimento modernista no Ceará”.
Quando Demócrito Rocha fundou o jornal diário, O Povo, que se transformaria numa espécie de cartão de visita do Ceará, o Maracajá passou a circular como um dos seus suplementos. Por um lado, O Povo combatia os “desregramentos políticos da época”, e por outro, o Maracajá abrigava a produção dos poetas e intelectuais da terra, onde o próprio Demócrito Rocha publicou a maioria de seus poemas, curiosamente sempre assinados com o pseudônimo de Antônio Garrido.
Poesia de forte cunho telúrico, senão regionalista, para quem praticou tal arte pelo final da década de 20, a ousadia do poeta se revela nos seus versos livres, com uma dicção discursiva e vocabulário numa mistura de requinte e simplicidade. Lamentam ainda hoje os cearenses que a obra poética de Demócrito Rocha não tenha sido recolhida em livro, em edição sistemática e estudo analítico. Pelo menos um de seus poemas, O Rio Jaguaribe, ganhou foros de imortalidade, aparecendo em várias antologias.
Demócrito Rocha pertenceu à Academia Cearense de Letras.
Rio Jaguaribe
Demócrito Rocha
O Rio Jaguaribe é uma artéria aberta
por onde escorre
e se perde
o sangue do Ceará.
O mar não se tinge de vermelho
porque o sangue do Ceará
é azul …
Todo plasma
toda essa hemoglobina
na sístole dos invernos
vai perder-se no mar.
Há milênios… desde que se rompeu a túnica
das rochas na explosão dos cataclismos
ou na erosão secular do calcário
do gnaisse do quartzo da sílica natural …
E a ruptura dos aneurismas dos açudes…
Quanto tempo perdido!
E o pobre doente – o Ceará – anemiado,
esquelético, pedinte e desnutrido -
a vasta rede capilar a queimar-se na soalheira -
é o gigante com a artéria aberta
resistindo e morrendo
resistindo e morrendo
resistindo e morrendo
morrendo e resistindo…
(Foi a espada de um Deus que te feriu
a carótida
a ti – Fênix do Brasil.)
E o teu cérebro ainda pensa
e o teu coração ainda pulsa
e o teu pulmão ainda respira
e o teu braço ainda constrói
e o teu pé ainda emigra
e ainda povoa.
As células mirradas do Ceará
quando o céu lhe dá a injeção de soro
dos aguaceiros -
as células mirradas do Ceará
intumescem o protoplasma
(como os seus capulhos de algodão)
e nucleiam-se de verde
- é a cromatina dos roçados no sertão…
(Ah, se ele alcançasse um coágulo de rocha!)
E o sangue a correr pela artéria do rio Jaguaribe…
o sangue a correr
mal que é chegado aos ventrículos das nascentes …
o sangue a correr e ninguém o estanca…
Homens da pátria – ouvi:
- Salvai o Ceará!
Quem é o presidente da República?
Depressa
uma pinça hemostática em Orós!
Homens -
o Ceará está morrendo, está
esvaindo-se em sangue …
Ninguém o escuta, ninguém o escuta
e o gigante dobra a cabeça sobre o peito
enorme,
e o gigante curva os joelhos no pó
da terra calcinada,
e
- nos últimos arrancos – vai
morrendo e resistindo
morrendo e resistindo
morrendo e resistindo
Carlos Ayres Brito
* Aracaju, SE. – 18 de Novembro 1942 d.C
Carlos Ayres Britto é um jurista brasileiro.
Em 2003, foi nomeado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.
Autor de diversas obras jurídicas e de poesia, conferencista requisitado, membro da Academia Sergipana de Letras e, desde 2003, ministro do Supremo Tribunal Federal. É conhecido também por enfrentar problemas jurídicos com trocadilhos engenhosos, que revelam a fragilidade de argumentação de teses contrárias.
Eleito presidente do Tribunal Superior Eleitoral, tomou posse no dia 6 de maio de 2008, tendo como vice-presidente o Ministro Joaquim Barbosa.
Publicou em 2001 o seu quarto livro de poesia intitulado “A pele do ar 3?. O livro, uma edição primorosa organizada pela poeta Ilma Fontes (editora do jornal cultural O Capital), com quadros de Adauto Machado e um prefácio do poeta e jornalista Jozailto Lima, vem confirmar o lugar do vate propriaense no panorama das letras sergipanas.
Contando com 176 poemas de formas curtas e versos livres, este exemplar poético traz uma visão multifacetada da lírica de Carlos Ayres de Britto. Temas sociais, reflexões sobre a morte, conceituações do amor e, principalmente, um canto total de amor à vida, são algumas facetas desse poeta que inscreve sua dor e alegria na pele do real tingido pelas cores da poesia.
Na verdade, encontramos em A pele do ar um poeta altamente influenciado pelo sentimento de carpe diem do clássico Anacreonte. Viver a vida em sua plenitude existencial é seu primeiro e último compromisso de homem e de poeta.
Obra Jurídica
* Jurisprudência Administrativa e Judicial em Matéria de Servidor Público (1978, Imprensa Oficial do Estado de Sergipe)
* Interpretação e Aplicabilidade das Normas Constitucionais, em parceria com Celso Ribeiro Bastos (1982, Editora Saraiva);
* O Perfil Constitucional da Licitação (1997, Editora ZNT, Curitiba) *Teoria da Constituição (Editora Forense, Rio de Janeiro, 2003).
Eleito presidente do Tribunal Superior Eleitoral, tomará posse no dia 6 de maio de 2008.
Poesia
* Teletempo (Ed. do autor, 1980)
* Um lugar chamado luz (Ed. do autor, 1984);
* Uma quarta de farinha (Editora ZNT, Curitiba, 1998);
* A pele do ar (Gráfica e Editora J. Andrade, Aracaju, 2001)
* Varal de borboletras (Gráfica e Editora J. Andrade, Aracaju, 2003).
Namore bem com a vida.
Deixe que ela seduza você.
Permita-se ter um caso de amor
Com ela,
Mas não pare por aí:
(…)
Faça tudo isso e prove da vida
Como do néctar das flores
Prova o colibri,
Sem se perguntar se existe outro céu
Fora daqui.
Conselho, p. 54
O capital reduz
Homem do povo a animal,
E quando o homem do povo
Se comporta como animal,
O capital exige contra ele
A pena capital – Pena de morte, 177
A vida se quer objeto de cama e mesa.
(…)
E por isso desfrutemos das coisas
a todo momento,
a cada minuto,
senão a vida se cobre de luto.
Cama e mesa
Aquele que passa fome
Fica tão prisioneiro da sua fome
Que não lhe sobra liberdade
Pra mais nada.
Fome, p. 140

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos
* Espírito Santo, PB. – 20 de Abril de 1894 d.C
+ Leopoldina, MG. – 12 de Novembro de 1914 d.C
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no Engenho Pau d’Arco, Paraíba, no dia 20 de abril de 1884.
Aprendeu com seu pai, bacharel, as primeiras letras. Fez o curso secundário no Liceu Paraibano, já sendo dado como doentio e nervoso por testemunhos da época. De uma família de proprietários de engenhos, assiste, nos primeiros anos do século XX, à decadência da antiga estrutura latifundiária, substituída pelas grandes usinas. Em 1903, matricula-se na Faculdade de Direito do Recife, formando-se em 1907.
Ali teve contato com o trabalho “A Poesia Científica”, do professor Martins Junior. Formado em direito, não advogou; vivia de ensinar português. Casou-se, em 04 de julho de 1910, com Ester Fialho. Nesse ano, em conseqüência de desentendimento com o governador, é afastado do cargo de professor do Liceu Paraibano. Muda-se para o Rio de Janeiro e dedica-se ao magistério. Lecionou geografia na Escola Normal, depois Instituto de Educação, e no Ginásio Nacional, depois Colégio Pedro II, sem conseguir ser efetivado como professor. Em 1911, morre prematuramente seu primeiro filho.
Em fins de 1913 mudou-se para Leopoldina MG, onde assumiu a direção do grupo escolar e continuou a dar aulas particulares. Seu único livro, “Eu”, foi publicado em 1912. Surgido em momento de transição, pouco antes da virada modernista de 1922, é bem representativo do espírito sincrético que prevalecia na época, parnasianismo por alguns aspectos e simbolista por outros. Praticamente ignorado a princípio, quer pelo público, quer pela crítica, esse livro que canta a degenerescência da carne e os limites do humano só alcançou novas edições graças ao empenho de Órris Soares (1884-1964), amigo e biógrafo do autor.
Cético em relação às possibilidades do amor (”Não sou capaz de amar mulher alguma, / Nem há mulher talvez capaz de amar-me”), Augusto dos Anjos fez da obsessão com o próprio “eu” o centro do seu pensamento. Não raro, o amor se converte em ódio, as coisas despertam nojo e tudo é egoísmo e angústia em seu livro patético (”Ai! Um urubu pousou na minha sorte”). A vida e suas facetas, para o poeta que aspira à morte e à anulação de sua pessoa, reduzem-se a combinações de elementos químicos, forças obscuras, fatalidades de leis físicas e biológicas, decomposições de moléculas. Tal materialismo, longe de aplacar sua angústia, sedimentou-lhe o amargo pessimismo (”Tome, doutor, essa tesoura e corte / Minha singularíssima pessoa”).
Ao asco de volúpia e à inapetência para o prazer contrapõe-se porém um veemente desejo de conhecer outros mundos, outras plagas, onde a força dos instintos não cerceie os vôos da alma (”Quero, arrancado das prisões carnais, / Viver na luz dos astros imortais”).
A métrica rígida, a cadência musical, as aliterações e rimas preciosas dos versos fundiram-se ao esdrúxulo vocabulário extraído da área científica para fazer do “Eu” – desde 1919 constantemente reeditado como “Eu e outras poesias” – um livro que sobrevive, antes de tudo, pelo rigor da forma. Com o tempo, Augusto dos Anjos tornou-se um dos poetas mais lidos do país, sobrevivendo às mutações da cultura e a seus diversos modismos como um fenômeno incomum de aceitação popular. Vitimado pela pneumonia aos trinta anos de idade, morreu em Leopoldina em 12 de novembro de 1914.
Versos íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Vandalismo
Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.
Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.
Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos…
E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!
A Idéia
De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!
Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica …
Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica.

