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	<title>Vida &#38; Obra</title>
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	<description>Biografias de Personalidades</description>
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		<title>Dorival Caymmi &#8211; Cantor e Compositor</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 16:18:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cantores]]></category>
		<category><![CDATA[Compositores]]></category>
		<category><![CDATA[Carmem Miranda]]></category>
		<category><![CDATA[Compositor]]></category>
		<category><![CDATA[Gal Costa]]></category>
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		<description><![CDATA[
Dorival Caymmi
* Salvador, BA. &#8211; 30 de Abril de 1914 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ. &#8211; 16 de Agosto de 2008 d.C
Caymmi era descendente de italianos, as gerações da Bahia começaram com o seu bisavô, que chegou ao Brasil para trabalhar no reparo do Elevador Lacerda. Ainda criança, iniciou sua atividade como músico, ouvindo parentes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="../wp-content/uploads/2008/08/dorival-caymmi-cantor-e-compositor.gif" class="lightview" rel="gallery[176]" class="lightview" rel="gallery[409]" title="dorival-caymmi-cantor-e-compositor"></a><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/08/dorival-caymmi-cantor-e-compositor1.gif" class="lightview" rel="gallery[176]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-957" title="dorival-caymmi-cantor-e-compositor" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/08/dorival-caymmi-cantor-e-compositor1-300x211.gif" alt="" width="300" height="211" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><strong>Dorival Caymmi</strong><br />
* Salvador, BA. &#8211; 30 de Abril de 1914 d.C<br />
+ Rio de Janeiro, RJ. &#8211; 16 de Agosto de 2008 d.C</span></p>
<p>Caymmi era descendente de italianos, as gerações da Bahia começaram com o seu bisavô, que chegou ao Brasil para trabalhar no reparo do Elevador Lacerda. Ainda criança, iniciou sua atividade como músico, ouvindo parentes ao piano.</p>
<p>Seu pai era funcionário público e músico amador, tocava, além de piano, violão e bandolim. A mãe, doméstica, era cantava apenas em casa. Ouvindo o fonógrafo e depois a vitrola, cresceu sua vontade de compor. Cantava, ainda menino, em um coro de igreja, como baixo-cantante. Com treze anos, interrompe os estudos e começa a trabalhar em uma redação de jornal O Imparcial, como auxiliar.  Com o fechamento do jornal, em 1929, torna-se vendedor de bebidas.</p>
<p>Em 1930 escreveu sua primeira música: ‘No Sertão”, e aos vinte anos estreou como cantor e violonista em programas da Rádio Clube da Bahia. Já em 1935, passou a apresentar o musical Caymmi e Suas Canções Praieiras. Com 22 anos, venceu, como compositor, o concurso de músicas de carnaval com o samba A Bahia tambem</p>
<p>Gilberto Martins, um diretor da Rádio Clube da Bahia, o incentivava a seguir uma carreira no sul do país. Em abril de 1938, aos 23 anos, Caymmi, viaja de ita (navio que cruza o norte até o sul do Brasil) para cidade do Rio de Janeiro, para conseguir um emprego como jornalista e realizar o curso preparatório de Direito.</p>
<p>Com a ajuda de parentes e amigos, fez alguns pequenos trabalhos na imprensa, exercendo a profissão no jornal Diários Associados, ainda assim, continuava a compor e a cantar. Conheceu, nessa época, Carlos Lacerda e Samuel Wainer.</p>
<p>Foi apresentado ao diretor da Rádio Tupi, e, em 24 de junho de 1938, estreou na rádio cantando duas composições, embora ainda sem contrato. Saiu-se bem como calouro e iniciou a cantar dois dias por semana, além de participar do programa Dragão da Rua Larga. Neste programa, interpretou O Que é Que a Baiana Tem, composta em 1938.</p>
<p style="text-align: center;"><object style="width: 380px; height: 300px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="380" height="300" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ATRYXkvBkKM" /><embed style="width: 380px; height: 300px;" type="application/x-shockwave-flash" width="380" height="300" src="http://www.youtube.com/v/ATRYXkvBkKM"></embed></object></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">Caymmi interpreta “O que é que a baiana tem”</span></p>
<p>Com a canção, fez com que Carmen Miranda tivesse uma carreira no exterior, a partir do filme Banana da Terra, de 1938. Sua obra invoca principalmente a tragédia de negros e pescadores da Bahia: O Mar, História de Pescadores, É Doce Morrer no Mar, A Jangada Voltou Só, Canoeiro, Pescaria, entre outras.</p>
<p>Filho de santo de Mãe Menininha do Gantois, para quem escreveu em 1972 a canção em sua homenagem: “<strong><span style="color: #808080;">Oração de Mãe Menininha</span></strong>”, gravado por grandes nomes como Gal Costa e Maria Bethânia.</p>
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		<title>Fidel Castro &#8211; Ditador de Cuba</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 18:33:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governantes]]></category>
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		<description><![CDATA[
Fidel Alejandro Castro Ruiz
* Holguín, Cuba &#8211; 13 de Agosto de 1926 d.C - 39° Presidente de Cuba
de 2 de Dezembro de 1976 d.C até 24 de Fevereiro de 2008 d.C
Substituído pelo irmão Raul Castro
Nascido da união entre Ángel Castro Argiz, imigrante da Galiza, e Lina Ruiz González, Fidel Castro, que é canhoto foi educado em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><strong><img class="aligncenter size-full wp-image-537" title="Fotografia de Fidel Castro Discursando em 2007" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/01/personalidades-governantes-cuba-fidel-castro-discursando-2007.jpg" alt="Fotografia de Fidel Castro Discursando em 2007" width="400" height="329" /></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><strong>Fidel Alejandro Castro Ruiz</strong><br />
* Holguín, Cuba &#8211; 13 de Agosto de 1926 d.C - 39° Presidente de Cuba<br />
de 2 de Dezembro de 1976 d.C até 24 de Fevereiro de 2008 d.C<br />
Substituído pelo irmão Raul Castro</span></p>
<blockquote><p>Nascido da união entre Ángel Castro Argiz, imigrante da Galiza, e Lina Ruiz González, Fidel Castro, que é canhoto foi educado em colégios jesuítas, como o La Salle, Dolores (ambos localizados em Santiago de Cuba) e Colegio Belén (em Marianao, Havana). Foi um acólito ou coroinha (ajudante do sacerdote na missa católica). Alto e de porte atlético, foi premiado como o melhor atleta estudantil secundarista cubano em 1944. Em 1945 entrou na Universidade de Havana. Enquanto cursava o segundo ano (1946-1947) editou, em colaboração com Baudilio Castellanos, o periódico mensal Saeta, impresso em seu mimeógrafo pessoal no qual reproduzia, entre outras coisas, conferências de classes para entregar gratuitamente a seus colegas de estudo.</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><img class="aligncenter size-full wp-image-560" title="Cuba-Fidel Castro e a presidente Argentina Cristina Kirchner" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/01/personalidades-governantes-cuba-fidel-castro-e-presidente-argentina-cristina-kirchner1.jpg" alt="Cuba-Fidel Castro e a presidente Argentina Cristina Kirchner" width="340" height="462" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">A mais recente foto<br />
Fidel Castro com a presidente argentina, Cristina Kirchner<br />
Cuba &#8211; Janeiro de 2009 &#8211; Foto EFE<br />
</span></p>
<p>Durante sua permanência na Universidade de Havana (onde graduou-se em Direito em 1949), foi dirigente da Federação de Estudantes Universitários (FEU) a diferentes instâncias, participou da frustrada expedição de Cayo Confites (1947) para lutar contra a tirania de Rafael Leónidas Trujillo na República Dominicana e colaborou no projeto para celebrar o Congresso Latino-americano de Estudantes que coincidiu com a IX Conferência Panamericana, o que o levou junto a Alfredo Guevara, dentre outros, a Colômbia.</p>
<p>Casado com Dália Souto Del Valle. Foi o trigésimo &#8211; nono Presidente de Cuba (1959-1976), e o primeiro Presidente do Conselho de Estado da República de Cuba (1976-2007). Atualmente, é o Primeiro-Secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/01/personalidades-governantes-cuba-fidel-castro-raul-castro-camilo-cenfuegos-em-sierra-maestra.jpg" class="lightview" rel="gallery[535]"></a><span style="color: #808080;"><img class="aligncenter size-full wp-image-538" title="Fidel Castro, Raul Castro e Camilo Cenfuegos em Sierra Maestra - 1958" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/01/personalidades-governantes-cuba-fidel-castro-raul-castro-camilo-cenfuegos-em-sierra-maestra.jpg" alt="Fidel Castro, Raul Castro e Camilo Cenfuegos em Sierra Maestra - 1958" width="484" height="648" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">Fidel Castro, Raul Castro e Camilo Cenfuegos em Sierra Maestra &#8211; 1958</span></p>
<p>Em 19 de fevereiro de 2008, Castro anunciou ao jornal do Partido Comunista, o Granma que não mais se candidataria ao cargo de presidente de Cuba, cinco dias antes do seu mandato terminar.</p>
<p>Para seus adversários, internos e externos, Castro foi o ditador em um regime baseado numa política de partido único.  Seu governo foi e continua sendo amplamente criticado pela comunidade internacional por violações aos direitos humanos.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><img class="aligncenter size-full wp-image-554" title="Fidel Castro nos tempos de Sierra Maestra" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/01/personalidades-governantes-cuba-fidel-castro-jovem.jpg" alt="Fidel Castro nos tempos de Sierra Maestra" width="290" height="400" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">Nos tempos de Sierra Maestra</span></p>
<p>Para seus defensores, Castro representa o herói de uma revolução social que garantiu a repartição eqüitativa da riqueza no país, a universalização da educação e da saúde, e a consolidação de uma nação soberana e solidária, devido a sua política socialista. Também é admirado por seu papel em conflitos internacionais e guerras de independência (Congo, Angola e África do Sul), e por sua posição ideológica frente a sucessivas gestões hostis dos Estados Unidos da América, que mantém um embargo econômico à ilha desde 1962.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/01/personalidades-governantes-cuba-fidel-castro-discursando-havana-1978-foto-marcelo-montecino.jpg" class="lightview" rel="gallery[535]" title="FIDEL CASTRO discursando Havana 1978 Foto Marcelo Montecino"><img class="aligncenter size-full wp-image-539" title="FIDEL CASTRO discursando Havana 1978 Foto Marcelo Montecino" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/01/personalidades-governantes-cuba-fidel-castro-discursando-havana-1978-foto-marcelo-montecino.jpg" alt="FIDEL CASTRO discursando Havana 1978 Foto Marcelo Montecino" width="512" height="325" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">Fidel Castro discursando em Havana &#8211; 1978<br />
<span style="color: #808080;">Foto Marcelo Montecino</span></span></p>
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		<title>Patativa do Assaré &#8211; Poeta</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jul 2009 19:20:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poetas]]></category>
		<category><![CDATA[Antônio Gonçalves da Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura de Cordel]]></category>
		<category><![CDATA[Patativa do Assaré]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poetas populares]]></category>

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		<description><![CDATA[
Antônio Gonçalves da Silva
* Assaré, Ceará, &#8211; 05 de Março de 1909 d.C
+ Assaré, Ceará, &#8211; 08 de Julho de 2002 d.C
Freqüentou a escola por apenas quatro meses, em 1921, mas desde então vem &#8220;lidando com as letras&#8221;, como ele mesmo afirmou. Agricultor, em 1922 já atuava como versejador em festas, e a partir de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><strong><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/03/personalidades-poetas-brasil-patativa-do-assare.jpg" class="lightview" rel="gallery[602]" title="Fotografia de Patativa do Assaré"><img class="aligncenter size-full wp-image-603" title="Fotografia de Patativa do Assaré" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/03/personalidades-poetas-brasil-patativa-do-assare.jpg" alt="Fotografia de Patativa do Assaré" width="180" height="250" /></a></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><strong>Antônio Gonçalves da Silva</strong><br />
* Assaré, Ceará, &#8211; 05 de Março de 1909 d.C<br />
+ Assaré, Ceará, &#8211; 08 de Julho de 2002 d.C</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Freqüentou a escola por apenas quatro meses, em 1921, mas desde então vem &#8220;lidando com as letras&#8221;, como ele mesmo afirmou. Agricultor, em 1922 já atuava como versejador em festas, e a partir de 1925, quando comprou uma viola, deu início à atividade de compositor, cantor e improvisador.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Em 1926 teve um poema publicado no Correio do Ceará, mas seu primeiro livro, Inspiração Nordestina, seria lançado trinta anos depois, em 1956.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Em 1978 publicou o livro Cante Lá que Eu Canto Cá, e em 1979 iniciou, com Poemas e Canções, a gravação de uma série de discos, entre os quais se destacam Canto Nordestino (1989) e 88 Anos de Poesia (1997). Seu último livro, Cordéis-Patativa do Assaré , é de 1999.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">A poesia de Patativa, que verseja em redondilhas e decassílabos, traduz uma visão de mundo &#8220;cabocla&#8221;, muitas vezes nostálgica e desapontada com as mudanças trazidas pela modernidade e pela vida urbana. Sua obra aborda os valores e os ideais dos camponeses do interior do Ceará, em poemas que tematizam da reforma agrária ao cotidiano dos sertanejos cearenses.</span></p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>O Sabiá e o Gavião</strong></span><br />
Eu nunca falei à toa.<br />
Sou um cabôco rocêro,<br />
Que sempre das coisa boa<br />
Eu tive um certo tempero.<br />
Não falo mal de ninguém,<br />
Mas vejo que o mundo tem<br />
Gente que não sabe amá,<br />
Não sabe fazê carinho,<br />
Não qué bem a passarinho,<br />
Não gosta dos animá.</p>
<p>Já eu sou bem deferente.<br />
A coisa mió que eu acho<br />
É num dia munto quente<br />
Eu i me sentá debaxo<br />
De um copado juazêro,<br />
Prá escutá prazentêro<br />
Os passarinho cantá,<br />
Pois aquela poesia<br />
Tem a mesma melodia<br />
Dos anjo celestiá.</p>
<p>Não há frauta nem piston<br />
Das banda rica e granfina<br />
Pra sê sonoroso e bom<br />
Como o galo de campina,<br />
Quando começa a cantá<br />
Com sua voz naturá,<br />
Onde a inocença se incerra,<br />
Cantando na mesma hora<br />
Que aparece a linda orora<br />
Bejando o rosto da terra.</p>
<p>O sofreu e a patativa<br />
Com o canaro e o campina<br />
Tem canto que me cativa,<br />
Tem musga que me domina,<br />
E inda mais o sabiá,<br />
Que tem premêro lugá,<br />
É o chefe dos serestêro,<br />
Passo nenhum lhe condena,<br />
Ele é dos musgo da pena<br />
O maiô do mundo intêro.</p>
<p>Eu escuto aquilo tudo,<br />
Com grande amô, com carinho,<br />
Mas, às vez, fico sisudo,<br />
Pruquê cronta os passarinho<br />
Tern o gavião maldito,<br />
Que, além de munto esquisito,<br />
Como iguá eu nunca vi,<br />
Esse monstro miserave<br />
É o assarsino das ave<br />
Que canta pra gente uví.</p>
<p>Muntas vez, jogando o bote,<br />
Mais pió de que a serpente,<br />
Leva dos ninho os fiote<br />
Tão lindo e tão inocente.<br />
Eu comparo o gavião<br />
Com esses farão cristão<br />
Do instinto crué e feio,<br />
Que sem ligá gente pobre<br />
Quê fazê papé de nobre<br />
Chupando o suó alêio.</p>
<p>As Escritura não diz,<br />
Mas diz o coração meu:<br />
Deus, o maió dos juiz,<br />
No dia que resorveu<br />
A fazê o sabiá<br />
Do mió materiá<br />
Que havia inriba do chão,<br />
O Diabo, munto inxerido,<br />
Lá num cantinho, escondido,<br />
Também fez o gavião.</p>
<p>De todos que se conhece<br />
Aquele é o passo mais ruim<br />
É tanto que, se eu pudesse,<br />
Já tinha lhe dado fim.<br />
Aquele bicho devia<br />
Vivê preso, noite e dia,<br />
No mais escuro xadrez.<br />
Já que tô de mão na massa,<br />
Vou contá a grande arruaça<br />
Que um gavião já me fez.</p>
<p>Quando eu era pequenino,<br />
Saí um dia a vagá<br />
Pelos mato sem destino,<br />
Cheio de vida a iscutá<br />
A mais subrime beleza<br />
Das musga da natureza<br />
E bem no pé de um serrote<br />
Achei num pé de juá<br />
Um ninho de sabiá<br />
Com dois mimoso fiote.</p>
<p>Eu senti grande alegria,<br />
Vendo os fíote bonito.<br />
Pra mim eles parecia<br />
Dois anjinho do Infinito.<br />
Eu falo sero, não minto.<br />
Achando que aqueles pinto<br />
Era santo, era divino,<br />
Fiz do juazêro igreja<br />
E bejei, como quem bêja<br />
Dois Santo Antõi pequenino.</p>
<p>Eu fiquei tão prazentêro<br />
Que me esqueci de armoçá,<br />
Passei quage o dia intêro<br />
Naquele pé de juá.<br />
Pois quem ama os passarinho,<br />
No dia que incronta um ninho,<br />
Somente nele magina.<br />
Tão grande a demora foi,<br />
Que mamãe (Deus lhe perdoi)<br />
Foi comigo à disciprina.</p>
<p>Meia légua, mais ou meno,<br />
Se medisse, eu sei que dava,<br />
Dali, daquele terreno<br />
Pra paioça onde eu morava.<br />
Porém, eu não tinha medo,<br />
Ia lá sempre em segredo,<br />
Sempre. iscondido, sozinho,<br />
Temendo que argúm minino,<br />
Desses perverso e malino<br />
Mexesse nos passarinho.</p>
<p>Eu mesmo não sei dizê<br />
O quanto eu tava contente<br />
Não me cansava de vê<br />
Aqueles dois inocente.<br />
Quanto mais dia passava,<br />
Mais bonito eles ficava,<br />
Mais maió e mais sabido,<br />
Pois não tava mais pelado,<br />
Os seus corpinho rosado<br />
Já tava tudo vestido.</p>
<p>Mas, tudo na vida passa.<br />
Amanheceu certo dia<br />
O mundo todo sem graça,<br />
Sem graça e sem poesia.<br />
Quarqué pessoa que visse<br />
E um momento refritisse<br />
Nessa sombra de tristeza,<br />
Dava pra ficá pensando<br />
Que arguém tava malinando<br />
Nas coisa da Natureza.</p>
<p>Na copa dos arvoredo,<br />
Passarinho não cantava.<br />
Naquele dia, bem cedo,<br />
Somente a coã mandava<br />
Sua cantiga medonha.<br />
A menhã tava tristonha<br />
Como casa de viúva,<br />
Sem prazê, sem alegria<br />
E de quando em vez, caía<br />
Um sereninho de chuva.</p>
<p>Eu oiava pensativo<br />
Para o lado do Nascente<br />
E não sei por quá motivo<br />
O só nasceu diferente,<br />
Parece que arrependido,<br />
Detrás das nuve, escondido.<br />
E como o cabra zanôio,<br />
Botava bem treiçoêro,<br />
Por detrás dos nevoêro,<br />
Só um pedaço do ôio.</p>
<p>Uns nevoêro cinzento<br />
Ia no espaço correndo.<br />
Tudo naquele momento<br />
Eu oiava e tava vendo,<br />
Sem alegria e sem jeito,<br />
Mas, porém, eu sastifeito,<br />
Sem com nada me importá,<br />
Saí correndo, aos pinote,<br />
E fui repará os fiote<br />
No ninho do sabiá.</p>
<p>Cheguei com munto carinho,<br />
Mas, meu Deus! que grande agôro!<br />
Os dois véio passarinho<br />
Cantava num som de choro.<br />
Uvindo aquele grogeio,<br />
Logo no meu corpo veio<br />
Certo chamego de frio<br />
E subindo bem ligêro<br />
Pr&#8217;as gaia do juazêro,<br />
Achei o ninho vazio.</p>
<p>Quage que eu dava um desmaio,<br />
Naquele pé de juá<br />
E lá da ponta de um gaio,<br />
Os dois véio sabiá<br />
Mostrava no triste canto<br />
Uma mistura de pranto,<br />
Num tom penoso e funéro,<br />
Parecendo mãe e pai,<br />
Na hora que o fio vai<br />
Se interrá no cimitéro.</p>
<p>Assistindo àquela cena,<br />
Eu juro pelo Evangéio<br />
Como solucei com pena<br />
Dos dois passarinho véio<br />
E ajudando aquelas ave,<br />
Nesse ato desagradave,<br />
Chorei fora do comum:<br />
Tão grande desgosto tive,<br />
Que o meu coração sensive<br />
Omentou seus baticum.</p>
<p>Os dois passarinho amado<br />
Tivero sorte infeliz,<br />
Pois o gavião marvado<br />
Chegou lá, fez o que quis.<br />
Os dois fiote tragou,<br />
O ninho desmantelou<br />
E lá pras banda do céu,<br />
Depois de devorá tudo,<br />
Sortava o seu grito agudo<br />
Aquele assassino incréu.</p>
<p>E eu com o maiô respeito<br />
E com a suspiração perra,<br />
As mão posta sobre o peito<br />
E os dois juêio na terra,<br />
Com uma dó que consome,<br />
Pedi logo em santo nome<br />
Do nosso Deus Verdadêro,<br />
Que tudo ajuda e castiga:<br />
Espingarda te preciga,<br />
Gavião arruacêro!</p>
<p>Sei que o povo da cidade<br />
Uma idéia inda não fez<br />
Do amô e da caridade<br />
De um coração camponês.<br />
Eu sinto um desgosto imenso<br />
Todo momento que penso<br />
No que fez o gavião.<br />
E em tudo o que mais me espanta<br />
É que era Semana Santa!<br />
Sexta-fêra da Paixão!</p>
<p>Com triste rescordação<br />
Fico pra morrê de pena,<br />
Pensando na ingratidão<br />
Naquela menhã serena<br />
Daquele dia azalado,<br />
Quando eu saí animado<br />
E andei bem meia légua<br />
Pra bejá meus passarinho<br />
E incrontei vazio o ninho!<br />
Gavião fí duma égua!</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Outros olhos<br />
</strong></span>Teus olhos Maria Loura,<br />
Teus olhos Maria Morena,<br />
Teus olhos Maria Ruiva<br />
Não cabem no meu poema!</p>
<p>Porque no meu poema<br />
(no poema que escreverei)<br />
Só cabem os olhos dela,<br />
Daquela que sempre amei!&#8230;</p>
<p>Por isso, Maria Loura,<br />
Por isso, Maria Morena,<br />
Por isso, Maria Ruiva,<br />
Fitar-me não vale a pena!</p>
<p>Só cabem no meu poema<br />
Os olhos da minha amada;<br />
Olhos negros, olhos claros,<br />
De rubis&#8230; de esmeralda!&#8230;</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Saudade</strong></span><br />
Saudade dentro do peito<br />
É qual fogo de monturo<br />
Por fora tudo perfeito,<br />
Por dentro fazendo furo.</p>
<p>Há dor que mata a pessoa<br />
Sem dó e sem piedade,<br />
Porém não há dor que doa<br />
Como a dor de uma saudade.</p>
<p>Saudade é um aperreio<br />
Pra quem na vida gozou,<br />
É um grande saco cheio<br />
Daquilo que já passou.</p>
<p>Saudade é canto magoado<br />
No coração de quem sente<br />
É como a voz do passado<br />
Ecoando no presente.</p>
<p>A saudade é jardineira<br />
Que planta em peito qualquer<br />
Quando ela planta cegueira<br />
No coração da mulher,<br />
Fica tal qual a frieira<br />
Quanto mais coça mais quer.</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Abecedário</strong></span><br />
A &#8211; Ai, como é duro viver<br />
nos Estados do Nordeste<br />
quando o nosso Pai Celeste<br />
não manda a nuvem chover.<br />
É bem triste a gente ver<br />
findar o mês de janeiro<br />
depois findar fevereiro<br />
e março também passar,<br />
sem o inverno começar<br />
no Nordeste brasileiro.</p>
<p>B &#8211; Berra o gado impaciente<br />
reclamando o verde pasto,<br />
desfigurado e arrasto,<br />
com o olhar de penitente;<br />
o fazendeiro, descrente,<br />
um jeito não pode dar,<br />
o sol ardente a queimar<br />
e o vento forte soprando,<br />
a gente fica pensando<br />
que o mundo vai se acabar.</p>
<p>C &#8211; Caminhando pelo espaço,<br />
como os trapos de um lençol,<br />
pras bandas do pôr do sol,<br />
as nuvens vão em fracasso:<br />
aqui e ali um pedaço<br />
vagando&#8230; sempre vagando,<br />
quem estiver reparando<br />
faz logo a comparação<br />
de umas pastas de algodão<br />
que o vento vai carregando.</p>
<p>D &#8211; De manhã, bem de manhã,<br />
vem da montanha um agouro<br />
de gargalhada e de choro<br />
da feia e triste cauã:<br />
um bando de ribançã<br />
pelo espaço a se perder,<br />
pra de fome não morrer,<br />
vai atrás de outro lugar,<br />
e ali só há de voltar,<br />
um dia, quando chover.</p>
<p>E &#8211; Em tudo se vê mudança<br />
quem repara vê até<br />
que o camaleão que é<br />
verde da cor da esperança,<br />
com o flagelo que avança,<br />
muda logo de feição.<br />
O verde camaleão<br />
perde a sua cor bonita<br />
fica de forma esquisita<br />
que causa admiração.</p>
<p>F &#8211; Foge o prazer da floresta<br />
o bonito sabiá,<br />
quando flagelo não há<br />
cantando se manifesta.<br />
Durante o inverno faz festa<br />
gorjeando por esporte,<br />
mas não chovendo é sem sorte,<br />
fica sem graça e calado<br />
o cantor mais afamado<br />
dos passarinhos do norte.</p>
<p>G &#8211; Geme de dor, se aquebranta<br />
e dali desaparece,<br />
o sabiá só parece<br />
que com a seca se encanta.<br />
Se outro pássaro canta,<br />
o coitado não responde;<br />
ele vai não sei pra onde,<br />
pois quando o inverno não vem<br />
com o desgosto que tem<br />
o pobrezinho se esconde.</p>
<p>H &#8211; Horroroso, feio e mau<br />
de lá de dentro das grotas,<br />
manda suas feias notas<br />
o tristonho bacurau.<br />
Canta o João corta-pau<br />
o seu poema funério,<br />
é muito triste o mistério<br />
de uma seca no sertão;<br />
a gente tem impressão<br />
que o mundo é um cemitério.</p>
<p>I &#8211; Ilusão, prazer, amor,<br />
a gente sente fugir,<br />
tudo parece carpir<br />
tristeza, saudade e dor.<br />
Nas horas de mais calor,<br />
se escuta pra todo lado<br />
o toque desafinado<br />
da gaita da seriema<br />
acompanhando o cinema<br />
no Nordeste flagelado.</p>
<p>J &#8211; Já falei sobre a desgraça<br />
dos animais do Nordeste;<br />
com a seca vem a peste<br />
e a vida fica sem graça.<br />
Quanto mais dia se passa<br />
mais a dor se multiplica;<br />
a mata que já foi rica,<br />
de tristeza geme e chora.<br />
Preciso dizer agora<br />
o povo como é que fica.</p>
<p>L &#8211; Lamento desconsolado<br />
o coitado camponês<br />
porque tanto esforço fez,<br />
mas não lucrou seu roçado.<br />
Num banco velho, sentado,<br />
olhando o filho inocente<br />
e a mulher bem paciente,<br />
cozinha lá no fogão<br />
o derradeiro feijão<br />
que ele guardou pra semente.</p>
<p>M &#8211; Minha boa companheira,<br />
diz ele, vamos embora,<br />
e depressa, sem demora<br />
vende a sua cartucheira.<br />
Vende a faca, a roçadeira,<br />
machado, foice e facão;<br />
vende a pobre habitação,<br />
galinha, cabra e suíno<br />
e viajam sem destino<br />
em cima de um caminhão.</p>
<p>N &#8211; Naquele duro transporte<br />
sai aquela pobre gente,<br />
agüentando paciente<br />
o rigor da triste sorte.<br />
Levando a saudade forte<br />
de seu povo e seu lugar,<br />
sem um nem outro falar,<br />
vão pensando em sua vida,<br />
deixando a terra querida,<br />
para nunca mais voltar.</p>
<p>O &#8211; Outro tem opinião<br />
de deixar mãe, deixar pai,<br />
porém para o Sul não vai,<br />
procura outra direção.<br />
Vai bater no Maranhão<br />
onde nunca falta inverno;<br />
outro com grande consterno<br />
deixa o casebre e a mobília<br />
e leva a sua família<br />
pra construção do governo.</p>
<p>P &#8211; Porém lá na construção,<br />
o seu viver é grosseiro<br />
trabalhando o dia inteiro<br />
de picareta na mão.<br />
Pra sua manutenção<br />
chegando dia marcado<br />
em vez do seu ordenado<br />
dentro da repartição,<br />
recebe triste ração,<br />
farinha e feijão furado.</p>
<p>Q &#8211; Quem quer ver o sofrimento,<br />
quando há seca no sertão,<br />
procura uma construção<br />
e entra no fornecimento.<br />
Pois, dentro dele o alimento<br />
que o pobre tem a comer,<br />
a barriga pode encher,<br />
porém falta a substância,<br />
e com esta circunstância,<br />
começa o povo a morrer.</p>
<p>R &#8211; Raquítica, pálida e doente<br />
fica a pobre criatura<br />
e a boca da sepultura<br />
vai engolindo o inocente.<br />
Meu Jesus! Meu Pai Clemente,<br />
que da humanidade é dono,<br />
desça de seu alto trono,<br />
da sua corte celeste<br />
e venha ver seu Nordeste<br />
como ele está no abandono.</p>
<p>S &#8211; Sofre o casado e o solteiro<br />
sofre o velho, sofre o moço,<br />
não tem janta, nem almoço,<br />
não tem roupa nem dinheiro.<br />
Também sofre o fazendeiro<br />
que de rico perde o nome,<br />
o desgosto lhe consome,<br />
vendo o urubu esfomeado,<br />
puxando a pele do gado<br />
que morreu de sede e fome.</p>
<p>T &#8211; Tudo sofre e não resiste<br />
este fardo tão pesado,<br />
no Nordeste flagelado<br />
em tudo a tristeza existe.<br />
Mas a tristeza mais triste<br />
que faz tudo entristecer,<br />
é a mãe chorosa, a gemer,<br />
lágrimas dos olhos correndo,<br />
vendo seu filho dizendo:<br />
mamãe, eu quero morrer!</p>
<p>U &#8211; Um é ver, outro é contar<br />
quem for reparar de perto<br />
aquele mundo deserto,<br />
dá vontade de chorar.<br />
Ali só fica a teimar<br />
o juazeiro copado,<br />
o resto é tudo pelado<br />
da chapada ao tabuleiro<br />
onde o famoso vaqueiro<br />
cantava tangendo o gado.</p>
<p>V &#8211; Vivendo em grande maltrato,<br />
a abelha zumbindo voa,<br />
sem direção, sempre à toa,<br />
por causa do desacato.<br />
À procura de um regato,<br />
de um jardim ou de um pomar<br />
sem um momento parar,<br />
vagando constantemente,<br />
sem encontrar, a inocente,<br />
uma flor para pousar.</p>
<p>X &#8211; Xexéu, pássaro que mora<br />
na grande árvore copada,<br />
vendo a floresta arrasada,<br />
bate as asas, vai embora.<br />
Somente o saguim demora,<br />
pulando a fazer careta;<br />
na mata tingida e preta,<br />
tudo é aflição e pranto;<br />
só por milagre de um santo,<br />
se encontra uma borboleta.</p>
<p>Z &#8211; Zangado contra o sertão<br />
dardeja o sol inclemente,<br />
cada dia mais ardente<br />
tostando a face do chão.<br />
E, mostrando compaixão<br />
lá do infinito estrelado,<br />
pura, limpa, sem pecado<br />
de noite a lua derrama<br />
um banho de luz no drama<br />
do Nordeste flagelado.</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>******</strong></span></p>
<p>Posso dizer que cantei<br />
aquilo que observei;<br />
tenho certeza que dei<br />
aprovada relação.<br />
Tudo é tristeza e amargura,<br />
indigência e desventura.<br />
- Veja, leitor, quanto é dura<br />
a seca no meu sertão.</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>A festa da natureza</strong></span><br />
Chegando o tempo do inverno,<br />
Tudo é amoroso e terno,<br />
Sentindo o Pai Eterno<br />
Sua bondade sem fim.<br />
O nosso sertão amado,<br />
Estrumicado e pelado,<br />
Fica logo transformado<br />
No mais bonito jardim.</p>
<p>Neste quadro de beleza<br />
A gente vê com certeza<br />
Que a musga da natureza<br />
Tem riqueza de incantá.<br />
Do campo até na floresta<br />
As ave se manifesta<br />
Compondo a sagrada orquesta<br />
Desta festa naturá.</p>
<p>Tudo é paz, tudo é carinho,<br />
Na construção de seus ninho,<br />
Canta alegre os passarinho<br />
As mais sonora canção.<br />
E o camponês prazentero<br />
Vai prantá fejão ligero,<br />
Pois é o que vinga premero<br />
Nas terras do meu sertão</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Barriga Branca</strong></span><br />
Quando vive o marido atravancado,<br />
De cabresto, cambão, canga e tamanca,<br />
Aos caprichos da esposa escravizado,<br />
Recebe o nome de Barriga Branca.</p>
<p>Nunca pode fazer o que ele quer,<br />
O pobre diabo, o tal Barriga Branca.<br />
Sempre cumprindo as ordens da mulher,<br />
Ele é o dono da casa e ela, da tranca.</p>
<p>Ele escuta calado sempre mudo,<br />
Sua esposa da linga de tarisca,<br />
Ela é quem manda e quem comanda tudo,<br />
Ele so corta por onde ela risca.</p>
<p>Em qualquer festa do melhor brinquedo,<br />
Se ela nota que o pobre está contente,<br />
Logo lhe ordena com um gesto azedo:<br />
Vamos voltar! Está doendo um dente.</p>
<p>Na sua ordem rigorosa e dura,<br />
Ninguem pode tirar suas razões,<br />
Dos amigos do esposo ela censura<br />
E procura cortar as relações.</p>
<p>Tu és Barriga Branca um desgraçado,<br />
Por onde passas todos te dão vaias,<br />
Teu destino é viver subordinado<br />
Sob o jugo humilhante de uma saia.</p>
<p>Tu és um carro que não sai da pista,<br />
Rodas constante, velozmente e bom,<br />
Tua esposa é o único motorista,<br />
Pé no teu freio e mão no teu guidom.</p>
<p>É lamentável teu sofrer profundo,<br />
Nunca serás autoridade franca,<br />
Tens um inferno nesse nosso mundo:<br />
É muito triste ser Barriga Branca.</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>*****</strong></span></p>
<p>Nesta vida aperreada<br />
pra me livrá das furada<br />
destes teus óios redondo<br />
caboca, onde eu me coloco?<br />
caboca, onde é que eu me soco?<br />
caboca, onde é que eu me escondo?</p>
<p>Amanhã<br />
Amanhã, ilusão doce e fagueira,<br />
Linda rosa molhada pelo orvalho:<br />
Amanhã, findarei o meu trabalho,<br />
Amanhã, muito cedo, irei à feira.<br />
Desta forma, na vida passageira,<br />
Como aquele que vive do baralho,<br />
Um espera a melhora no agasalho<br />
E outro, a cura feliz de uma cegueira.<br />
Com o belo amanhã que ilude a gente,<br />
Cada qual anda alegre e sorridente,<br />
Como quem vai atrás de um talismã.<br />
Com o peito repleto de esperança,<br />
Porém, nunca nós temos a lembrança<br />
De que a morte também chega amanhã.<br />
<strong><span style="color: #008080;">Dois Quadros</span></strong><br />
Na seca inclemente do nosso Nordeste,<br />
O sol é mais quente e o céu mais azul<br />
E o povo se achando sem pão e sem veste,<br />
Viaja à procura das terra do Sul.<br />
De nuvem no espaço, não há um farrapo,<br />
Se acaba a esperança da gente roceira,<br />
Na mesma lagoa da festa do sapo,<br />
Agita-se o vento levando a poeira.<br />
A grama no campo não nasce, não cresce:<br />
Outrora este campo tão verde e tão rico,<br />
Agora é tão quente que até nos parece<br />
Um forno queimando madeira de angico.<br />
Na copa redonda de algum juazeiro<br />
A aguda cigarra seu canto desata<br />
E a linda araponga que chamam Ferreiro,<br />
Martela o seu ferro por dentro da mata.<br />
O dia desponta mostrando-se ingrato,<br />
Um manto de cinza por cima da serra<br />
E o sol do Nordeste nos mostra o retrato<br />
De um bolo de sangue nascendo da terra.<br />
Porém, quando chove, tudo é riso e festa,<br />
O campo e a floresta prometem fartura,<br />
Escutam-se as notas agudas e graves<br />
Do canto das aves louvando a natura.<br />
Alegre esvoaça e gargalha o jacu,<br />
Apita o nambu e geme a juriti<br />
E a brisa farfalha por entre as verduras,<br />
Beijando os primores do meu Cariri.<br />
De noite notamos as graças eternas<br />
Nas lindas lanternas de mil vagalumes.<br />
Na copa da mata os ramos embalam<br />
E as flores exalam suaves perfumes.<br />
Se o dia desponta, que doce harmonia!<br />
A gente aprecia o mais belo compasso.<br />
Além do balido das mansas ovelhas,<br />
Enxames de abelhas zumbindo no espaço.<br />
E o forte caboclo da sua palhoça,<br />
No rumo da roça, de marcha apressada<br />
Vai cheio de vida sorrindo, contente,<br />
Lançar a semente na terra molhada.<br />
Das mãos deste bravo caboclo roceiro<br />
Fiel, prazenteiro, modesto e feliz,<br />
É que o ouro branco sai para o processo<br />
Fazer o progresso de nosso país.<br />
<strong><br />
<span style="color: #008080;">O castigo do vaidoso</span></strong><br />
Quando ele viu um cabelinho branco<br />
Na sua negra e farta cabeleira,<br />
Disse, com raiva e cheio de canseira:<br />
Demora, diabo, que eu te pego e arranco!<br />
Porém, o tempo, sério, rijo e franco,<br />
Que não gosta daquela brincadeira,<br />
Da planície o levou para a ladeira<br />
E colocou bem no cimo do barranco.<br />
E hoje o vaidoso, sem consolo, chora,<br />
Bem diferente do que foi outrora,<br />
Doente e magro qual um esqueleto.<br />
Com um espelho quando se depara<br />
Triste e choroso, sem prazer repara<br />
Se ainda tem algum cabelo preto.<br />
<span style="color: #008080;"><strong>Flores murchas</strong></span><br />
Depois do nosso desejado enlace<br />
Ela dizia, cheia de carinho,<br />
Toda ternura a segredar baixinho:<br />
- Deixa, querido, que eu te beije a face!<br />
Ah! se esta vida nunca mais passasse!<br />
Só vejo rosas, sem um só espinho;<br />
Que bela aurora surge em nosso ninho!<br />
Que lindo sonho no meu peito nasce!<br />
E hoje, a coitada, sem falar de amor,<br />
Em vez daquele natural vigor,<br />
Sofre do tempo o mais cruel carimbo.<br />
E assim vivendo, de mazelas cheia,<br />
Em vez de beijo, sempre me aperreia<br />
Pedindo fumo para o seu cachimbo.</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Aos poetas clássicos</strong></span><br />
Poetas niversitário,<br />
Poetas de Cademia,<br />
De rico vocabularo<br />
Cheio de mitologia<br />
Se a gente canta o que pensa,<br />
Eu quero pedir licença,<br />
Pois mesmo sem português<br />
Neste livrinho apresento<br />
O prazê e o sofrimento<br />
De um poeta camponês.<br />
Eu nasci aqui no mato,<br />
Vivi sempre a trabaiá,<br />
Neste meu pobre recato,<br />
Eu não pude estudá<br />
No verdô de minha idade,<br />
Só tive a felicidad<br />
De dá um pequeno insaio<br />
In dois livro do iscritô,<br />
O famoso professô<br />
Filisberto de Carvaio.<br />
No premêro livro havia<br />
Belas figuras na capa,<br />
E no começo se lia:<br />
A pá &#8211; O dedo do Papa,<br />
Papa, pia, dedo, dado,<br />
Pua, o pote de melado,<br />
Dá-me o dado, a fera é má<br />
E tantas coisa bonita,<br />
Qui o meu coração parpita<br />
Quando eu pego a rescordá.<br />
Foi os livro de valô<br />
Mais maió que vi no mundo,<br />
Apenas daquele autô<br />
Li o premêro e o segundo<br />
Mas, porém, esta leitura,<br />
Me tirô da treva escura,<br />
Mostrando o caminho certo,<br />
Bastante me protegeu<br />
Eu juro que Jesus deu<br />
Sarvação a Filisberto.<br />
Depois que os dois livro eu li,<br />
Fiquei me sintindo bem,<br />
E ôtras coisinha aprendi<br />
Sem tê lição de ninguém.<br />
Na minha pobre linguage,<br />
A minha lira servage<br />
Canto o que minha arma sente<br />
E o meu coração incerra,<br />
As coisa de minha terra<br />
E a vida de minha gente.<br />
Poeta niversitaro,<br />
Poeta de cademia,<br />
De rico vocabularo<br />
Cheio de mitologia,<br />
Tarvez este meu livrinho<br />
Não vá recebê carinho,<br />
Nem lugio e nem istima,<br />
Mas garanto sê fié<br />
E não istruí papé<br />
Com poesia sem rima.<br />
Cheio de rima e sintindo<br />
Quero iscrevê meu volume,<br />
Pra não ficá parecido<br />
Com a fulô sem perfume<br />
A poesia sem rima,<br />
Bastante me disanima<br />
E alegria não me dá<br />
Não tem sabô a leitura,<br />
Parece uma noite iscura<br />
Sem istrela e sem luá.<br />
Se um dotô me perguntá<br />
Se o verso sem rima presta,<br />
Calado eu não vou ficá,<br />
A minha resposta é esta:<br />
- Sem a rima, a poesia<br />
Perde arguma simpatia<br />
E uma parte do primô<br />
Não merece munta parma,<br />
É como o corpo sem arma<br />
E o coração sem amô.<br />
Meu caro amigo poeta,<br />
Qui faz poesia branca,<br />
Não me chame de pateta<br />
Por esta opinião franca.<br />
Nasci entre a natureza,<br />
Sempre adorando as beleza<br />
Das obra do Criadô,<br />
Uvindo o vento na serva<br />
E vendo no campo a reva<br />
Pintadinha de fulô.<br />
Sou um caboco rocêro,<br />
Sem letra e sem istrução<br />
O meu verso tem o chêro<br />
Da poêra do sertão<br />
Vivo nesta solidade<br />
Bem destante da cidade<br />
Onde a ciença guverna.<br />
Tudo meu é naturá,<br />
Não sou capaz de gostá<br />
Da poesia moderna.<br />
Deste jeito Deus me quis<br />
E assim eu me sinto bem<br />
Me considero feliz<br />
Sem nunca invejá quem tem<br />
Profundo conhecimento.<br />
Ou ligêro como o vento<br />
Ou divagá como a lesma,<br />
Tudo sofre a mesma prova,<br />
Vai batê na fria cova<br />
Esta vida é sempre a mesma.<br />
A terra dos posseiros de Deus<br />
Esta terra é desmedida<br />
e devia ser comum,<br />
Devia ser repartida<br />
um toco pra cada um,<br />
mode morar sossegado.<br />
Eu já tenho imaginado<br />
Que a baixa, o sertão e a serra,<br />
Devia sê coisa nossa;<br />
Quem não trabalha na roça,<br />
Que diabo é que quer com a terra?</p>
<p><strong><span style="color: #008080;">Dois Quadros</span></strong><br />
Na seca inclemente do nosso Nordeste,<br />
O sol é mais quente e o céu mais azul<br />
E o povo se achando sem pão e sem veste,<br />
Viaja à procura das terra do Sul.</p>
<p>De nuvem no espaço, não há um farrapo,<br />
Se acaba a esperança da gente roceira,<br />
Na mesma lagoa da festa do sapo,<br />
Agita-se o vento levando a poeira.</p>
<p>A grama no campo não nasce, não cresce:<br />
Outrora este campo tão verde e tão rico,<br />
Agora é tão quente que até nos parece<br />
Um forno queimando madeira de angico.</p>
<p>Na copa redonda de algum juazeiro<br />
A aguda cigarra seu canto desata<br />
E a linda araponga que chamam Ferreiro,<br />
Martela o seu ferro por dentro da mata.</p>
<p>O dia desponta mostrando-se ingrato,<br />
Um manto de cinza por cima da serra<br />
E o sol do Nordeste nos mostra o retrato<br />
De um bolo de sangue nascendo da terra.</p>
<p>Porém, quando chove, tudo é riso e festa,<br />
O campo e a floresta prometem fartura,<br />
Escutam-se as notas agudas e graves<br />
Do canto das aves louvando a natura.</p>
<p>Alegre esvoaça e gargalha o jacu,<br />
Apita o nambu e geme a juriti<br />
E a brisa farfalha por entre as verduras,<br />
Beijando os primores do meu Cariri.</p>
<p>De noite notamos as graças eternas<br />
Nas lindas lanternas de mil vagalumes.<br />
Na copa da mata os ramos embalam<br />
E as flores exalam suaves perfumes.</p>
<p>Se o dia desponta, que doce harmonia!<br />
A gente aprecia o mais belo compasso.<br />
Além do balido das mansas ovelhas,<br />
Enxames de abelhas zumbindo no espaço.</p>
<p>E o forte caboclo da sua palhoça,<br />
No rumo da roça, de marcha apressada<br />
Vai cheio de vida sorrindo, contente,<br />
Lançar a semente na terra molhada.</p>
<p>Das mãos deste bravo caboclo roceiro<br />
Fiel, prazenteiro, modesto e feliz,<br />
É que o ouro branco sai para o processo<br />
Fazer o progresso de nosso país.</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>O alco e a gasolina</strong></span><br />
Neste mundo de pecado<br />
Ninguém qué vivê sozinho<br />
Quem viaja acompanhado<br />
Incurta mais o caminho<br />
Tudo que no mundo existe<br />
Se achando sozinho e triste,<br />
O alco vivia só<br />
Sem ninguém lhe querê bem<br />
E a gasolina também<br />
Vivia no caritó.</p>
<p>O alco tanto sofreu<br />
Sua dura e triste sina<br />
Até que um dia ofreceu<br />
Seu amô a gasolina<br />
Perguntou se ela queria<br />
Ele em sua companhia,<br />
Pois andava aperriado<br />
Era grande o padecê<br />
Não podia mais vivê<br />
Sem companhêra ao seu lado.</p>
<p>Disse ela: dou-lhe a resposta<br />
Mas fazendo uma proposta<br />
Sei que de mim você gosta<br />
E eu não lhe acho tão feio<br />
Porém eu sou moça fina,<br />
Sou a prenda gasolina<br />
Bem recatada, granfina<br />
E gosto muito de asseio.</p>
<p>Se você não é nogento<br />
É grande o contentamento<br />
E tarvez meu sofrimento<br />
Da solidão eu arranque,<br />
Nós não vamo nem casá<br />
Do jeito que o mundo tá<br />
Nós dois vamo é se juntá<br />
E morá dentro do tanque.</p>
<p>Se quisé me acompanhá<br />
No tanque vamo morá<br />
E os apusento zelá<br />
Com carinho e com amô,<br />
Porém lhe dou um conseio<br />
Não vá fazê papé feio<br />
Quero limpeza e asseio<br />
Dentro do carboradô.</p>
<p>Se o meu amô armeja<br />
E andá comigo deseja,<br />
É necessaro que seja<br />
Limpo, zeladô e esperto,<br />
Precisa se controlá,<br />
Veja que eu sou minerá<br />
E você é vegetá,<br />
Será que isto vai dá certo?</p>
<p>Disse o alco: meu benzinho<br />
Eu não quero é tá sozinho<br />
Pra gozá do teu carinho<br />
Todo sacrifiço faço,<br />
Na nossa nova aliança<br />
Disponha de confiança<br />
Com a minha substança<br />
Eu subo até no espaço.</p>
<p>Quero é sê feliz agora<br />
Morá onde você mora<br />
Andá pelo mundo afora<br />
E a minha vida gozá,<br />
Entre nós não há desorde<br />
Basta que você concorde<br />
Nós se junta com as orde<br />
Da senhora Petrobá.</p>
<p>Tudo o alco prometia.<br />
Queria por que queriá<br />
Na Petrobá neste dia<br />
Houve uma festa danada<br />
A Petrobá ordenou<br />
Um ao outro se entregou<br />
E o querozene chorou<br />
Vendo a parenta amigada.</p>
<p>Porém depois de algum dia<br />
Começou grande narquia,<br />
O que o alco prometia<br />
Sem sentimento negou,<br />
Fez uma ação traiçoêra<br />
Com a sua companhêra<br />
Fazendo a maió sugêra<br />
Dentro do carboradô.</p>
<p>Fez o alco uma ruína<br />
Prometeu a gasolina<br />
Que seguia a diciprina<br />
Mas não quis lhe obedecê<br />
Como o cabra embriagado<br />
Descuidado e deslêxado<br />
Dêxava tudo melado,<br />
Agúia, bóia e giclê.</p>
<p>A gasolina falava<br />
E a ele aconceiava,<br />
Mas o alco não ligava,<br />
Inxia o saco a zomba<br />
Lhe respondendo, eu não ligo,<br />
Se achá que vivê comigo<br />
Tá sendo grande castigo<br />
Se quêxe da Petrobá.</p>
<p>E assim ele permanece<br />
No carro a tudo aborrece,<br />
Se a gasolina padece<br />
O chofé também se atrasa<br />
Hoje o alco veve assim<br />
Do jeito do cabra ruim<br />
Que bebe no butiquim<br />
E vai vomitá na casa.</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>O Burro<br />
</strong></span>Vai ele a trote, pelo chão da serra,<br />
Com a vista espantada e penetrante,<br />
E ninguém nota em seu marchar volante,<br />
A estupidez que este animal encerra.</p>
<p>Muitas vezes, manhoso, ele se emperra,<br />
Sem dar uma passada para diante,<br />
Outras vezes, pinota, revoltante,<br />
E sacode o seu dono sobre a terra.</p>
<p>Mas contudo! Este bruto sem noção,<br />
Que é capaz de fazer uma traição,<br />
A quem quer que lhe venha na defesa,</p>
<p>É mais manso e tem mais inteligência<br />
Do que o sábio que trata de ciência<br />
E não crê no Senhor da Natureza.</p>
<p><strong><span style="color: #008080;">O Peixe</span></strong><br />
Tendo por berço o lago cristalino,<br />
Folga o peixe, a nadar todo inocente,<br />
Medo ou receio do porvir não sente,<br />
Pois vive incauto do fatal destino.</p>
<p>Se na ponta de um fio longo e fino<br />
A isca avista, ferra-a insconsciente,<br />
Ficando o pobre peixe de repente,<br />
Preso ao anzol do pescador ladino.</p>
<p>O camponês, também, do nosso Estado,<br />
Ante a campanha eleitoral, coitado!<br />
Daquele peixe tem a mesma sorte.</p>
<p>Antes do pleito, festa, riso e gosto,<br />
Depois do pleito, imposto e mais imposto.<br />
Pobre matuto do sertão do Norte!</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>*****</strong></span></p>
<p>Eu nunca falei à toa.<br />
Sou um cabôco rocêro,<br />
Que sempre das coisa boa<br />
Eu tive um certo tempero.<br />
Não falo mal de ninguém,<br />
Mas vejo que o mundo tem<br />
Gente que não sabe amá,<br />
Não sabe fazê carinho,<br />
Não qué bem a passarinho,<br />
Não gosta dos animá.</p>
<p>Já eu sou bem deferente.<br />
A coisa mió que eu acho<br />
É num dia munto quente<br />
Eu i me sentá debaxo<br />
De um copado juazêro,<br />
Prá escutá prazentêro<br />
Os passarinho cantá,<br />
Pois aquela poesia<br />
Tem a mesma melodia<br />
Dos anjo celestiá.</p>
<p>Não há frauta nem piston<br />
Das banda rica e granfina<br />
Pra sê sonoroso e bom<br />
Como o galo de campina,<br />
Quando começa a cantá<br />
Com sua voz naturá,<br />
Onde a inocença se incerra,<br />
Cantando na mesma hora<br />
Que aparece a linda orora<br />
Bejando o rosto da terra.</p>
<p>O sofreu e a patativa<br />
Com o canaro e o campina<br />
Tem canto que me cativa,<br />
Tem musga que me domina,<br />
E inda mais o sabiá,<br />
Que tem premêro lugá,<br />
É o chefe dos serestêro,<br />
Passo nenhum lhe condena,<br />
Ele é dos musgo da pena<br />
O maiô do mundo intêro.</p>
<p>Eu escuto aquilo tudo,<br />
Com grande amô, com carinho,<br />
Mas, às vez, fico sisudo,<br />
Pruquê cronta os passarinho<br />
Tern o gavião maldito,<br />
Que, além de munto esquisito,<br />
Como iguá eu nunca vi,<br />
Esse monstro miserave<br />
É o assarsino das ave<br />
Que canta pra gente uví.</p>
<p>Muntas vez, jogando o bote,<br />
Mais pió de que a serpente,<br />
Leva dos ninho os fiote<br />
Tão lindo e tão inocente.<br />
Eu comparo o gavião<br />
Com esses farão cristão<br />
Do instinto crué e feio,<br />
Que sem ligá gente pobre<br />
Quê fazê papé de nobre<br />
Chupando o suó alêio.</p>
<p>As Escritura não diz,<br />
Mas diz o coração meu:<br />
Deus, o maió dos juiz,<br />
No dia que resorveu<br />
A fazê o sabiá<br />
Do mió materiá<br />
Que havia inriba do chão,<br />
O Diabo, munto inxerido,<br />
Lá num cantinho, escondido,<br />
Também fez o gavião.</p>
<p>De todos que se conhece<br />
Aquele é o passo mais ruim<br />
É tanto que, se eu pudesse,<br />
Já tinha lhe dado fim.<br />
Aquele bicho devia<br />
Vivê preso, noite e dia,<br />
No mais escuro xadrez.<br />
Já que tô de mão na massa,<br />
Vou contá a grande arruaça<br />
Que um gavião já me fez.</p>
<p>Quando eu era pequenino,<br />
Saí um dia a vagá<br />
Pelos mato sem destino,<br />
Cheio de vida a iscutá<br />
A mais subrime beleza<br />
Das musga da natureza<br />
E bem no pé de um serrote<br />
Achei num pé de juá<br />
Um ninho de sabiá<br />
Com dois mimoso fiote.</p>
<p>Eu senti grande alegria,<br />
Vendo os fíote bonito.<br />
Pra mim eles parecia<br />
Dois anjinho do Infinito.<br />
Eu falo sero, não minto.<br />
Achando que aqueles pinto<br />
Era santo, era divino,<br />
Fiz do juazêro igreja<br />
E bejei, como quem bêja<br />
Dois Santo Antõi pequenino.</p>
<p>Eu fiquei tão prazentêro<br />
Que me esqueci de armoçá,<br />
Passei quage o dia intêro<br />
Naquele pé de juá.<br />
Pois quem ama os passarinho,<br />
No dia que incronta um ninho,<br />
Somente nele magina.<br />
Tão grande a demora foi,<br />
Que mamãe (Deus lhe perdoi)<br />
Foi comigo à disciprina.</p>
<p>Meia légua, mais ou meno,<br />
Se medisse, eu sei que dava,<br />
Dali, daquele terreno<br />
Pra paioça onde eu morava.<br />
Porém, eu não tinha medo,<br />
Ia lá sempre em segredo,<br />
Sempre. iscondido, sozinho,<br />
Temendo que argúm minino,<br />
Desses perverso e malino<br />
Mexesse nos passarinho.</p>
<p>Eu mesmo não sei dizê<br />
O quanto eu tava contente<br />
Não me cansava de vê<br />
Aqueles dois inocente.<br />
Quanto mais dia passava,<br />
Mais bonito eles ficava,<br />
Mais maió e mais sabido,<br />
Pois não tava mais pelado,<br />
Os seus corpinho rosado<br />
Já tava tudo vestido.</p>
<p>Mas, tudo na vida passa.<br />
Amanheceu certo dia<br />
O mundo todo sem graça,<br />
Sem graça e sem poesia.<br />
Quarqué pessoa que visse<br />
E um momento refritisse<br />
Nessa sombra de tristeza,<br />
Dava pra ficá pensando<br />
Que arguém tava malinando<br />
Nas coisa da Natureza.</p>
<p>Na copa dos arvoredo,<br />
Passarinho não cantava.<br />
Naquele dia, bem cedo,<br />
Somente a coã mandava<br />
Sua cantiga medonha.<br />
A menhã tava tristonha<br />
Como casa de viúva,<br />
Sem prazê, sem alegria<br />
E de quando em vez, caía<br />
Um sereninho de chuva.</p>
<p>Eu oiava pensativo<br />
Para o lado do Nascente<br />
E não sei por quá motivo<br />
O só nasceu diferente,<br />
Parece que arrependido,<br />
Detrás das nuve, escondido.<br />
E como o cabra zanôio,<br />
Botava bem treiçoêro,<br />
Por detrás dos nevoêro,<br />
Só um pedaço do ôio.</p>
<p>Uns nevoêro cinzento<br />
Ia no espaço correndo.<br />
Tudo naquele momento<br />
Eu oiava e tava vendo,<br />
Sem alegria e sem jeito,<br />
Mas, porém, eu sastifeito,<br />
Sem com nada me importá,<br />
Saí correndo, aos pinote,<br />
E fui repará os fiote<br />
No ninho do sabiá.</p>
<p>Cheguei com munto carinho,<br />
Mas, meu Deus! que grande agôro!<br />
Os dois véio passarinho<br />
Cantava num som de choro.<br />
Uvindo aquele grogeio,<br />
Logo no meu corpo veio<br />
Certo chamego de frio<br />
E subindo bem ligêro<br />
Pr&#8217;as gaia do juazêro,<br />
Achei o ninho vazio.</p>
<p>Quage que eu dava um desmaio,<br />
Naquele pé de juá<br />
E lá da ponta de um gaio,<br />
Os dois véio sabiá<br />
Mostrava no triste canto<br />
Uma mistura de pranto,<br />
Num tom penoso e funéro,<br />
Parecendo mãe e pai,<br />
Na hora que o fio vai<br />
Se interrá no cimitéro.</p>
<p>Assistindo àquela cena,<br />
Eu juro pelo Evangéio<br />
Como solucei com pena<br />
Dos dois passarinho véio<br />
E ajudando aquelas ave,<br />
Nesse ato desagradave,<br />
Chorei fora do comum:<br />
Tão grande desgosto tive,<br />
Que o meu coração sensive<br />
Omentou seus baticum.</p>
<p>Os dois passarinho amado<br />
Tivero sorte infeliz,<br />
Pois o gavião marvado<br />
Chegou lá, fez o que quis.<br />
Os dois fiote tragou,<br />
O ninho desmantelou<br />
E lá pras banda do céu,<br />
Depois de devorá tudo,<br />
Sortava o seu grito agudo<br />
Aquele assassino incréu.</p>
<p>E eu com o maiô respeito<br />
E com a suspiração perra,<br />
As mão posta sobre o peito<br />
E os dois juêio na terra,<br />
Com uma dó que consome,<br />
Pedi logo em santo nome<br />
Do nosso Deus Verdadêro,<br />
Que tudo ajuda e castiga:<br />
Espingarda te preciga,<br />
Gavião arruacêro!</p>
<p>Sei que o povo da cidade<br />
Uma idéia inda não fez<br />
Do amô e da caridade<br />
De um coração camponês.<br />
Eu sinto um desgosto imenso<br />
Todo momento que penso<br />
No que fez o gavião.<br />
E em tudo o que mais me espanta<br />
É que era Semana Santa!<br />
Sexta-fêra da Paixão!</p>
<p>Com triste rescordação<br />
Fico pra morrê de pena,<br />
Pensando na ingratidão<br />
Naquela menhã serena<br />
Daquele dia azalado,<br />
Quando eu saí animado<br />
E andei bem meia légua<br />
Pra bejá meus passarinho<br />
E incrontei vazio o ninho!</p>
<p>Gavião fí duma égua!</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Rafael Sanzio &#8211; Pintor e Artista Plastico</title>
		<link>http://www.vidaeobra.com.br/biografias/raffaello-sanzio-pintor-artista-plastico.html</link>
		<comments>http://www.vidaeobra.com.br/biografias/raffaello-sanzio-pintor-artista-plastico.html#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2009 02:39:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artistas Plásticos]]></category>
		<category><![CDATA[Pintores]]></category>

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		<description><![CDATA[
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Auto Retrato &#8211; Óleo sobre tela
Rafael Sanzio
Rafael ou Raffaello
* Urbino, Itália &#8211; 06 de Abril de 1483 d.C
+ Roma, Itália &#8211; 06 de Abril de 1520 d.C.


Rafael ou Raffaello nascido em Urbino, na Itália, no dia 6 de abril de 1483 foi um mestre da pintura e da arquitetura da escola [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center; "><span style="color: #008080;"><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-auto-retrato1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-auto-retrato[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-892" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-auto-retrato[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-auto-retrato1-222x300.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-auto-retrato[1]" width="222" height="300" /></a></span></p>
<p style="text-align: center; "><span style="color: #008080;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar</span></span><br />
Auto Retrato &#8211; Óleo sobre tela</span></p>
<p style="text-align: center; "><span style="color: #008080;"><strong>Rafael Sanzio<br />
</strong></span><span style="color: #008080;">Rafael ou Raffaello</span></p>
<p style="text-align: center; "><span style="color: #008080;">* Urbino, Itália &#8211; 06 de Abril de 1483 d.C<br />
+ Roma, Itália &#8211; 06 de Abril de 1520 d.C.</span></p>
<p style="text-align: center; "><span style="color: #808080; font-size: x-small;"><span><br />
</span></span></p>
<p><strong><span style="color: #808080;">Rafael ou Raffaello</span></strong> nascido em Urbino, na Itália, no dia 6 de abril de 1483 foi um mestre da pintura e da arquitetura da escola de Florença durante o Renascimento Italiano. Hábil desenhista possuía o dom de traçar linhas claras, racionais, econômicas e elegantes.</p>
<p>A morte precoce de Rafael, no dia em que completava 37 anos, reforçou a aura mística que rodeava sua figura. Admirado pela aristocracia e pela corte papal, que o viam como o &#8220;príncipe dos pintores&#8221;, foi encarregado pelo <strong><span style="color: #888888;">papa Júlio II</span></strong> de decorar com afrescos as salas do Vaticano hoje conhecidas como as stanze de Rafael.</p>
<p style="text-align: center;"><object style="width: 520px; height: 410px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="520" height="410" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/6QmvZOHcXBk" /><embed style="width: 520px; height: 410px;" type="application/x-shockwave-flash" width="520" height="410" src="http://www.youtube.com/v/6QmvZOHcXBk"></embed></object></p>
<p>Dono de uma arte e filosofia de destaque, Rafael deixa a obra &#8220;<strong><span style="color: #888888;">A Transfiguração</span></strong>&#8221; inacabada. Pode ler-se no epitáfio do pintor: &#8220;Aqui jaz Rafael, pelo qual a mãe[-natureza] temeu ser ultrapassada enquanto em vida, e enquanto ele estava a morrer, temeu deixar-se morrer.&#8221;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;"><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-transfiguracao1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-transfiguracao"><img class="aligncenter size-medium wp-image-893" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-transfiguracao" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-transfiguracao1-198x300.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-transfiguracao" width="198" height="300" /></a></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar</span></span><strong><br />
<span style="color: #008080;">Transfiguração, 1518/20. Museu do Vaticano</span></strong></p>
<p>Celebrado pela perfeição e suavidade de suas obras. Também é conhecido por Raffaello Sanzio, Raffaello Santi, Raffaello de Urbino ou Rafael Sanzio de Urbino.</p>
<p>Filho de Giovanni Santi, um pintor de poucos méritos, porém homem culto e bem relacionado na corte do duque Federico da Montefeltro. Giovanni Santi era também um poeta (escreveu uma Crônica famosa em rima). Transmitiu ao filho, de precoce talento, o amor pela pintura e as primeiras lições do ofício.</p>
<p>O duque, personificação do ideal renascentista do príncipe culto, encorajara todas as formas artísticas e transformara Urbino em centro cultural, a que foram atraídos homens como <strong><span style="color: #808080;">Donato Bramante, Piero della Francesca e Leone Battista Alberti</span></strong>.</p>
<p>Rafael já com 11 anos foi introduzido à corte de Urbino, que, ao final do século XV, havia se tornado um dos mais ativos centros culturais da Itália. Em 1500, aos 17 anos, Rafael já era considerado um mestre. Após a morte de seu pai (1494), o responsável por seu amor pela pintura e pelas primeiras lições do ofício, Rafael foi para Perúgia, onde aprendeu com <strong><span style="color: #808080;">Pietro Perugino</span></strong> a técnica do afresco, e ali criou sua primeira obra de destaque, O casamento da Virgem, em 1504.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;"><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-o-casamento-da-virgem-15041.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-o-casamento-da-virgem-1504[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-895" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-o-casamento-da-virgem-1504[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-o-casamento-da-virgem-15041-204x300.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-o-casamento-da-virgem-1504[1]" width="204" height="300" /></a></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar</span></span><br />
<strong><span style="color: #008080;">O Casamento da Virgem &#8211; Óleo sobre madeira &#8211; 1504</span></strong></p>
<p>Quando do nascimento de Rafael, ele dirigia um famoso estúdio em Urbino. Giovanni ensinou seu filho a pintar e o introduziu a corte humanista de Urbino, que, ao final do século XV, havia se tornado um dos mais ativos centros culturais da Itália, sob a regência de <strong><span style="color: #808080;">Federico da Montefeltro</span></strong>, falecido sete meses antes do nascimento de Rafael.</p>
<p>Lá, Rafael pode conhecer os trabalhos de <strong><span style="color: #808080;">Paolo Uccello</span></strong>, Luca Signorelli, e Melozzo de Forlì. Precoce, aos dezessete anos (em 1500) Rafael já era considerado um mestre.</p>
<p>De acordo com Giorgio Vasari, Rafael foi levado pelo pai aos onze anos para ser aprendiz de Pietro Perugino, em Perúgia, mas esta informação é discutida por algumas autoridades no assunto. É de consenso geral que Rafael estava na Úmbria a partir de 1492, ano de falecimento de seu pai.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #008080;"><strong>Florença</strong></span></p>
<p>No outono de 1504, Rafael foi a Florença, atraído pelos trabalhos que estavam sendo realizados, no Palazzo della Signoria, por <strong><span style="color: #808080;">Leonardo da Vinci e Michelangelo</span></strong>. Sob a influência, sobretudo da obra de Da Vinci, absorveu a estética renascentista e executou diversas madonas, entre as quais a &#8220;Madona Esterházy&#8221; e &#8220;A bela jardineira&#8221;.</p>
<p>Fez uso das grandes inovações introduzidas na pintura por Da Vinci a partir de 1480: o claro-escuro, contraste de luz e sombra que empregou com moderação, e o esfumado, sombreado levemente esbatido, ao invés de traços, para delinear as formas. A influência de Michelangelo, patente na &#8220;Pietà&#8221; e na &#8220;Madona do baldaquino&#8221;, consistiu sobretudo na exploração das possibilidades expressivas da anatomia humana.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"> </span><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;"><strong><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-madona-esterhazy1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-madona-esterhazy[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-896" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-madona-esterhazy[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-madona-esterhazy1-216x300.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-madona-esterhazy[1]" width="216" height="300" /></a></strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar</span></span><br />
<span style="color: #008080;"><strong>Madona Esterházy &#8211; 1504 &#8211; Óleo sobre tela<br />
</strong></span></p>
<p>Nessa época, influenciado pelas inovações artísticas e modismos de Leonardo da Vinci e Michelangelo, Rafael transitou de um estilo firme na perspectiva e na composição geométrica rígida para uma maneira mais informal, natural e suave de pintar.</p>
<p>Por sugestão de <strong><span style="color: #888888;">Bramante</span></strong>, seu amigo e arquiteto do Vaticano, Rafael foi chamado a Roma pelo papa Júlio II em 1508.<br />
Foi encarregado, em 1508, pelo papa Júlio II de decorar com afrescos as salas do Vaticano, hoje conhecidas como as stanze de Rafael. Nos 12 anos em que permaneceu na cidade, incumbiu-se de numerosos projetos de destaque, nos quais demonstra uma imaginação variada e extremamente criativa.</p>
<p>Dos afrescos do Vaticano, os mais importantes são a &#8220;Disputa&#8221; (ou &#8220;Discussão do Santíssimo Sacramento&#8221;) e a &#8220;Escola de Atenas&#8221;, ambos pintados na <strong><span style="color: #888888;">Stanza della Segnatura</span></strong>.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"> </span><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;"><strong><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-madonna-de-la-silla1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-madonna-de-la-silla[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-897" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-madonna-de-la-silla[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-madonna-de-la-silla1-300x300.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-madonna-de-la-silla[1]" width="300" height="300" /></a></strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar</span></span><strong><br />
</strong><span style="color: #008080;"><strong>Madonna de la silla &#8211; </strong></span><span style="color: #008080;"><strong>Óleo sobre tela</strong></span></p>
<p>Suas Madonas, série de quadros da Santíssima Virgem, diversos painéis nas paredes do Vaticano e várias cenas da História Sagrada, fez de Rafael uma figura histórica do Renascimento, movimento que cresceu na Europa no período correspondente entre à Baixa Idade Média e o início da Idade Moderna, do século XIII ao XVI, com o berço na Itália e tendo em Florença e Roma seus dois centros mais importantes.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;"><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-madonna-santa-catarina1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-madonna-santa-catarina[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-898" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-madonna-santa-catarina[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-madonna-santa-catarina1-207x300.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-madonna-santa-catarina[1]" width="207" height="300" /></a></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar</span></span><strong><br />
</strong><span style="color: #008080;"><strong>Santa Catarina</strong></span><span style="color: #008080;"><strong> &#8211; </strong></span><span style="color: #008080;"><strong>Óleo sobre tela</strong></span></p>
<p>Rafael nunca se casou, ainda que algumas fontes afirmem que em 1514 ele estava noivo de Maria Bibbiena, sobrinha de um cardeal. Mas o noivado terminou devido a morte prematura da jovem. Diz a lenda, numa versão extremamente romântica, que seu grande amor foi &#8220;Fornarina&#8221; (padeirinha), mas sua existência jamais foi confirmada. Segundo Giorgio Vasari, grande biógrafo do Renascimento, a morte prematura de Rafael foi causada por excesso de amor.</p>
<p><strong><span style="color: #008080;">Roma</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #888888;"><span style="font-size: x-small;"><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-francesco-maria-della-rovere-1514-museu-czartoryski-cracovia1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-francesco-maria-della-rovere-1514-museu-czartoryski-cracovia[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-899" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-francesco-maria-della-rovere-1514-museu-czartoryski-cracovia[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-francesco-maria-della-rovere-1514-museu-czartoryski-cracovia1-219x300.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-francesco-maria-della-rovere-1514-museu-czartoryski-cracovia[1]" width="219" height="300" /></a></span><span style="font-size: x-small;"> </span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #888888;"><span style="font-size: x-small;">Clique na imagem para ampliar</span></span><br />
<strong><span style="color: #008080;">Rafael Sanzio &#8211; Retrato de Francesco Maria della Rovere, 1514<br />
</span></strong><span style="color: #008080;">Museu Czartoryski, Cracovia</span></p>
<p style="text-align: left;">Por sugestão de Bramante, seu amigo e arquiteto do Vaticano, Rafael foi chamado a Roma pelo papa Júlio II em 1508. Nos 12 anos em que permaneceu nessa cidade incumbiu-se de numerosos projetos de envergadura, nos quais deu mostras de uma imaginação variada e fértil.</p>
<p style="text-align: left;">Dos afrescos do Vaticano, os mais importantes são a &#8220;Disputa&#8221; (ou &#8220;Discussão do Santíssimo Sacramento&#8221;) e a &#8220;Escola de Atenas&#8221;, ambos pintados na Stanza della Segnatura. O primeiro, que mostra uma visão celestial de Deus, seus profetas e apóstolos a encimar um conjunto de representantes da igreja, equipara a vitória do catolicismo à afirmação da verdade. Já a &#8220;Escola de Atenas&#8221; é uma alegoria complexa do conhecimento filosófico profano.</p>
<p style="text-align: left;">Mostra um grupo de filósofos de várias épocas históricas ao redor de Aristóteles e Platão, ilustrando a continuidade histórica do pensamento platônico.</p>
<p style="text-align: left;">Após a morte de Júlio II, em 1513, a decoração dos aposentos pontifícios prosseguiu sob o novo papa, Leão X, até 1517. Apesar da grandiosidade do empreendimento, cujas últimas partes foram deixadas principalmente por conta de seus discípulos, Rafael, que então se tornara o pintor da moda, assumiu ao mesmo tempo numerosas outras tarefas: criou retratos, altares, cartões para tapeçarias, cenários teatrais e projetos arquitetônicos de construções profanas e igrejas como a de Sant&#8217;Eligio degli Orefici. Tamanho era seu prestígio que, segundo o biógrafo Giorgio Vasari, Leão X chegou a pensar em fazê-lo cardeal.</p>
<p style="text-align: left;">Em 1514, com a morte de Bramante, Rafael foi nomeado para suceder-lhe como arquiteto do Vaticano e assumiu as obras em curso na basílica de São Pedro, onde substituiu a planta em cruz grega, ou radial, por outra mais simples, em cruz latina, ou longitudinal. Sucedeu também a Bramante na decoração das loggias (galerias) do Vaticano, aí realizando composições de lírica simplicidade que pareciam contrabalançar a aterradora grandeza da capela Sistina pintada por Michelangelo.</p>
<p>Nos 12 anos em que permaneceu nessa cidade incumbiu-se de numerosos projetos de envergadura, nos quais deu mostras de uma imaginação variada e fértil.</p>
<p>O primeiro, que mostra uma visão celestial de Deus, seus profetas e apóstolos a encimar um conjunto de representantes da igreja, equipara a vitória do catolicismo à afirmação da verdade. Já a &#8220;<strong><span style="color: #808080;">Escola de Atenas</span></strong>&#8221; é uma alegoria complexa do conhecimento filosófico profano. Mostra um grupo de filósofos de várias épocas históricas ao redor de <strong><span style="color: #808080;">Aristóteles</span></strong> e <strong><span style="color: #808080;">Platão</span></strong>, ilustrando a continuidade histórica do pensamento platônico.</p>
<p>Após a morte de Júlio II, em 1513, a decoração dos aposentos pontifícios prosseguiu sob o novo papa, Leão X, até 1517. Apesar da grandiosidade do empreendimento, cujas últimas partes foram deixadas principalmente por conta de seus discípulos, Rafael, que então se tornara o pintor da moda, assumiu ao mesmo tempo numerosas outras tarefas: criou retratos, altares, cartões para tapeçarias, cenários teatrais e projetos arquitetônicos de construções profanas e igrejas como a de Sant&#8217;Eligio degli Orefici.</p>
<p>Tamanho era seu prestígio que, segundo o biógrafo Giorgio Vasari, Leão X chegou a pensar em fazê-lo cardeal.</p>
<p>Em 1514, com a morte de Bramante, Rafael foi nomeado para suceder-lhe como arquiteto do Vaticano e assumiu as obras em curso na basílica de São Pedro, onde substituiu a planta em cruz grega, ou radial, por outra mais simples, em cruz latina, ou longitudinal.</p>
<p>Sucedeu também a Bramante na decoração das loggias (galerias) do Vaticano, aí realizando composições de lírica simplicidade que pareciam contrabalançar a aterradora grandeza da <strong><span style="color: #808080;">Capela Sistina</span></strong> pintada por Michelangelo.</p>
<p style="text-align: center;"><object style="width: 520px; height: 410px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="520" height="410" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/BVsy2rro6Ao" /><embed style="width: 520px; height: 410px;" type="application/x-shockwave-flash" width="520" height="410" src="http://www.youtube.com/v/BVsy2rro6Ao"></embed></object></p>
<p>Competente pesquisador interessado na antiguidade clássica, Rafael foi designado, em 1515, para supervisionar a preservação de preciosas inscrições latinas em mármore. Dois anos depois, foi nomeado encarregado geral de todas as antiguidades romanas, para o que executou um mapa arqueológico da cidade.</p>
<p>Sua última obra, a &#8220;Transfiguração&#8221;, encomendada em 1517, desvia-se da serenidade típica de seu estilo para prefigurar coordenadas de um novo mundo turbulento — o da expressão barroca.</p>
<p>Em conseqüência da profundidade filosófica de muitos de seus trabalhos, a reputação de humanista e pensador neoplatônico de Rafael implantou-se em Roma. Entre seus amigos havia respeitados homens de letras, como Castiglione e Pietro Aretino, além de muitos artistas.</p>
<p>Em 1519 ele projetou os cenários para a comédia I suppositi, de Ludovico Ariosto. Coberto de honrarias, Rafael morreu em Roma em 6 de abril de 1520.</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Trabalhos</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;"><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-de-cristo-masp1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-de-cristo-masp[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-900" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-de-cristo-masp[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-de-cristo-masp1-246x300.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-de-cristo-masp[1]" width="246" height="300" /></a></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar</span></span><strong><br />
</strong><span style="color: #008080;"><strong>Ressurreição de Cristo ou Ressurreição Kinnaird</strong><br />
Óleo sobre madeira, 52 X 44 cm, 1499-1502<br />
Acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand &#8211; MASP</span></p>
<p>Ressurreição de Cristo, também conhecida como Ressurreição Kinnaird, é uma pintura a óleo sobre madeira do mestre do renascimento italiano Rafael. A obra é uma das primeiras pinturas conhecidas do artista, executada entre 1499 e 1502.</p>
<p>É provável que seja um elemento de uma <strong><span style="color: #808080;">predella</span></strong>, tendo-se aventado a hipótese do painel ser uma das obras remanescentes do retábulo de San Nicola da Tolentino, a primeira encomenda documentada de Rafael. A obra encontra-se atualmente conservada no Museu de Arte de São Paulo.</p>
<p><strong><span style="color: #008080;">Iconografia</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;"><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-anjo1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-anjo[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-901" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-anjo[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-anjo1-300x241.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-anjo[1]" width="300" height="241" /></a></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar</span></span><strong><br />
</strong><strong><span style="color: #008080;">Detalhe do anjo da Ressurreição Kinnaird</span></strong></p>
<p>A produção de imagens ancoradas na temática hierática e, sobretudo, na emblemática figura do Cristo, remonta às representações artísticas da Alta Idade Média, documentadas a partir do século III. No período paleocristão, a concepção iconográfica de Jesus encontra-se representada quase que exclusivamente na figura do Cristo como o &#8220;Bom Pastor&#8221;. O enriquecimento da cultura iconográfica cristã após a promulgação do Édito de Milão permitiu a ampliação dos ciclos narrativos.</p>
<p>Na Baixa Idade Média, a predominância da figura de cristo como &#8220;Bom Pastor&#8221; foi sendo progressivamente substituída pela do &#8220;Cordeiro em sacrifício&#8221;, abrindo espaço para as representações do episódio da ressurreição. A fonte primária do tema é o evangelho de João (20, 21), em que se narra de forma concisa o fenômeno da ressurreição e da aparição de Jesus a Maria Madalena.</p>
<p>A cena do Cristo ressuscitado, ostentando o estandarte da ressurreição, e elevando-se sobre o sarcófago na presença dos soldados &#8211; alternativamente retratados inconscientes, fascinados ou espantados diante do fenômeno que observam -, tornou-se bastante freqüente na cultura pictórica do Renascimento.</p>
<p>Além de Rafael, artistas como Perugino e Piero della Francesca dedicaram-se ao tema, que, ademais, encontra ressonâncias para além das fronteiras italianas, notadamente na Alemanha, em obras de Matthias Grünewald e Albrecht Altdorfer.</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>A obra<br />
Contexto geral</strong></span></p>
<p>A obra foi adquirida pelo Museu de Arte de São Paulo em 1954, mas foi incorporada ao acervo do museu apenas em 1958, após retornar de uma série de exposições itinerantes promovidas pelo museu na Europa e nos Estados Unidos. Desde então, a Ressurreição Kinnaird tem sido objeto de intenso debate acerca de sua atribuição.</p>
<p>O motivo é a relação entre a obra e dois desenhos, conservados no Ashmaolen Museum de Oxford, consensualmente atribuídos a Rafael desde 1870.</p>
<p>Os desenhos, datados alternadamente entre 1499 e 1503, foram inicialmente considerados como estudos preparatórios para uma Ressurreição de Cristo, encomendada a Perugino pela igreja de San Francesco al Prato, em Perugia (atualmente conservada nos Museus Vaticanos), para a qual Rafael teria colaborado extensamente.</p>
<p>Com base na posterior vinculação da Ressurreição Kinnaird aos desenhos preparatórios de Oxford, a atribuição da obra a Rafael foi proposta por Pietro Maria Bardi em 1954, sendo posteriormente confirmada pela quase totalidade dos especialistas.</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Descrição</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;"><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-detalhe-dos-soldados1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-detalhe-dos-soldados"><img class="aligncenter size-medium wp-image-902" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-detalhe-dos-soldados" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-detalhe-dos-soldados1-217x300.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-detalhe-dos-soldados" width="217" height="300" /></a></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar</span></span><strong><br />
</strong><strong><span style="color: #008080;">Detalhe dos soldados da Ressurreição Kinnaird.</span></strong></p>
<p>Na Ressurreição Kinnaird, Cristo ergue-se sobre um pomposo sarcófago, adornado com golfinhos dourados. Os guardiões, imersos em uma singular mistura de cores fortes e luminosas, contorcem-se de espanto ao presenciar o fenômeno sagrado, em marcante contraste à presença calma e linear do messias ao centro da composição.</p>
<p>Rafael utiliza-se do desenho e da simetria para forjar um ambiente complexo e amplamente detalhado, ao mesmo tempo em que se esforça para garantir que todos os pormenores da composição conduzam o olhar do espectador à virtuosa figura do Cristo.</p>
<p>O equilíbrio da obra é obtido através da geometrização ideal da composição: o retângulo central da tumba expande-se em um outro, que circunscreve os quatro soldados. A animação rítmica da imagem é obtida a partir do gesto de alçar o braço &#8211; desencadeado no guardião sentado, à esquerda, até a figura do Cristo -, como se a orquestração compositiva correspondesse a um único movimento.</p>
<p>A pequena escala da obra é contrabalanceada pelo acorde interno das personagens, dispostos em uma peculiar configuração espacial que parece dilatar a composição.</p>
<p>Esta singular habilidade no manejo estrutural da composição torna-se evidente também na análise individual das figuras que compõem a cena. O guardião da direita, em pé, retomado de um dos desenhos preparatórios conservados no museu de Oxford, descreve um gracioso rodopio ascendente.</p>
<p>Esse efeito espacial é obtido por meio do deslocamento da perna do personagem para trás, movimento que encontra ressonância no alçar do braço oposto e na rotação da cabeça, que fixa seu olhar no messias. É sobretudo nesse intricado jogo estrutural que se percebe claramente a mão de Rafael, como observa J. Barone:</p>
<p>&#8220;Trata-se de uma qualidade essencialmente coreográfica já evidente no &#8220;assassino&#8221; da predella Raleigh (O Milagre de São Jerônimo que Salva Silvano e Pune Sabiniano, North Carolina Museum of Art), posteriormente desenvolvida no São Miguel Arcanjo (Louvre, Paris) e maximizada na figura de &#8220;Heliodoro&#8221; (Expulsão de Heliodoro do Templo, Stanza di Eliodoro, Vaticano).</p>
<p>A preocupação com o ponto de equilíbrio figura-espaço circundante, traduzida em uma leve e graciosa estrutura estelar, é uma qualidade tipicamente rafaelesca, alheia ao universo úmbrio, como alheia a esse universo é também a pronunciada perspectiva da tumba e, enfim, a orquestração espacial da obra.&#8221;<br />
<span style="color: #008080;">Por: Juliana Barone</span></p>
<p><strong><span style="color: #008080;">Aspectos formais e estilísticos</span></strong></p>
<p>A vinculação da Ressurreição Kinnaird aos desenhos conservados no Ashmolean Museum fomentou o debate sobre a possibilidade de participação de Rafael nas obras de Pietro Perugino, evidenciando ainda a proximidade estilística entre a obra de Rafael e a Ressurreição do Vaticano, entre outras obras de matriz perugiana, como a predella do políptico da Ascensão de Cristo do Museu de Rouen, e uma terceira Ressurreição, conservada em uma coleção particular de Londres.</p>
<p>Apesar de estar indubitavelmente ligada a este grupo de obras, a Ressurreição Kinnaird apresenta uma série de características singulares em relação a estas, tanto na construção individual dos personagens, quanto na construção compositiva da cena, evidenciando um afastamento da estética de Perugino.</p>
<p>Estudos recentes apontam que a obra evidencia um certo conhecimento por parte de Rafael do ambiente artístico florentino[6], observável sobretudo nas afinidades entre o Cristo da Ressurreição Kinnaird e o de Luca della Robbia no Duomo de Florença (inspirado, por sua vez, no Cristo da Ressurreição Careggi, atribuído ao ateliê de Verrocchio, atualmente no Museu do Bargello).</p>
<p>Da mesma forma, os anjos da obra do MASP parecem possuir uma certa semelhança com dois modelos em terracota de Verrocchio, conservados no <strong><span style="color: #808080;">Museu do Louvre</span></strong>, e com os anjos em vôo presentes no retábulo da sala degli Otto, de autoria de Filippino Lippi (Galleria degli Uffizi, Florença).</p>
<p>&#8220;Mais uma vez, uma referência basilar sobre a poética rafaelesca encontra-se em Vasari (1568), para quem Rafael é capaz de unificar diversas tradições coexistentes, ao &#8216;captar, mediante um modo intermediário de fazer tanto o desenho quanto o colorido, aquilo que lhe convém, segundo sua necessidade e capricho. Misturando com esse modo alguns outros, que advêm das mais altas realizações de outros mestres, fez de muitas maneiras somente uma, a qual foi sempre tida como propriamente sua.&#8221;</p>
<p>A hipótese ganha força ao analisar as considerações de Dal Pogetto, segundo quem, por volta de 1500, o universo pictórico de Rafael já era, &#8220;rico de experiências muito mais vastas e complexas que os exemplos estreitamente peruginescos, aos quais alguns gostariam de restringir sua formação&#8221;, acrescentando que &#8220;faz-se necessário pressupor o conhecimento, por parte de Rafael, de uma alternativa, ou seja, de uma arte tendente ao movimento, como a florentina.&#8221;</p>
<p>A Ressurreição Kinnaird parece ser uma das primeiras obras onde é possível observar este vínculo. Sem embargo, J. Barone assinala que a assimilação de elementos da arte florentina parece coexistir com influência de Perugino e do ambiente artístico de Perugia, notável no tratamento decorativo da composição.</p>
<p>As cores fortes e brilhantes, os rebuscados ornamentos que cobrem a tampa do sarcófago e as armaduras dos soldados, bem como a granulação luminosa das árvores, recordam sobretudo a poética de Pinturicchio, possível colaborador de Perugino.</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Atribuição</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><span style="color: #808080; font-size: x-small;"><span><img class="aligncenter size-full wp-image-903" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-estudo-para-soldados[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-estudo-para-soldados1.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-estudo-para-soldados[1]" width="405" height="600" /></span></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">Estudo de Dois Soldados para a Ressurreição de Cristo. Ashmolean Museum, Oxford</span></p>
<p>A mais antiga referência conhecida vinculando a Ressurreição Kinnaird a Rafael partiu de Wilhelm von Bode, em 1880. O historiador alemão escreveu uma carta a Giovanni Cavalcaselle, informando-lhe sobre a existência da obra em pauta. Sem conhecer a pintura, Cavalcaselle, no entanto, prefere não tomar partido quanto à sua atribuição. Em 1921, Gnoli sugeriu o nome de Mariano di Ser Eusterio como possível autor do painel, mas retira a atribuição dois anos depois.</p>
<p>Um argumento esclarecedor ao debate foi apresentado por Regteren van Altena, em 1927, ao relacionar os dois desenhos atribuídos a Rafael no Ashmolean Museum à Ressurreição Kinnaird, contrariando a tradicional vinculação dos esboços à Ressurreição de Perugino, no Vaticano.</p>
<p>As opiniões se dividem: parte dos estudiosos (Dussler, Beccherucci) acreditam que os desenhos teriam servido de estudos preliminares para as duas Ressurreições (MASP e Vaticano), e outra parte associa os desenhos exclusivamente à Ressurreição de São Paulo (Longhi, Parker, De Vecchi, entre outros).</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><img class="aligncenter size-full wp-image-904" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-estudo-para-anjo[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-estudo-para-anjo1.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-ressurreicao-estudo-para-anjo[1]" width="437" height="599" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">Estudos de Soldado da Ressurreição de Cristo e de um Anjo. Ashmolean Museum, Oxford</span></p>
<p>&#8220;Em 1954, logo após a aquisição da Ressurreição Kinnaird pelo MASP e às vésperas da exposição de peças da coleção do museu na Tate Gallery, em Londres, Pietro Maria Bardi assumiu a responsabilidade de incorporar o painel ao corpus das obras de Rafael. A atribuição foi imediatamente aceita por Longhi e Ragghianti, e confirmada por Suida.</p>
<p>No ano seguinte, Longhi reitera a atribuição e, entre outras considerações, associa a obra do MASP ao retábulo de San Nicola da Tolentino, com base nas semelhanças entre as figuras da Madalena do painel do MASP e da Virgem do referido retábulo.</p>
<p>Posteriormente, a atribuição a Rafael foi confirmada pela quase totalidade da crítica especializada (Parker, Dussler, Forlaani Tempesti, De Vecchi, Camesasca, Ferino-Pagden, entre outros).</p>
<p>Em 1992, Anna Forlani Tempesti anunciou a descoberta de um desenho com estudos de uma figura de Cristo, assinado por Rafael e conservado na Biblioteca Oliveriana, em Pesaro, Itália. Com base nas similaridades das composições, Forlani Tempesti vinculou os estudos de Rafael ao Cristo da Ressurreição Kinnaird.</p>
<p>Em 2003, a historiadora Carol Plazzotta, responsável pela retrospectiva das obras da juventude de Rafael, sediada na National Gallery de Londres entre outubro de 2004 e janeiro de 2005, viajou a São Paulo para examinar o painel do MASP, apresentado na mostra.</p>
<p>&#8220;Essa bela pintura, aqui aceita como um trabalho de Rafael, ainda está por ganhar aceitação universal na literatura acadêmica, em especial porque raramente foi vista, tendo permanecido em locais remotos por quase toda a sua história. A recente descoberta de estudos assinados é uma prova conclusiva da autoria do jovem artista.&#8221;<br />
<em><span style="color: #008080;">Por: Carol Plazzotta</span></em></p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Proveniência</strong></span><br />
Uma das inscrições que se encontram no verso da Ressurreição traz o nome de &#8220;Gioacchino Mignanelli&#8221;, membro de uma importante família sienense e, possivelmente, o primeiro proprietário da obra. A Ressurreição de Cristo integrou a coleção particular de Lorde Kinnaird, em Rossie Priory (Pertshire), na Inglaterra, de quem adveio seu título alternativo.</p>
<p>Em seguida, passou à coleção Thomas Harris, em Londres. Leiloada pela Christie&#8217;s de Nova Iorque em 1946, foi comprada por um colecionador norte-americano. Em 1954, a obra foi adquirida pelo Museu de Arte de São Paulo junto a Knoedler Gallery, com recursos providos por diversos doadores (Walther Moreira Salles, Gastão Vidigal Filho, Francisco Matarazzo Sobrinho, Diários e Emissoras Associados, entre outros.</p>
<p><strong><span style="color: #008080;">Exposições</span></strong><br />
A pintura integrou a tournée de obras do MASP que foram expostas em diversos museus europeus e norte-americanos entre 1954 e 1957, merecendo destaque as mostras européias na Tate Gallery de Londres, no Musée de l&#8217;Orangerie, em Paris, no Kunsthalle Museum de Düsseldorf e no Palazzo Reale de Milão, além das exposições no Metropolitan Museum of Art de Nova York e no Toledo Museum of Art, em Ohio.</p>
<p>Em 1987, participou de um ciclo de exposições em museus de Milão, Martigny e Berlim. Entre outubro de 2004 e janeiro de 2005, a obra figurou na retrospectiva Raphael: From Urbino to Rome, realizada pela National Gallery de Londres.<br />
O primeiro trabalho registrado de Rafael foi um altar para a Igreja de San Nicola da Tolentino na cidade de Castello, entre Perúgia e Urbino. A peça foi encomendada em 1500 e terminada um ano depois.</p>
<p>Foi muito danificada por um terremoto em 1789, restando atualmente somente alguns fragmentos na Pinacoteca Tosio Martenigo, na Brescia.</p>
<p>Outra peça importante de seus primeiros anos foi o altar de Oddi para a capela de mesmo nome na igreja de São Francisco de Perúsia. Rafael, provavelmente como membro da oficina de Pietro Perugino, trabalhou também nos afrescos do Collegio del Cambio.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;"><span style="font-size: small;"><span><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-o-casamento-da-virgem-150411.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-o-casamento-da-virgem-15041[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-905" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-o-casamento-da-virgem-15041[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-o-casamento-da-virgem-150411-204x300.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-o-casamento-da-virgem-15041[1]" width="204" height="300" /></a></span></span></span></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar</span></span><br />
O Casamento da Virgem, de 1504, foi sua principal obra desse período, ainda influenciado pelo estilo de Perugino.</span></p>
<p>Logo depois Rafael concluiu três pequenos quadros: Visão de um Cavaleiro, As Três Graças e São Miguel. Neles já se expunha o seu estilo amadurecido e o frescor que lhe acompanharia a vida toda.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;"><span style="font-size: small;"><span><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-visao-de-um-cavaleiro-c1504-natinonal-gallery-londres1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-visao-de-um-cavaleiro-c1504-natinonal-gallery-londres[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-906" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-visao-de-um-cavaleiro-c1504-natinonal-gallery-londres[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-visao-de-um-cavaleiro-c1504-natinonal-gallery-londres1-300x297.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-visao-de-um-cavaleiro-c1504-natinonal-gallery-londres[1]" width="300" height="297" /></a></span></span></span></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar</span></span><br />
Visão de um cavaleiro &#8211; c.1504 &#8211; National Gallery, Londres<br />
</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;"><span style="font-size: small;"><span><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-as-tres-gracas1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-as-tres-gracas[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-907" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-as-tres-gracas[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-as-tres-gracas1-289x300.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-as-tres-gracas[1]" width="289" height="300" /></a></span></span></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar</span></span><br />
<span style="color: #008080;">As Três Graças c. 1503/4 &#8211; Museu Condé, Chantilly</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;"><span style="font-size: small;"><span><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-sao-miguel1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-sao-miguel[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-908" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-sao-miguel[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-sao-miguel1-256x300.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-sao-miguel[1]" width="256" height="300" /></a></span></span></span></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar</span></span><br />
São Miguel </span><span style="color: #008080;">c. 1503/4 &#8211; Museu Condé, Chantilly</span></p>
<p>Ainda em 1504, Rafael se mudou para Siena com o pintor Pinturicchio, a quem ele tinha fornecido desenhos para os afrescos da Libreria Picolomini. De lá foi para Florença atraído pelos trabalhos que estavam sendo realizados, no Palazzo della Signoria, por Leonardo da Vinci e Michelangelo.</p>
<p>Viveu na cidade nos quatro anos seguintes, viajando a outras cidades ocasionalmente. Em 1507 uma nobre de Perugia lhe encomendou uma notável Deposição de Cristo, hoje exposta na <strong><span style="color: #888888;">Galleria Borghese</span></strong>, em Roma.</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><img class="aligncenter size-full wp-image-909" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-deposicao-de-cristo-galleria-borghese-roma[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-deposicao-de-cristo-galleria-borghese-roma1.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-deposicao-de-cristo-galleria-borghese-roma[1]" width="339" height="349" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">A Deposição de Cristo &#8211; Galleria Borghese &#8211; Roma</span></p>
<p>Em Florença, Rafael tornou-se amigo de vários pintores locais, destacando-se Fra Bartolomeo, um proponente do Idealismo Renascentista. A influência de <strong><span style="color: #888888;">Fra Bartolomeo</span></strong> o levou a abandonar o estilo suave e gracioso de Perugino e abraçar a grandiosidade e formas mais poderosas.</p>
<p>Entretanto, a maior influência sobre a obra de Rafael durante seu período florentino veio de Leonardo da Vinci e suas composições, figuras e gestuais, bem como suas técnicas inovadoras como o <strong><span style="color: #888888;">chiaroscuro e o sfumato</span></strong>.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-910" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-auto-retrato-na-escola-de-atenas[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-auto-retrato-na-escola-de-atenas1.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-auto-retrato-na-escola-de-atenas[1]" width="200" height="255" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">Rafael desenhou a si mesmo no quadro Escola de Atenas<br />
</span><span style="color: #008080;">Afresco &#8211; Detalhe &#8211; Auto Retrato de Rafael &#8211; 1509</span><br />
<span style="color: #008080;"><br />
</span></p>
<p>Na &#8220;Stanza della Segnatura&#8221; (Sala da Assinatura), sala utilizada como biblioteca e onde Júlio II assinava os decretos da corte eclesiástica, foram pintados frescos que representavam as quatro disciplinas fundamentais da cultura, isto é, a Teologia, a Filosofia, a Poesia e a Jurisprudência. Um dos episódios retratados nesta sala, que representa a ciência secular da Filosofia, e que foi alvo da nossa atenção, é a famosa &#8220;A Escola de Atenas&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><object style="width: 520px; height: 410px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="520" height="410" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/F8X8_-nExME" /><embed style="width: 520px; height: 410px;" type="application/x-shockwave-flash" width="520" height="410" src="http://www.youtube.com/v/F8X8_-nExME"></embed></object></p>
<p>Na cidade de Atenas, no ano 387 a.C., o filósofo e matemático grego <strong><span style="color: #888888;">Platão</span></strong> fundou uma academia de estudos científicos e filosóficos.</p>
<p>Essa academia tornou-se um dos mais importantes centros de pesquisa e ensino da Matemática e Filosofia da Antiguidade Clássica, tendo funcionado durante 900 anos, até ao seu encerramento definitivo pelos cristãos. No entanto, a Academia permaneceu sempre como um dos maiores símbolos da busca racional da verdade e, em especial, como um símbolo para os estudos matemáticos teóricos.</p>
<p>O fresco &#8220;A Escola de Atenas&#8221; é uma alegoria que representa a continuidade histórica do pensamento da Academia de Platão através de várias personalidades do mundo matemático e filosófico grego.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #888888;"><span style="font-size: small;"><span><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-escola-de-atenas-detalhe1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-escola-de-atenas-detalhe[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-911" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-escola-de-atenas-detalhe[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-escola-de-atenas-detalhe1-202x300.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-escola-de-atenas-detalhe[1]" width="202" height="300" /></a></span></span></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #888888;">Clique na imagem para ampliar</span></span><br />
<span style="color: #008080;">A Escola de Atenas &#8211; Afresco &#8211; Detalhe &#8211; 1509<br />
Pitágoras cercado por Empédocles (?),<br />
Averroes, Hipatia e Parmênides</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #888888;"><span style="font-size: small;"><span><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-escola-de-atenas-detalhe-aristoteles-e-platao-vaticano1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-escola-de-atenas-detalhe-aristoteles-e-platao-vaticano[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-912" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-escola-de-atenas-detalhe-aristoteles-e-platao-vaticano[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-escola-de-atenas-detalhe-aristoteles-e-platao-vaticano1-229x300.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-escola-de-atenas-detalhe-aristoteles-e-platao-vaticano[1]" width="229" height="300" /></a></span></span></span></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #888888;">Clique na imagem para ampliar<br />
</span></span>A Escola de Atenas &#8211; Afresco &#8211; Detalhe &#8211; 1509<br />
Aristóteles e Platão<br />
Vaticano, Stanza della Segnatura</span></p>
<p style="text-align: left;">Nesta pintura, Rafael representou os maiores pensadores de todos os tempos, especialmente os da Grécia Antiga onde alguns deles estão personificados em homens famosos do renascimento. Platão é parecido com Leonardo da Vinci, Euclides com Bramante e Miguel Ângelo tem o aspecto de <strong><span style="color: #888888;">Heráclito</span></strong>. Talvez fosse uma maneira de Rafael ligar o passado ao presente e de prestar homenagem aos seus grandes contemporâneos.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><img class="aligncenter size-full wp-image-913" title="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-escola-de-atenas-bramante-e-euclides[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-escola-de-atenas-bramante-e-euclides1.jpg" alt="arte-pintura-italia-rafael-sanzio-a-escola-de-atenas-bramante-e-euclides[1]" width="298" height="224" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">A Escola de Atenas &#8211; Afresco &#8211; Detalhe &#8211; 1509<br />
Bramante e Euclides<br />
Vaticano, Stanza della Segnatura</span></p>
<p style="text-align: left;">Platão era um seguidor da doutrina da escola Pitagórica e, como tal, os estudos na sua escola davam grande ênfase aos números, principalmente no que diz respeito a questões de razões e harmonias. Sabendo isso, Rafael, no grupo dos geómetras, colocou Pitágoras à esquerda, como representante da Teoria da Harmonia, e Euclides à direita, representando a perfeição lógica da Geometria.</p>
<p style="text-align: left;">Na A Escola de Atenas Rafael deu grande ênfase à matemática, em particular, ao número, à razão e à harmonia.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">A Escola de Atenas &#8211; Afresco &#8211; 1509<br />
Vaticano, Stanza della Segnatura</span></p>
<p>No centro da figura temos os dois grandes filósofos do mundo clássico: Platão e Aristóteles. Platão, representando a filosofia abstrata e teórica, segura uma cópia do seu livro Timaeus e aponta para o alto, para o mundo das formas ideais (ou matemáticas). Aristóteles, discípulo divergente de Platão, segura uma cópia do seu livro Ética, gesticula em direção ao que o rodeia a indicar a sua preocupação com o mundo concreto e material representando a filosofia natural e empírica.<br />
Provavelmente a intenção de Rafael era mostrar os diferentes caminhos do conhecimento.</p>
<p>Na segunda metade de 1508, o Papa Júlio II, encorajado por Donato Bramante, amigo de Rafael e arquiteto do Vaticano, contratou os serviços do pintor. Aos 25 anos, Rafael ainda estava forjando seu estilo. Contudo logo conquistou a fama e os favores do papa. Ele começou a ser chamado de o Príncipe dos Pintores. Nos 12 anos seguintes, Rafael nunca deixou Roma que passou a ser sua segunda nação.</p>
<p>Trabalhou principalmente para Júlio II e seu sucessor, Leão X (filho de Lorenzo de Medici). Ao final do ano de 1508, ele começou a decoração dos apartamentos de Júlio no Vaticano, os quais, na visão do papa, eram destinados a glorificar a o poder da Igreja Romana através da justificação do Humanismo e do Neoplatonismo. Uma série de obras-primas, como a Disputa (ou Discussão do Santíssimo Sacramento) e a Escola de Atenas, pintados na Stanza della Segnatura, o tornou o artista mais procurado da cidade.</p>
<p>Rafael continuou o trabalho nos quartos até 1513, sob o governo de Leão X, mas deixou as últimas seções quase que inteiramente sob cuidado de seus pupilos. Nesse meio tempo, ele realizou outras tarefas como decorações sacras e seculares para vários prédios, retratos, altares, desenhos para tapeçarias, design para pratos e até trabalhos cenográficos.</p>
<p>Alguns de seus trabalhos mais famosos desse período nasceram da amizade com que mantinha com um rico banqueiro de Siena, Agostino Chigi, que lhe encomendou o belíssimo afresco de Galatéia para sua Villa Farnesina e as Sibilas na igreja de Santa Maria della Pace, junto com o projeto e a decoração da Capela de Chigi na igreja de Santa Maria del Popolo, em 1513.<br />
Retrato de Maddalena Doni, c. 1506 (Galleria Palatina, Florença)Após a morte do pai, em 1494, Rafael foi para Perugia, onde aprendeu com Pietro Perugino a técnica do afresco ou pintura mural.</p>
<p>Em sua primeira obra de realce, &#8220;O casamento da Virgem&#8221; (1504), a influência de Perugino evidencia-se na perspectiva e na relação proporcional entre as figuras, de um doce lirismo, e a arquitetura. A disposição das figuras é, no entanto, mais informal e animada que a do mestre.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">A Bela Jardineira ou A Virgem com o Menino e com o pequeno São João Batista<br />
Acervo Museu do Louvre, Paris</span></p>
<p style="text-align: left;">&#8220;A Virgem com o Menino e com o pequeno São João Batista&#8221;, conhecida como &#8220;A Bela Jardineira&#8221;, óleo sobre madeira, é uma das três telas que o grande pintor renascentista dedicou à Madona e a seu Filho pequenino brincando com o primo João Batista. As outras duas são &#8220;A Virgem do Belvedere&#8221; (que está em Viena) e &#8220;A Virgem do Pintassilgo&#8221; (em Florença).</p>
<p style="text-align: left;">Leonardo teve grande influência sobre Rafael; fez uso moderado do &#8220;chiaroscuro&#8221; do mestre, mas foi muito influenciado pelo &#8220;sfumato&#8221; (uso de sombreamento delicado e suave, em vez de traços e formas muito delineados). Suas figuras são sempre suaves, com feições amáveis, parecem pessoas comuns, mas sempre demonstrando a perfeição e a elevação de seu caráter sublime.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #008080;">Pesquisador</span></strong><br />
Competente pesquisador interessado na antiguidade clássica, Rafael foi designado, em 1515, para supervisionar a preservação de preciosas inscrições latinas em mármore.</p>
<p style="text-align: left;">Dois anos depois,foi nomeado encarregado geral de todas as antiguidades romanas, para o que executou um mapa arqueológico da cidade. Sua última obra, a &#8220;Transfiguração&#8221;, encomendada em 1517, desvia-se da serenidade típica de seu estilo para prefigurar coordenadas do novo mundo turbulento — o da expressão barroca.</p>
<p style="text-align: left;">Em conseqüência da profundidade filosófica de muitos de seus trabalhos, a reputação de humanista e pensador neoplatônico de Rafael implantou-se em Roma. Entre seus amigos havia respeitados homens, como Castiglione e Pietro Aretino, além de muitos artistas. Em 1519 ele projetou os cenários para a comédia I suppositi, de Ludovico Ariosto. Coberto de honrarias, Rafael morreu em Roma em 6 de abril de 1520&#8230;</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #008080;">Arquitetura</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #808080;"><span style="font-size: x-small;"><strong><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arquitetura-fotos-italia-basilica-de-sao-pedro-00-roma1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arquitetura-fotos-italia-basilica-de-sao-pedro-00-roma[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-914" title="arquitetura-fotos-italia-basilica-de-sao-pedro-00-roma[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arquitetura-fotos-italia-basilica-de-sao-pedro-00-roma1-300x225.jpg" alt="arquitetura-fotos-italia-basilica-de-sao-pedro-00-roma[1]" width="300" height="225" /></a></strong></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #808080;"><span style="font-size: x-small;">Clique na imagem para ampliar</span></span><strong><span style="color: #008080;"><br />
Basílica de São Pedro</span></strong></p>
<p style="text-align: left;">O primeiro trabalho arquitetônico conquistado por Rafael foi a posição de arquiteto da nova Basílica de São Pedro, cuja construção começou em 1506.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><span style="color: #000000;"><img class="aligncenter size-full wp-image-916" title="arquitetura-fotos-italia-basilica-de-sao-pedro-02-roma[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arquitetura-fotos-italia-basilica-de-sao-pedro-02-roma1.jpg" alt="arquitetura-fotos-italia-basilica-de-sao-pedro-02-roma[1]" width="302" height="432" /></span><strong> </strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><strong>Basílica de São Pedro &#8211; Cúpula &#8211; Duomo</strong></span></p>
<p style="text-align: left;">A posição havia sido vagada pela morte de Bramante em 1514. Rafael mudou a planta de um desenho de inspiração grega para um design longitudinal. Contudo este projeto foi modificado novamente após sua morte. Dois anos depois ele projetou as linhas da importante Villa Madama em Roma.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #008080;"><span style="font-weight: normal;"><img class="aligncenter size-full wp-image-917" title="arquitetura-fotos-italia-basilica-de-sao-pedro-01-roma[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arquitetura-fotos-italia-basilica-de-sao-pedro-01-roma1.jpg" alt="arquitetura-fotos-italia-basilica-de-sao-pedro-01-roma[1]" width="321" height="302" /></span></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #008080;">Basílica de São Pedro &#8211; Duomo &#8211; Cúpula &#8211; Detalhe</span></strong><br />
<span style="color: #008080;">O traço vermelho mostra visitantes no topo da cúpula.<br />
Observe a proporção do tamanho das pessoas em relação ao tamanho da igreja </span></p>
<p style="text-align: left;">Em 1515 ele foi nomeado uma espécie de supervisor paras as pesquisas arqueológicas romanas, desenhando um mapa arqueológico da cidade.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #008080;"><strong>Política</strong></span><br />
O prestígio de Rafael até mesmo deu a sua obra um papel na criação e fortalecimento de alianças políticas, como no caso de trabalhos hoje em dia expostos no Louvre, que foram enviados a corte francesa, e o retrato de Lorenzo de Medici para o partido florentino.</p>
<p style="text-align: left;">Em seus últimos anos (1518-1520) a intervenção do estúdio em seus trabalhos tornou-se mais significativa, como pode se ver em obras como Spasimo de Sicilia, para uma igreja de Palermo, e a Visitação, hoje abrigada pelo Museu do Prado em Madrid.</p>
<p style="text-align: left;">Também a decoração do Quarto de Constantino no Vaticano foi executada inteiramente por seus pupilos, baseado em desenhos do mestre. Seus últimos trabalhos autorais foram um retrato duplo do Louvre, o pequeno mas monumental A Visão de Ezequiel e a Transfiguração.</p>
<p style="text-align: left;">Rafael morreu em Roma no seu aniversário de 37 anos, (alegadamente apenas a algumas semanas depois de Leão X apontá-lo como cardeal),acometido por uma febre após um encontro à meia-noite, e foi profundamente lamentado por todos aqueles que reconheciam sua grandeza.</p>
<p style="text-align: left;">Seu corpo repousou por um certo tempo em uma das salas na qual ele havia demonstrado sua genialidade e foi honrado com um funeral público. A Transfiguração precedeu seu corpo durante a procissão fúnebre.</p>
<p style="text-align: left;">A incansável mão da morte (nas palavras de seu biógrafo) pôs um limite em suas conquistas e privou o mundo de um benefício maior de seus talentos, na idade em que a maioria dos outros homens começa a ser útil.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #888888;"><strong><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arquitetura-fotos-italia-pantheon1.jpg" class="lightview" rel="gallery[891]" title="arquitetura-fotos-italia-pantheon[1]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-915" title="arquitetura-fotos-italia-pantheon[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/07/arquitetura-fotos-italia-pantheon1-300x202.jpg" alt="arquitetura-fotos-italia-pantheon[1]" width="300" height="202" /></a></strong></span></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #888888;">Clique na imagem para ampliar</span></span><strong><br />
Pantheon &#8211; Roma, Itália</strong></span></p>
<p>Rafael foi enterrado no Pantheon, o mais honorável mausoléu na Itália. Em sua tumba foi colocada uma frase de Pietro Bembo em latim que diz: &#8220;Aqui jaz Rafael, que fez temer à Natureza por si fosse derrotada, em sua vida, e, uma vez morto, que morresse consigo&#8221;.</p>
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		<title>José Alencar Gomes da Silva &#8211; Político e Empresário</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jan 2009 15:38:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
José Alencar Gomes da Silva
* Muriaé, MG, 17 de Outubro de 1931 d.C
Vice Presidente da República &#8211; Tomou posse em 1 de Janeiro de 2003 d.C
Empresário &#8211; Foi senador pelo estado de Minas Gerais
Sendo um dos maiores empresários do estado de Minas Gerais, construiu um império no ramo têxtil, sendo a Coteminas sua principal empresa. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><strong><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/01/personalidades-governantes-brasil-jose-de-alencar-vice-presidente-01.jpg" class="lightview" rel="gallery[542]" title="Fotografia de José de Alencar Gomes da Silva, Vice Presidente do Brasil e empresário"><img class="size-medium wp-image-543 aligncenter" title="Fotografia de José de Alencar Gomes da Silva, Vice Presidente do Brasil e empresário" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/01/personalidades-governantes-brasil-jose-de-alencar-vice-presidente-01-300x201.jpg" alt="Fotografia de José de Alencar Gomes da Silva, Vice Presidente do Brasil e empresário" width="300" height="201" /></a></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><strong>José Alencar Gomes da Silva</strong><br />
* Muriaé, MG, 17 de Outubro de 1931 d.C<br />
Vice Presidente da República &#8211; Tomou posse em 1 de Janeiro de 2003 d.C<br />
Empresário &#8211; Foi senador pelo estado de Minas Gerais</span></p>
<blockquote><p>Sendo um dos maiores empresários do estado de Minas Gerais, construiu um império no ramo têxtil, sendo a <span style="color: #888888;"><strong>Coteminas</strong></span> sua principal empresa. Elegeu-se vice-presidente da República do Brasil na chapa do candidato do PT, <strong><span style="color: #808080;">Luiz Inácio Lula da Silva</span></strong>, em 2003, conseguindo a reeleição em 2006, assegurando, portanto, a permanência no cargo até o final de 2010.</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><img class="aligncenter size-full wp-image-544" title="Fotografia do Vice Presidente da República do Brasil, empresário José de Alencar, desfilando em Brasília no dia da posse ao lado do Presidente Lula" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/01/personalidades-governantes-brasil-jose-de-alencar-vice-presidente-campanha-com-lula01.jpg" alt="Fotografia do Vice Presidente da República do Brasil, empresário José de Alencar, desfilando em Brasília no dia da posse ao lado do Presidente Lula" width="450" height="295" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar</span><br />
Desfilando em Brasília com o Presidente Lula no dia da posse</span></p>
<p>Foi, ao início, um vice-presidente polêmico, tendo sido uma voz discordante dentro do governo contra a política econômica defendida pelo ex-ministro da Fazenda <strong><span style="color: #808080;">Antonio Palocci</span></strong>, que mantém os juros altos na tentativa de conter a inflação e manter a economia sob controle.</p>
<p>Já a partir de 2004, passou a acumular a vice-presidência com o cargo de ministro da Defesa. Por diversas oportunidades, demonstrou-se reticente quanto à sua permanência em um cargo tão distinto de seus conhecimentos empresariais, mas a pedidos do presidente Lula, exerceu a função até março de 2006. Nesta ocasião, renunciou para cumprir as determinações legais com o intuito de poder participar das eleições de 2006.</p>
<p>Na vida política, foi presidente da <strong><span style="color: #808080;">Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais</span></strong>, presidente da <strong><span style="color: #808080;">FIEMG (SESI, SENAI, IEL, CASFAM)</span></strong> e vice-presidente da <strong><span style="color: #808080;">Confederação Nacional da Indústria</span></strong>.</p>
<p>Candidatou-se às eleições para o governo de Minas Gerais em 1994 e, em 1998, disputou uma vaga no Senado Federal, elegendo-se com quase três milhões de votos. No Senado, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infra-Estrutura &#8211; CI, membro da <strong><span style="color: #808080;">Comissão Permanente de Assuntos Econômicos</span></strong> e membro da Comissão Permanente de Assuntos Sociais.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #008080;">Coteminas</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><img class="aligncenter size-full wp-image-545" title="Vista do setor de tecelagem da Coteminas, empresa do Vice Presidente da República José Alencar Gomes da Silva" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/01/personalidades-governantes-brasil-jose-de-alencar-vice-presidente-coteminas-01.jpg" alt="Vista do setor de tecelagem da Coteminas, empresa do Vice Presidente da República José Alencar Gomes da Silva" width="300" height="237" /></span><span style="color: #008080;"> </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">Vista do setor de tecelagem da Coteminas</span></p>
<p style="text-align: left;">O grupo da área têxtil cresceu como nenhuma outra companhia brasileira do setor. José Alencar Gomes da Silva fundou o negócio em 1950 a partir de uma lojinha de tecidos, e o DNA da família está presente no grupo até hoje. <strong><span style="color: #808080;">Josué Gomes da Silva</span></strong>, o filho de José Alencar, comanda a empresa, mas a política é clara. Não há privilégios. A direção é composta por vários profissionais do mercado e o que mais pesa é o talento individual.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><img class="aligncenter size-full wp-image-546" title="Fotografia do Vice Presidente da República do Brasil, José de Alencar Gomes da Silva e de seu filho Josué Gomes da Silva" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/01/personalidades-governantes-brasil-jose-de-alencar-vice-presidente-e-o-filho-herdeiro-atual-presidente-da-coteminas.jpg" alt="Fotografia do Vice Presidente da República do Brasil, José de Alencar Gomes da Silva e de seu filho Josué Gomes da Silva" width="230" height="291" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">José de Alencar e o filho Josué Gomes da Silva</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><br />
</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><span style="color: #808080;"><img class="aligncenter size-full wp-image-547" title="Foto da Diretoria da Coteminas, empresa do Fotografia do Vice Presidente da República do Brasil, José de Alencar Gomes da Silva" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2009/01/personalidades-governantes-brasil-jose-de-alencar-vice-presidente-diretoria-coteminas.jpg" alt="Foto da Diretoria da Coteminas, empresa do Fotografia do Vice Presidente da República do Brasil, José de Alencar Gomes da Silva" width="460" height="255" /></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar</span><br />
Diretoria da Coteminas<br />
Presidida pelo vice-presidente da República José Alencar</span></p>
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		<title>Tom Jobim &#8211; Compositor</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Oct 2008 18:14:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[  
Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim
* Rio de Janeiro, RJ &#8211; 25 de Janeiro de 1927 d.C
+ Nova Iorque, USA &#8211; 08 de Dezembro de 1994 d.C
Compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro.
É considerado um dos maiores expoentes da música brasileira e um dos criadores do movimento da Bossa Nova. Tom Jobim [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-881" title="personalidades-compositores-brasil-tom-jobim" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/10/personalidades-compositores-brasil-tom-jobim1-273x300.jpg" alt="personalidades-compositores-brasil-tom-jobim" width="273" height="300" /> <span style="color: #008080;"><strong> </strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><strong>Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim<br />
*</strong> Rio de Janeiro, RJ &#8211; 25 de Janeiro de 1927 d.C<strong><br />
+</strong> Nova Iorque, USA &#8211; 08 de Dezembro de 1994 d.C</span></p>
<blockquote><p>Compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro.</p></blockquote>
<p>É considerado um dos maiores expoentes da música brasileira e um dos criadores do movimento da Bossa Nova. Tom Jobim é um dos nomes que melhor representa a música brasileira na segunda metade do século XX e é praticamente uma unanimidade entre críticos e público em termos de qualidade e sofisticação musical.</p>
<p>Nasceu no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, mudando-se logo com a família para Ipanema. A ausência do pai durante a infância e adolescência lhe impôs um contido ressentimento, desenvolvendo no maestro uma profunda relação com a tristeza e o romantismo melódico, transferido peculiarmente para as construções harmônicas e melódicas. Aprendeu a tocar violão e piano tendo aulas, entre outros, com o professor alemão Hans-Joachim Koellreutter, introdutor da técnica dodecafônica no Brasil.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-883" title="tom-jobim-01" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/10/tom-jobim-011.jpg" alt="tom-jobim-01" width="400" height="400" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p>No dia 15 de outubro de 1949, Antônio Carlos Jobim casou-se com Thereza Otero Hermanny, com quem teve dois filhos, Paulo (n. 1950) e Elizabeth (1957).</p>
<p>Em 30 de abril de 1986, ele casou-se com a fotógrafa e vocalista da extinta Banda Nova Ana Beatriz Lontra, que tinha a mesma idade de sua filha Elizabeth. Tom e sua segunda esposa tiveram dois filhos juntos, João Francisco (1979) e Maria Luiza (1987).</p>
<p>Pensou em trabalhar como arquiteto e chegou a se empregar em um escritório, mas logo desistiu e resolveu ser pianista. Tocava em bares e boates em Copacabana, como no Beco das Garrafas no início dos anos 50, até que em 1952 foi contratado como arranjador pela gravadora Continental. Além dos arranjos, também tinha a função de transcrever para a pauta as melodias de compositores que não dominavam a escrita musical. Datam dessa época as primeiras composições.</p>
<p>A primeira canção gravada, Incerteza (com <strong><span style="color: #808080;">Newton Mendonça</span></strong>), na voz de Mauricy Moura. Tereza da Praia, parceria com Billy Blanco, gravada por <span style="color: #808080;"><strong>Lúcio Alves e Dick Farney</strong></span> pela Continental (1954), foi o primeiro sucesso. Depois disso participou de gravações e compôs com Billy Blanco a Sinfonia do Rio de Janeiro, além de outras parcerias com a cantora e compositora Dolores Duran (Se é por Falta de Adeus, Por Causa de Você).</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-884" title="tom-jobim-03" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/10/tom-jobim-031.jpg" alt="tom-jobim-03" width="400" height="400" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p>Em 1956 musicou a peça Orfeu da Conceição com Vinícius de Moraes, que se tornou um de seus parceiros mais constantes. Dessa peça fez bastante sucesso a canção antológica Se Todos Fossem Iguais a Você, gravada diversas vezes. Tom Jobim fez parte do núcleo embrionário da bossa nova. O LP Canção do Amor Demais (1958), em parceria com Vinícius, e interpretaçãoes de Elizeth Cardoso, foi acompanhado pelo violão de um baiano até então desconhecido, João Gilberto. A orquestração é considerada um marco inaugural da bossa nova, pela originalidade das melodias e harmonias. Inclui, entre outras, <span style="color: #808080;"><strong>C</strong><strong>anção do Amor Demais, Chega de Saudade e Eu Não Existo sem Você</strong></span>.</p>
<p>A consolidação da bossa nova como estilo musical veio logo em seguida com o 78 rotações Chega de Saudade, interpretado por João Gilberto, lançado em 1959, com arranjos e direção musical de Tom, selou os rumos que a música popular brasileira tomaria dali para frente. No mesmo ano foi a vez de Sílvia Telles gravar Amor de Gente Moça, um disco com 12 canções de Tom, entre elas Só em Teus Braços, Dindi (com Aloysio de Oliveira) e A Felicidade (com Vinícius).</p>
<p>Tom foi um dos destaques do Festival de Bossa Nova do Carnegie Hall, em Nova York em 1962. No ano seguinte compôs, com Vinícius, um dos maiores sucessos e possivelmente a canção brasileira mais executada no exterior: Garota de Ipanema. Nos anos de 1962 e 1963 a quantidade de “clássicos” produzidos por Tom é impressionante: Samba do Avião, Só Danço Samba (com Vinícius), Ela é Carioca (com Vinícius), O Morro Não Tem Vez, Inútil Paisagem (com Aloysio), Vivo Sonhando. Nos Estados Unidos gravou discos (o primeiro individual foi The Composer of ‘Desafinado’ Plays, de 1965), participou de espetáculos e fundou sua própria editora, a Corcovado Music.</p>
<p>O sucesso fora do Brasil o fez voltar aos EUA em 1967 para gravar com um dos grandes mitos americanos, Frank Sinatra. O disco Francis Albert Sinatra e Antônio Carlos Jobim, com arranjos de Claus Ogerman, incluiu versões em inglês das canções de Tom (The Girl From Ipanema, How Insensitive, Dindi, Quiet Night of Quiet Stars) e composições americanas, como I Concentrate On You, de Cole Porter. No fim dos anos 60, depois de lançar o disco Wave (com a faixa-título, Triste, Lamento entre outras instrumentais), participou de festivais no Brasil, conquistando o primeiro lugar no III Festival Internacional da Canção (Rede Globo), com Sabiá, parceria com Chico Buarque, interpretado por Cynara e Cybele, do Quarteto em Cy. Sabiá conquistou o júri, mas não o público, que vaiou ostensivamente a interpretação diante dos constrangidos compositores.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-885" title="tom-jobim-05" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/10/tom-jobim-051.jpg" alt="tom-jobim-05" width="400" height="400" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p>Aprofundando seus estudos musicais, adquirindo influências de compositores eruditos, principalmente Villa-Lobos e Debussy, Tom Jobim prosseguiu gravando e compondo músicas vocais e instrumentais de rara inspiração, juntando harmonias do jazz (Stone Flower) e elementos tipicamente brasileiros, fruto de suas pesquisas sobre a cultura brasileira. É o caso de “Matita Perê” e “Urubu”, lançados na década de 70, que marcam a aliança entre a sofisticação harmônica de Tom e sua qualidade de letrista. São desses dois discos Águas de Março, Ana Luiza, Lígia, Correnteza, O Boto, Ângela. Também nessa época grava discos com outros artistas, casos de Elis e Tom, com Elis Regina, Miúcha e Tom Jobim e Edu e Tom. Passarim, de 1987, é a obra de um compositor já consagrado, que pode desenvolver seu trabalho sem qualquer receio, acompanhado por uma banda grande, a Nova Banda. Além da faixa-título, Gabriela, Luiza, Chansong, Borzeguim e Anos Dourados (com Chico Buarque) são os destaques.</p>
<p>Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura, cantou, ainda que com uma participação individual diminuta, no coro da versão brasileira de We are the world, o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África ou USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985) abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação coletiva, com as canções Chega de mágoa e Seca d´água. Elogiado pela competência das interpretações individuais, foi no entanto criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-886" title="tom-jobim-06" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/10/tom-jobim-061.jpg" alt="tom-jobim-06" width="400" height="400" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p>É difícil escolher os mais significativos entre os mais de 50 discos de que participou, como intérprete ou arranjador. Todos eles têm algo de inovador, de diferente e especial. Seu último CD, Antônio Brasileiro, foi lançado em 1994, pouco antes da sua morte, em dezembro, nos EUA.</p>
<p>Biografias foram lançadas, entre elas Antônio Carlos Jobim, um Homem Iluminado, de sua irmã Helena Jobim, Antônio Carlos Jobim &#8211; Uma Biografia, de Sérgio Cabral, e Tons sobre Tom, de Márcia Cezimbra, Tárik de Souza e Tessy Callado.</p>
<p>Inexplicavelmente, a genialidade de Tom Jobim continua sempre mais reconhecida nos palcos internacionais que entre os brasileiros, que estão em melhores condições de apreciar a beleza de suas canções, por exemplo no que se refere à concatenação melodia e letra. Como traduzir “Caingá candeia, é o Matita Pereira(…)” “Passarinho na mão, pedra de atiradeira(…)” da canção “Águas de Março”?</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-887" title="tom-jobim-07" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/10/tom-jobim-071.jpg" alt="tom-jobim-07" width="400" height="400" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #808080;"><br />
</span></p>
<p style="text-align: center;"><object style="width: 520px; height: 410px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="520" height="410" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/jYLoxMtnUDE" /><embed style="width: 520px; height: 410px;" type="application/x-shockwave-flash" width="520" height="410" src="http://www.youtube.com/v/jYLoxMtnUDE"></embed></object></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">Águas de Março &#8211; Tom Jobim e Elis Regina </span></p>
<p>O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro foi renomeado Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão &#8211; Antônio Carlos Jobim ‘, só por pressão junto ao Congresso Nacional de uma comissão de notáveis, formada por Chico Buarque, Oscar Niemeyer, João Ubaldo Ribeiro, Antônio Cândido, Antônio Houaiss e Edu Lobo, criada e pessoalmente coordenada pelo crítico Ricardo Cravo Albin.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-888" title="tom-jobim-08" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/10/tom-jobim-081.jpg" alt="tom-jobim-08" width="400" height="400" /></p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Composições mais conhecidas</strong></span></p>
<p>* “Chega de Saudade” (1957), o marco inicial da bossa nova</p>
<p>* “Água de Beber”</p>
<p>* “Desafinado” (1959), vencedora de três prêmios Grammy</p>
<p>* “Samba de Uma Nota Só” (1959)</p>
<p>* “A Felicidade” e “O Nosso Amor”, do filme Orfeu Negro (1959)</p>
<p>* “Insensatez” (com Vinícius de Moraes) (1960)</p>
<p>* “Garota de Ipanema” (com Vinícius de Moraes) (1963)</p>
<p>* “Fotografia” (1965)</p>
<p>* “Triste” (1967)</p>
<p>* “Wave” (1967)</p>
<p>* “Águas de Março” (1970)</p>
<p>* “Luísa”</p>
<p>* “Corcovado”</p>
<p>* “Dindi”</p>
<p>* “Retrato em Branco e Preto” (com Chico Buarque)</p>
<p>* “Samba do Avião”</p>
<p>* “Anos Dourados”</p>
<p>* “Eu te Amo”</p>
<p>* “Meditação”</p>
<p>* “Só Tinha de Ser com Você” (1974)</p>
<p>* “Sabiá”</p>
<p>* “Eu sei que vou te amar”</p>
<p>* “Falando de amor”</p>
<p>* “Ela é carioca”</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Discografia</strong></span></p>
<p>* Sinfonia do Rio de Janeiro &#8211; 1954</p>
<p>* Tom Jobim e Billy Blanco &#8211; 1960</p>
<p>* Brasília e Sinfonia da Alvorada &#8211; 1961</p>
<p>* Antônio Carlos Jobim &#8211; 1963</p>
<p>* Caymmi visita Tom &#8211; 1964</p>
<p>* Antônio Carlos Jobim com Nelson Riddle e sua Orquestra &#8211; 1964</p>
<p>* Getz/Gilberto featuring A. C. Jobim &#8211; 1964</p>
<p>* A Certain Mr. Jobim &#8211; 1965</p>
<p>* Love Strings &amp; Jobim (Tom Jobim Apresenta) &#8211; 1966</p>
<p>* Wave &#8211; 1967</p>
<p>* Francis Albert Sinatra &amp; Antônio Carlos Jobim &#8211; 1967</p>
<p>* Compacto Duplo &#8211; 1968</p>
<p>* Tide &#8211; 1970</p>
<p>* Stone Flower &#8211; 1970</p>
<p>* Sinatra &amp; Company.s &#8211; 1971</p>
<p>* Disco de Bolso &#8211; O Tom de Tom Jobim e o tal de João Bosco &#8211; 1972</p>
<p>* Matita Pere/Jobim &#8211; 1973</p>
<p>* Elis &amp; Tom (com Elis Regina)- 1974</p>
<p>* Urubu &#8211; 1976</p>
<p>* Compacto Duplo &#8211; 1977</p>
<p>* Miúcha &amp; Antônio Carlos Jobim &#8211; 1977</p>
<p>* Tom, Vinícius, Toquinho, Miúcha, gravado ao vivo no Canecão &#8211; 1977</p>
<p>* Miúcha e Tom Jobim &#8211; 1979</p>
<p>* Sinatra-Jobim Sessions &#8211; 1979</p>
<p>* Terra Brasilis I &amp; II &#8211; 1980</p>
<p>* Edu &amp; Tom / Tom &amp; Edu &#8211; 1981</p>
<p>* Gabriela, Trilha do Filme &#8211; 1983</p>
<p>* O Tempo e o Vento &#8211; 1985</p>
<p>* Para Viver um Grande Amor, Trilha do Filme &#8211; 1985</p>
<p>* Rio Revisited (com Gal Costa) &#8211; 1987</p>
<p>* Passarim &#8211; 1987</p>
<p>* Tom Jobim (inédito) &#8211; 1987</p>
<p>* No Tom da Mangueira &#8211; 1991</p>
<p>* Antônio Brasileiro &#8211; 1994</p>
<p>* Antônio Carlos Jobim and Friends &#8211; 1996</p>
<p>* Antônio Carlos Jobim em Minas ao vivo: Piano e Voz &#8211; 2004</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Bibliografia</strong></span></p>
<p>* Helena Jobim: Antônio Carlos Jobim, um Homem Iluminado, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.</p>
<p>* Luis Carlos Lisboa: A vida de Tom Jobim, Rio de Janeiro: Rio Cultura/Faculdades Integradas Estácio de Sá, 1983.</p>
<p>* Sérgio Cabral: Antônio Carlos Jobim &#8211; Uma Biografia, Rio de Janeiro: Lumiar, 1997.</p>
<p>* Márcia Cezimbra, Tárik de Souza e Tessy Callado: Tons sobre Tom.</p>
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		<title>Clóvis Beviláqua &#8211; Jurista</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Aug 2008 18:24:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Clóvis Beviláqua
* Viçosa, Ceará, Brasil &#8211; 4 de Outubro de 1859 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ. &#8211; 26 de Julho de 1944 d.C
Fundador da Cadeira 14 da Academia Brasileira de Letras
Jurista, magistrado, jornalista, professor, historiador e crítico. 
Filho de José Beviláqua, que foi deputado provincial muito tempo, e de Martiniana Aires Beviláqua. Iniciou os estudos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-929" title="personalidades-juristas-clovis-bevilacqua[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/08/personalidades-juristas-clovis-bevilacqua1.jpg" alt="personalidades-juristas-clovis-bevilacqua[1]" width="160" height="200" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><strong>Clóvis Beviláqua</strong><br />
* Viçosa, Ceará, Brasil &#8211; 4 de Outubro de 1859 d.C<br />
+ Rio de Janeiro, RJ. &#8211; 26 de Julho de 1944 d.C<br />
Fundador da Cadeira 14 da Academia Brasileira de Letras<br />
Jurista, magistrado, jornalista, professor, historiador e crítico. </span></p>
<blockquote><p>Filho de José Beviláqua, que foi deputado provincial muito tempo, e de Martiniana Aires Beviláqua. Iniciou os estudos na cidade natal, ingressando, em 1872, no Ateneu Cearense. Daí transferiu-se para o colégio oficial de Fortaleza, em 1875. No ano seguinte, com 17 anos, embarcou para o Rio de Janeiro, onde prosseguiu nos estudos freqüentando o Externato Gaspar e o antigo Mosteiro de São Bento, concluindo os preparatórios juntamente com Paula Ney e Silva Jardim. Em 1878, embarcou para Recife, iniciando os estudos jurídicos na renomada Faculdade.</p></blockquote>
<p>Com Martins Júnior, começa a publicar o folheto Vigílias Literárias e, a seguir, o jornal A Idéia Nova. Ambos trabalharam no jornal República, nos folhetos Escalpelo, Estenógrafo e O crime de Vitória. Ao concluir o curso, em 1882, foi escolhido para orador da turma.<br />
Iniciou a carreira de magistrado, em 1883, ao ser nomeado promotor público de Alcântara, no Maranhão. No jornalismo, fez campanha pela República e, após a proclamação, foi eleito deputado à Assembléia Constituinte pelo Ceará. Foi a primeira e a última vez que ocupou uma posição política.</p>
<p>Em 1884, já casado com D. Amélia de Freitas, prestou concurso para professor de Filosofia da Faculdade de Direito do Recife. Iniciou, então, a série de obras jurídicas que o credenciariam perante o país para desincumbir-se da missão que lhe foi atribuída pelo Presidente Epitácio Pessoa, em 1899, convidando-o a elaborar o anteprojeto do Código Civil Brasileiro. Veio para o Rio de Janeiro em março de 1900 e, em outubro do mesmo ano, terminava a sua obra.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-930" title="personalidades-juristas-clovis-bevilacqua-capa-livro-direito-das-obrigacoes[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/08/personalidades-juristas-clovis-bevilacqua-capa-livro-direito-das-obrigacoes1.jpg" alt="personalidades-juristas-clovis-bevilacqua-capa-livro-direito-das-obrigacoes[1]" width="250" height="250" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">Clóvis Bevilácqua &#8211; Capa Livro Direito das Obrigações</span></p>
<p>A matéria passou a ser estudada no Congresso Nacional. No Senado foi Rui Barbosa encarregado de estudar o projeto e dar o parecer. A demora por parte deste começou a impacientar, mas ninguém sabia o que estava Rui Barbosa a fazer. Quando, afinal, apresentou o parecer, era um trabalho monumental em que examinava, particularmente, tudo que dizia respeito à vernaculidade do projeto de Clóvis Beviláqua, deixando de lado tudo que dizia respeito à matéria jurídica, para se lançar em questões gramaticais de toda ordem. É que para Rui Barbosa a firmeza e propriedade das expressões eram de capital importância.</p>
<p>A esse propósito travou-se uma longa polêmica entre Rui Barbosa e o filólogo Carneiro Ribeiro. Em sessões públicas memoráveis Clóvis Beviláqua defendeu o seu trabalho. Somente depois de dezesseis anos de discussões, em 10 de janeiro de 1916, o seu anteprojeto era transformado no Código Civil brasileiro, libertando-nos, afinal, das Ordenações do Reino, que nos tinham vindo da época colonial.</p>
<p>Em 1906, o Barão do Rio Branco nomeava-o consultor jurídico do Ministério das Relações Exteriores, onde se manteve até 1934. Em 1920 foi convidado a fazer parte do Comitê dos Juristas no Conselho da Sociedade das Nações. Com a condição de não se ausentar do Brasil, aceitou, colaborando, assim, no importante convênio. Continua publicando novos livros de literatura e direito, sobretudo os Comentários ao Código Civil, em seis volumes. Em obras especiais estuda diversas partes do Código: Direito da Família, Direito das Obrigações, Direito das Cousas.</p>
<p>Consta que Clóvis Beviláqua deixou de freqüentar a Academia quando ela recusou o pedido de inscrição que fez sua mulher, a escritora Amélia de Freitas Beviláqua, para concorrer à vaga de Alfredo Pujol, sob a alegação de que as mulheres não podiam ser acadêmicas. A sua carta de inscrição é de 29 de maio de 1930. A Gazeta de Notícias, de 20 de agosto de 1926, já informava que eram três os acadêmicos que se afastaram definitivamente da Academia: Oliveira Lima, Graça Aranha e Clóvis Beviláqua, e por essa razão não votaram para eleger o sucessor de Mário de Alencar, na Cadeira nº. 21.</p>
<p>Já estava, portanto, o jurisconsulto definitivamente afastado da Academia, desde agosto de 1926, quando sua esposa quis candidatar-se, em maio de 1930. Não sendo freqüentador assíduo das reuniões acadêmicas, deixou-a pouco a pouco depois de 1915. Quando a Academia elegeu Osório Duque-Estrada, para suceder a Sílvio Romero, designou Clóvis Beviláqua para saudar o novo acadêmico, ignorando que Osório, pouco antes da sua eleição, havia publicado uma nota violenta, na sua seção do Jornal do Brasil, o “Registro Literário”, diminuindo os méritos literários de Amélia de Freitas Beviláqua.<br />
Esta é a razão do seu afastamento da Academia.<br />
Em 1942, seu nome foi incluído no “Livro do Mérito” e, no ano seguinte, o seu busto inaugurado em praça pública.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="../wp-content/uploads/2008/08/personalidades-juristas-clovis-bevilacqua-manuscrito.jpg" class="lightview" rel="gallery[80]" class="lightview" rel="gallery[439]" title="personalidades-juristas-clovis-bevilacqua-manuscrito[1]"></a><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/08/personalidades-juristas-clovis-bevilacqua-manuscrito1.jpg" class="lightview" rel="gallery[80]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-932" title="personalidades-juristas-clovis-bevilacqua-manuscrito[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/08/personalidades-juristas-clovis-bevilacqua-manuscrito1-300x225.jpg" alt="personalidades-juristas-clovis-bevilacqua-manuscrito[1]" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #808080;">Clique na imagem para ampliar<br />
<span style="color: #008080;">Clóvis Beviláqua &#8211; Manuscrito</span></span></p>
<blockquote><p><span style="color: #008080;"><strong>Bibliografia</strong></span><br />
Obras: Vigília literária, 2 folhetos, em colaboração com Martins Júnior (1879-1882); A filosofia positiva no Brasil (1884); Estudos de direito e economia política (1886); Épocas e individualidades (1889); Teoria geral do direito civil (1890); Lições de legislação comparada sobre o direito privado (1893); Frases e fantasias (1894); Direito de família (1896); Juristas filósofos (1897); Código Civil comentado, 6 vols. (Edições tiradas, separadamente, por volume; edição completa em 1916); Direito das obrigações (1896); Em defesa do projeto de Código Civil Brasileiro (1906); Princípios elementares de Direto Internacional Privado, (1944).</p></blockquote>
<blockquote><p><span style="color: #008080;"><strong>Textos Escolhidos</strong></span></p>
<p><strong> </strong><strong>NA HELÊNIA</strong><br />
Nessa noite, Crobilo teve um sonho estranho que lhe pareceu uma revelação.<br />
Estava sentado sob um frondoso plátano, em uma eminência de onde se avistava, a um lado, o Pireu com as suas cabanas de pescadores, seus vastos armazéns, suas extensas muralhas e os três portos. Mais além a ilha Egina, que Péricles chamara a belida do Pireu, e o mar, vasto e azul, cortado por vários navios garbosos, cujos remos fendiam as águas, unidos na distância, num compasso igual, semelhando grandes aves marinhas a agitar as asas em demorado vôo à flor das águas.</p></blockquote>
<p>Sem que percebesse de onde viera, chega-se a ele Epicuro, com a mesma fisionomia sofredora e nobre, o mesmo olhar doce e suavemente melancólico, e os lábios encurvados pela mesma ironia fina que mais parecia eflúvio de uma alma que sofre do que desilusão de um espírito que tudo sondou para tudo saber. Estavam sós, Epicuro pousou-lhe a mão no ombro e falou, numa voz persuasiva e acariciante:</p>
<p>- Buscas o repouso e a felicidade. E onde julgas que esteja a felicidade, e onde pensas que se esconda a paz do espírito, que é doce como um fruto sazonado? No prazer? Na volúpia? No gozo fugitivo e vão dos sentidos? Aristipo e a escola cirenaica foram todos uns desvairados. Não afastes o prazer que te for deparado pelo mundo; mas colhe-o como quem colhe uma flor. Ele vem da natureza e foi ela que assim nos moldou a vida. Erigir porém a satisfação dos desejos materiais em princípio fundamental de conduta, em base da moral, é um pensamento sujo que tresanda a vinho. O prazer físico, se é descomedido, exaure deixa um ressaibo de fel; a volúpia contínua apaga o fogo da inteligência, centelha divina que nos destaca e eleva acima dos brutos e dos bárbaros.</p>
<p>- Mas a religião? balbuciou Crobilo dominado mais pelo tom das palavras do que mesmo pelo que elas significam.<br />
- A religião? … O filósofo teve um olhar mais condoído e uma ironia mais forte, porém uma doce ironia que não magoava. A religião? … Não atormentes os deuses com as tuas preces insensatas. Efebos eternamente belos, eternamente jovens, afogados na ebriedade de um gozo ideal, não podemos sequer imaginar que eles se rebaixem a se imiscuir com a nossa vida mesquinha que dilaceram as paixões e as dúvidas. Serenos e despreocupados, eles vagam pelos intermúndios, enquanto o lento curso das coisas se desdobra imutável, impelido pela queda dos átomos em turbilhão.<br />
- Mas a pátria?</p>
<p>- Bela e nobre coisa é, por certo, servir aos seus, ser útil à pátria. Mas teriam sido felizes, Aristides banido, Temístocles, refugiado entre os persas, Fócion, bebendo a cicuta preparada por aqueles mesmos a quem procurara servir, Demóstenes, suicidando-se no templo de Posêidon, na Caláia? … Não te descoroçoem estes exemplos, e serve à tua pátria nobremente, como estiver em tuas forças; mas não suponhas que encontrarás aí a felicidade. O favor popular é uma fonte inesgotável de mágoas e dissabores. O povo é inconstante e cruel; sacrifica, em uivos de cólera, o ídolo que adorara de joelhos no dia anterior. Que mortal foi maus endeusado pelos atenienses, do que Demétrio? E, no entanto, que destino triste o seu!… Não procures o favor das turbas; segue impávido o teu caminho e deixa que a onda popular se espoje além, sem te arrastar no seu refluxo.</p>
<p>- E o que fazer? Onde beber, então, o gozo que as almas procuram sedentas? Onde a felicidade? Onde a paz do espírito?<br />
- Há um vinho mais doce e mais delicado do que o que se extrai dos cachos da uva de Quio e que se bebe em taças lavradas. É a prática do bem, é a virtude, a qual nos dá o gozo no momento atual, que passa rápido, e no passado, que subsiste pela revisão do que fizemos. Ninguém pode ser feliz sem ser justo! Existe um favor mais cobiçável do que o da populaça de Atenas ou de qualquer outra cidade: é o da própria consciência e o da consciência dos que nos podem compreender!<br />
Coloquemo-nos acima do vulgo, sem desprezá-lo vaidosamente.</p>
<p>Libertemo-nos de suas inquietações crudelíssimas e de seus temores infantis, criados pela ignorância; mas não procuremos arrancar-lhe as ilusões que lhe amenizam a existência, uma vez que não é possível iniciá-lo na religião da ciência, que tem as suas provações como as outras os seus mistérios.</p>
<p>Envolvidos no sendal sereno da ataraxia que nos dá a contemplação das leis universais da natureza grandiosa e vasta, da beleza ideal e da virtude, cortemos o cordão umbilical que nos prende ao mundo reduzido de uma pequena cidade helênica, e elevemos a vista mais ao largo, mais ao longe.</p>
<p>A suprema serenidade que só as almas superiores conhecem eis a felicidade tangível. O caminho que a ela nos conduz é essa necessidade faminta de conhecer o mecanismo da vida universal, aliada a essa outra necessidade de ser bom, de ser justo. Isto é a filosofia, é “a energia pela qual a razão conduz o homem à felicidade”. A filosofia é um rio de águas claras e profundas, mas está longe, muito além, por trás de montes altíssimos, de florestas rebarbativas.</p>
<p>O filósofo calou-se. E nesse momento assumiu Telesipa, como se tivesse emergido do solo.<br />
Tinha um sorriso vitorioso aberto em flor na flor dos lábios, e, arrepanhado um pouco a túnica que o vento do mar agitava, derramou a luz do seu olhar sobre as dúvidas tormentosas de Crobilo. Falou, radiosa:<br />
- Não rebusques mais nem desesperes. A felicidade sou eu! É bem simples, poder crer: a felicidade sou eu. &#8211; E, envolta em uma nuvem diáfana, trescalando mirra, sorriu ainda, vitoriosamente.</p>
<p>O filósofo, envolvendo os dois jovens no mesmo olhar compassivo, acenou com a sua bela cabeça de pensador, aprovando:<br />
- Amai-vos &#8211; disse &#8211; enquanto sois moços e a lira de vossa alma tem vibrações para essa incomparável ternura que transvasa do seres quando se infloram para o amor! Amai, dissolvei o vosso ser em ondas de afeto! Sim, é isso. É bem simples e é perfeitamente humano. Mas não esqueçais a linha reta, e, sempre com os olhos fitos no alto, procurando compreender a natureza e a vida, o real e o justo, segui o vosso caminho, unidos e felizes, desassombrados e inesitantes.<br />
(Frases e instantes, 1894.)</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #008080;">EM DEFESA DO PROJETO DE CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO</span></strong><br />
[...]<br />
Por um lamentável desvio da crítica, versou a discussão muitas vezes, entre nós, sobre questões de estilo e gramática. Fugi o mais possível de envolver-me nessa contenda bizantina que um só resultado poderia ter: o de perdermos um tempo considerável e precioso, se não a oportunidade de obter a passagem do Código Civil no Congresso. Mas era impossível ficar quieto, imperturbável, quando a picareta impiedosa, derrubando a caliça e levantando nuvens de poeira fingia estar solapando a construção.</p></blockquote>
<p>Desejariam os antagonistas do Projeto vasá-lo numa língua hierática, impecável, que jamais existiu na realidade da vida, que jamais foi falada pelo povo, e que eles supõem idealmente criada pelos escritores de sua predileção.</p>
<p>Para mim a língua é o que disse Schoefle, “a capitalização simbólica do trabalho intelectual de um povo,” continuamente a remodelar-se, a enriquecer-se de formas novas, a ganhar energia e delicadeza de expressão. Por isso bem sentenciou Araripe Júnior, quando afirmou: “O escritor que não se utiliza da língua viva de seu tempo, será um mau escritor ou um escritor incompleto.”</p>
<p>Muitas vezes será um espírito de grande valor, atingindo as grandes alturas da forma artística, a quem a vida no seio de uma literatura estranha ou de outra época, por assim dizer, alienou do meio social contemporâneo. Sem esse voluntário afastamento, mais acentuada e fecunda seria a sua influência nas letras pátrias.</p>
<p>Se um Alfred de Musset irritava-se e prorrompia em acres reprimendas porque uma vírgula fora mal colocada, não devemos imitá-lo em sua doentia preocupação.</p>
<p>A língua de que usamos deve nos merecer afetuoso cuidado, mas, como observou um escritor espanhol, as línguas vivem de heresias, a ortodoxia condu-las à morte. Muitas idéias dificilmente se exprimiriam com as frases usadas pelos clássicos e é absurdo que mutilemos as idéias porque no guarda-roupa dos séculos passados não encontramos um traje talhado para ela.<br />
Mas, ou o Projeto apenas pecasse contra um desarrazoado purismo ou contivesse reais defeitos de forma, é fora de dúvida que o aperfeiçoamento de sua redação, sob o ponto de vista gramatical, devia ser considerado operação secundária e jamais postergar o exame dos princípios jurídicos que o Projeto encarnava. Foi inconseqüência injustificável preterir a essência pela forma.<br />
[...]</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #008080;">A RÉPLICA DO SENADOR RUI BARBOSA</span></strong><br />
O eminente senador Rui Barbosa escreveu um volumoso in folio, de 214 páginas, para pulverizar as objeções feitas à crítica evidentemente inoportuna, clamorosamente injusta e desusadamente causticamente, com que S. Exa. recebeu o Projeto de código civil. Não estranho a vastidão desse trabalho, porque estou habituado a admirar, no egrégio escritor baiano, essa faculdade surpreendente de produzir grandiosos fragmentos em que a minúcia paciente da análise corre parelhas com o fluir estrepitoso da frase. Estranho, porém, que, sendo tão extensa, não seja completa a Réplica.<br />
[...]<br />
A Réplica é sem dúvida um ótimo expositor de gramática portuguesa, gramática prática, à moda Cândido de Figueiredo, com adubos de erudição mais extensa. Não serviria, porém, para modelo de argumentação.<br />
[...]<br />
Avara na resposta aos pontos litigiosos e pródiga em considerações estranhas ao assunto em debate. Tal se mostra a Réplica; ao menos na parte que mais de perto me toca. E não tanto por nos ter dado um farto volume de filologia, após outro pouco menos volumoso, como inesperado exórdio de um debate jurídico, e sim principalmente por achar sempre meios de trazer para o pleito o que melhor seria que permanecesse fora dele.</p></blockquote>
<p>A minha personalidade literária, já de si apagada, é sem valia, não reclamava essa marcha de flanco que a Imprensa começou a desenvolver, a que discursos proferidos no senado imprimiram movimento mais acelerado e que a Réplica acaba de transformar em ataque mais direito.<br />
Entre os defeitos que me tornavam impróprio para realizar a assoberbante empresa de redigir um Projeto de código civil, salientava a Imprensa como primacial a ignorância da língua. “Falta-lhe um requisito PRIMÁRIO, essencial, soberano, para tais obras: a ciência da sua língua, a casta correção do escrever.”</p>
<p>Eis aí: para elaborar um código civil, o saber jurídico é requisito secundário e subordinado; o essencial, o indispensável, o soberano, a qualidade primária é “a casta correção do escrever.” Sobre essa idéia original tem sido construída toda a crítica ao Projeto atual. O Parecer e a Réplica são desdobramentos lógicos desse pensamento primordial. E somente por uma inconseqüência, como há muitas na Réplica, acha censurável o egrégio senador Rui Barbosa que a comissão da Câmara tenha pedido ao dr. Ernesto Carneiro, profundo conhecedor da língua e elegante escritor, o auxílio valioso da sua competência.</p>
<p>Se para codificar é bastante possuir a casta correção do escrever, porque exigir conhecimentos jurídicos de quem fora chamado exclusivamente para dizer sobre a linguagem?</p>
<p>O pregão da minha incompetência tem sido martelado sobre esta base. “Bem se vê que vive fora do idioma em que se exprime”, diz a Réplica a chasquear. E a cada passo a obsessão se revela, lampejando às vezes numa frase rápida, espraiando-se, outras vezes, em exclamações emocionantes, transpondo mesmo, em certo momento, os limites do que me parece o terreno próprio de discussões como esta.<br />
As acusações objetivadas em fatos não são por ora mais de três. Um verbera a locução escritor de testamento.</p>
<p>Não há mais que dizer a respeito. Em atenção ao crítico que reflete a elevação sobre a pequenez da censura, consideremos as outras duas.<br />
Primeiro artigo do libelo: terminei as minhas observações para esclarecimento do Projeto de código civil por uma adversativa porém. Este feio delito foi exposto à execração do senado como característico da mais lamentável… negligência.</p>
<p>“Eu creio que nos anais do escrever o fato é virgem. Há nesta assembléia escritores, gramáticos, homens de letras, e mesmo aos que o não são, eu estou certo, não há de deixar de produzir uma impressão de estranheza e de inverdade (?) extraordinária entre nós, verem acabar um livro por uma adversativa.” Na Réplica esta minha falta de tato gramatical e de gosto literário é novamente celebrada. O nobre senador gosta de insistir na mesma idéia, apraz-se em referir a mesma história duas, três e mais vezes.</p>
<p>Diz a Réplica: O que ela (a tradição da língua) não tolera é encerrar com essa adversativa, períodos, parágrafos e obras, como fez o sr. Clóvis Beviláquia, em cuja longa introdução ao seu projeto de código civil, um porém sem precedente na história do nosso idioma remata aquele escrito, antecedendo ao último ponto final à assinatura do autor.”</p>
<p>Deve ter razão o ilustre censor. Mas observo, em minha defesa, que essa adversativa tem a particularidade de ser freqüentemente usada, como pospositiva, construindo-se figuradamente as frases em que ela entra. Se nos clássicos não se deparam exemplos que me apadrinhem, nem por isso me sinto mais acabrunhado. Aprendi com Aristóteles que se deve procurar não o que é antigo, mas o que é bom, e tenho sérios motivos para suspeitar que, no século vinte, o cabedal de conhecimentos da humanidade seja maior e mais sólido do que foi ao tempo dos quinhentistas.</p>
<p>Exclamações não são razões; portanto, enquanto estas se não revelarem, continuo a pensar que não é tão nefando o caso quanto se faz supor, e comigo pensa Maria Amália Vaz de Carvalho, escritora muito conceituada, que não trepidou em colocar, como eu, adversativa no fim de um período. “Tirem da história do mundo, em que já tem lugar primacial, toda a questão Dreyfus, e o romance de Zola talvez possa interessar-nos. Duvido, PORÉM.”1<br />
[...]<br />
O que há de estranhável, de irritante mesmo, nas emendas do senador Rui Barbosa, é sobretudo o comentário onde esfuziam chufas, estridulam chanças e mal se esconde o menospreço pelo trabalho alheio. E o que pretendemos com as nossas defesas foi mostrar que houve muita injustiça nas acusações do Parecer, injustiça que foi a alma parens dos erros em que por sua vez caiu o ilustre senador.</p>
<p>O Projeto continha defeitos, mas o senador Rui Barbosa exagerou-os sobre posse. Exagerando-os, avolumando-os, realçando-os, inflando-os para que se tornassem mais visíveis, fez em torno desse produto legislativo um nevoeiro denso que nos tira a visão exata das coisas. E S. Exa. não escapou à ação perniciosa dessa caligem. Foi vítima de seu método, desviou-se da estrada segura; resvalou em alguns equívocos.<br />
Não me interessam, porém, esses equívocos senão pelo que refletiam ou podiam refletir no contexto do Projeto ou na interpretação das doutrinas de que o Projeto se fizera expressão.</p>
<p>Add. 1905. Não se dá com o meu temperamento nem com a minha orientação literária desperdiçar o tempo a cata de um vocábulo, a ver como em 1500 o empregavam os cronistas, os vates e os predicantes. Mas, ao acaso das leituras, como ao sábio censor pareceu o caso singular e estranhou, fui sublinhando alguns empregos de pospositivas idênticas ou semelhantes, para não deixar desacompanhada a distinta escritora invocada no texto.</p>
<p>Eis aqui algumas amostras que não me deixam ficar sem precedentes ou me apontam subseqüentes:<br />
Fale em primeiro lugar o poeta Bernardim Ribeiro:<br />
E vi tudo escuridão<br />
Cerrei meus olhos então<br />
E nunca mais os abri;<br />
Que depois que os perdi<br />
Nunca vi tam grande bem;<br />
Porém ainda mal, porém!…<br />
São estes os últimos versos do romance A Visão do conhecido e apreciado poeta que teve a ventura de viver no século XVI (Ver Parnaso lusitano, tomo III, p. 154).</p>
<p>Eça de Queirós na Cartas de Inglaterra, traduzindo o Times, escreveu estas palavras: “ainda que a natureza não dispense bem todo o trabalho do homem… não o repele todavia.” E por essa adversativa termina o período. Creio que as duas adversativas, a de Eça e a minha, para o ponto questionado, se equivalem. (Ver a pág. 216 da ed. de 1905, pela casa Chardron).<br />
Carneiro Vilela conclui o cap. XIX de seu romance, Os filhos do governador, pelo modo seguinte: “Não tinha fome, porém.” (Jornal pequeno, de 10 de março de 1905, primeira pág., 4a col.)</p>
<p>(Em defesa do Projeto de Código Civil Brasileiro, 1906.)</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=415&amp;sid=179" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=415_amp_sid=179&amp;referer=');">Academia Brasileira de Letras</a></p>
<img src="http://www.vidaeobra.com.br/?ak_action=api_record_view&id=80&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>Antônio Botto &#8211; Poeta</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Aug 2008 22:20:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anna Luisa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poetas]]></category>
		<category><![CDATA[Antônio Tomás Botto]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidades]]></category>
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		<description><![CDATA[
* Abrantes, Portugal &#8211; 17 de Agosto de 1897 d.C
+ Rio de Janeiro, 16 de Março de 1959 d.C
Antônio Botto nasceu em Concavada, freguesia do conselho de Abrantes, Portugal, filho de Maria Pires Agudo e de Francisco Thomaz Botto. O seu pai trabalhava como “marítimo” no rio Tejo. Em 1908 a sua família mudou-se para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><img class="aligncenter size-full wp-image-942" title="personalidades-poetas-portugal-antonio-botto" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/08/personalidades-poetas-portugal-antonio-botto3.jpg" alt="personalidades-poetas-portugal-antonio-botto" width="282" height="305" /><br />
<span style="background-color: #ffffff;">* Abrantes, Portugal &#8211; 17 de Agosto de 1897 d.C<br />
+ Rio de Janeiro, 16 de Março de 1959 d.C</span></span></p>
<blockquote><p>Antônio Botto nasceu em Concavada, freguesia do conselho de Abrantes, Portugal, filho de Maria Pires Agudo e de Francisco Thomaz Botto. O seu pai trabalhava como “marítimo” no rio Tejo. Em 1908 a sua família mudou-se para o bairro de Alfama em Lisboa, onde cresceu no ambiente popular e típico desse bairro, que muito influenciou a sua obra. Recebeu pouca educação formal e trabalhou em livrarias, onde travou conhecimento com muitas das personalidades literárias da época, e foi funcionário público. Em 1924-25 trabalhou em Santo António do Zaire e Luanda, na então colônia de Angola.</p></blockquote>
<p>A sua obra mais conhecida, e também a mais polêmica, é o livro de poesia Canções que, pelo seu caráter abertamente homossexual, causou grande agitação nos meios religiosamente conservadores da época. Foi amigo pessoal de Fernando Pessoa que traduziu em 1930 as suas Canções para inglês, e com quem colaborou numa Antologia de Poemas Portugueses Modernos. Homossexual assumido (apesar de ser casado com Carminda Silva), a sua obra reflete muito da sua orientação sexual e no seu conjunto será, provavelmente, o mais distinto conjunto de poesia homoerótica de língua portuguesa. Morreu atropelado em 1959 no Brasil, para onde se tinha exilado para fugir às perseguições homófobas de que foi vítima, na mais dolorosa miséria. Os seus restos mortais foram trasladados para o cemitério do Alto de São João, em Lisboa, em 1966.<br />
Antônio Botto tinha uma forte personalidade. Descrevem-no como magro, de estatura média, um dandy, de rosto oval, a boca muito pequena de lábios finos, os olhos amendoados, estranhos, inquisitivos e irônicos (de onde por vezes irrompia uma expressão perturbadoramente maliciosa) freqüentemente ocultados sob um chapéu de abas largas.</p>
<p>Tinha um sentido de humor sardônico, incisivo, uma mente e língua perversos e irreverentes, e era um conversador brilhante e inteligente. Era amigo do seu amigo, mas ferozmente ruim se sentia que alguém antipatizava com ele ou não o tratava com a admiração incondicional que ele julgava merecer. Este seu feitio criou-lhe um grande número de inimigos. Alguns dos seus contemporâneos consideravam-no frívolo, mercurial, mundano, inculto, vingativo, mitômano, maldizente e, sobretudo, terrivelmente narcisista a ponto de ser megalômano.</p>
<p>Era visitante regular dos bairros boêmios de Lisboa e das docas marítimas onde desfrutava a companhia dos marinheiros, tantas vezes tema da sua poesia. Apesar de ser sobretudo homossexual, Antônio Botto foi casado até ao final da sua vida com Carminda Silva Rodrigues (”O casamento convém a todo homem belo e decadente”, como escreveu).</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><img class="aligncenter size-full wp-image-943" title="personalidades-poetas-portugal-antonio-botto-rascunhos" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/08/personalidades-poetas-portugal-antonio-botto-rascunhos1.jpg" alt="personalidades-poetas-portugal-antonio-botto-rascunhos" width="400" height="309" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">Anotações à margem de páginas do Livro As Canções de Antônio Botto<br />
</span></p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #008080;">Despedido</span></strong></p></blockquote>
<p>Em 9 de Novembro de 1942 Antônio Botto foi demitido do seu emprego na função pública (escriturário de primeira-classe do Arquivo Geral de Identificação) por:</p>
<p>“(a) ter desacatado uma ordem verbal de transferência dada pelo primeiro oficial investido ao tempo em funções de diretor, por impedimento do efetivo;</p>
<p>b) não manter na repartição a devida compostura e aprumo, dirigindo galanteios e frases de sentido equívoco a um seu colega, denunciando tendências condenadas pela moral social;</p>
<p>c) “fazer versos e recitá-los durante as horas regulamentares do funcionamento da repartição, prejudicando assim não só o rendimento dos serviços, mas a sua própria disciplina interna.”</p>
<p>Ao ler o anúncio publicado no Diário do Governo, Botto ficou profundamente desmoralizado e comentou com ironia: “Sou o único homossexual reconhecido no País…”</p>
<p>Para se sustentar passou a escrever artigos, colunas e crítica literária em jornais, e publicou vários livros, entre os quais “Os Contos de Antônio Botto” e “O Livro das Crianças”, uma coleção de sucesso de contos para crianças (que seria oficialmente aprovada como leitura escolar na Irlanda, sob o título The Children’s Book, traduzido por Alice Lawrence Oram). Mas tudo isto se revelou insuficiente.</p>
<p>A sua saúde se deteriou devido às sífilis terciária que ele recusava tratar e o brilho da sua poesia começou a desvanecer-se. Era alvo de troça quando entrava nos cafés, livrarias e teatros. Por fim, cansou-se de viver em Portugal e em 1947 decidiu emigrar para o Brasil. Para juntar dinheiro para a viagem organizou, em Maio desse ano, recitais de poesia em Lisboa e no Porto, que resultaram em grandes sucessos, com elogios por parte de vários intelectuais e artistas, entre os quais Amália Rodrigues, João Villaret e o escritor Aquilino Ribeiro. A 17 de Agosto partiu finalmente para o Brasil com a sua mulher.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-944" title="personalidades-poetas-portugal-antonio-botto-rascunhos-dedicatoria" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/08/personalidades-poetas-portugal-antonio-botto-rascunhos-dedicatoria1.jpg" alt="personalidades-poetas-portugal-antonio-botto-rascunhos-dedicatoria" width="169" height="240" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;">Dedicatória para Severo Portela</span></p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #008080;">Últimos anos</span></strong></p></blockquote>
<p>No Brasil residiu em São Paulo até 1951 quando se mudou para a cidade do Rio de Janeiro. Sobreviveu escrevendo artigos e colunas em jornais Portugueses e Brasileiros, participando em programas de rádio e organizando récitas de poesia em teatros, associações, clubes e, por fim, botequins.</p>
<p>A sua vida foi-se degradando de dia para dia e acabou por viver na mais profunda miséria. A sua megalomania agravada pela sífilis era gritante e não parava de contar histórias delirantes das visitas que André Gide lhe teria feito em Lisboa (”Se não foi o Gide, então foi o Marcel Proust…”), de ser o maior poeta vivo e de ser o dono de São Paulo. Em 1954 pediu para ser repatriado, mas desistiu por falta de dinheiro para a viagem. Em 1956 ficou gravemente doente e foi hospitalizado por algum tempo.</p>
<p>Em 4 de Março de 1959, ao atravessar a Avenida Copacabana, no Rio de Janeiro, foi atropelado por um automóvel do governo. Cerca das 17h00 de 16 de Março de 1959, no Hospital da Beneficência Portuguesa, Botto, mal barbeado e pobremente vestido, expira abraçado pela sua inconsolável mulher, que o chora perdidamente.</p>
<p>Em 1966 os seus restos mortais foram trasladados para Lisboa e, desde 11 de Novembro do mesmo ano, estão depositados no Cemitério do Alto de São João.</p>
<p>O seu espólio será enviado do Brasil pela sua viúva Carminda Rodrigues a um parente, que o doará, em 1989, à Biblioteca Nacional.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #008080;">A obra poética</span></strong></p></blockquote>
<p>“A vasta obra poética de Botto, em parte ainda dispersa ou não-recoligida, apesar de e também pelo muito que ele publicou, republicou, reorganizou em volumes dispersos ou suprimia de volumes anteriores, etc., poderá repartir-se em quatro fases:</p>
<p>a juvenil, em que continua o tom da quadra dita popular, conjugando-o com aspectos da dicção simbolista que poetas como Correia de Oliveira, Augusto Gil, e, sobretudo Lopes Vieira haviam introduzido nela; a simbolístico-esteticista, em que a juvenilidade tradicionalizante se literaliza dos requebros esteticísticos que marcaram, nos anos 20, muita poesia simultaneamente da tradição saudosista e modernista (é a das primeiras edições das Canções e breves plaquetes seguintes, em que, todavia a personalidade do poeta já figura inteira em diversos poemas);</p>
<p>a fase pessoal e original, nos anos 30, desde as edições de 1930-32 das Canções (em que ele ia incorporado seleções de coletânea anteriores) até a Vida Que Te Dei e Os Sonetos (fase que é também a dos seus excepcionais contos infantis que tiveram realmente as edições estrangeiras que se julgava ser uma das mentiras megalomaníacas do poeta, da «novela dramática» Antônio, e da peça Alfama);</p>
<p>e a última fase, nos anos 40 e 50, até a morte que é a de uma longa e triste decadência, com poemas desvairadamente oportunistas, revisões desastrosas afetando nas reedições alguns dos melhores poemas anteriores [...]” em Líricas Portuguesas, de Jorge de Sena.</p>
<p>A tempestade desencadeada por Canções e por “Sodoma Divinizada”, bem como por outras obras e artigos que apareciam nas livrarias e jornais da época de que importa destacar “Decadência” de Judite Teixeira, foi tremenda, e a Federação Acadêmica de Lisboa, tendo como porta-voz Pedro Teotônio Pereira, denuncia no jornal “A Época”, em Fevereiro de 1923, a “vergonhosíssima desmoralização, que sob os mais repugnantes aspectos, alastra constantemente”.</p>
<p>A Federação Acadêmica de Lisboa estaria com grande probabilidade apenas a servir de face pública das vontades do poder instituído da época porque pouco depois, em Março, é ordenada pelo Governo Civil de Lisboa a apreensão dos já mencionados livros de Botto, Raul Leal e Judite Teixeira.</p>
<p>Fernando Pessoa e Álvaro de Campos protestam contra o ataque dos estudantes a Raul Leal: “Ó meninos: estudem, divirtam-se e calem-se. (…) Divirtam-se com mulheres, se gostam de mulheres; divirtam-se de outra maneira, se preferem outra. Tudo está certo, porque não passa do corpo de quem se diverte. Mas quanto ao resto, calem-se.</p>
<p>Calem-se o mais silenciosamente possível”. Mas com pouco efeito. O impulso censório, moralista, obscurantista e homofóbico, ganha força com o regime do Estado Novo e a revista “Ordem Nova” declara-se “anti-moderna, antiliberal, antidemocrática, anti-bolchevista e anti-burguesa; contra-revolucionária; reacionária; católica, apostólica e romana; monárquica; intolerante e intransigente; insolidária com escritores, jornalistas e quaisquer profissionais das letras, das artes e da informação”.</p>
<p>Antônio Botto acaba por se ver forçado a emigrar para o Brasil e Raul Leal será vítima de espancamentos e deixará de escrever para jornais durante 23 anos.</p>
<blockquote><p><span style="color: #008080;"><strong>Obras</strong></span></p></blockquote>
<p><span style="color: #008080;">Poesia</span></p>
<p>* Trovas (1917)<br />
* Cantigas de Saudade (1918)<br />
* Cantares (1919)<br />
* Canções (várias edições, revistas e acrescentadas pelo autor, entre 1921 e 1932)<br />
* Canções do Sul<br />
* Motivos de Beleza (1923)<br />
* Curiosidades Estéticas (1924)<br />
* Pequenas Esculturas (1925)<br />
* Olimpíadas (1927)<br />
* Dandismo (1928)<br />
* Ciúme (1934)<br />
* Baionetas da Morte (1936)<br />
* A Vida Que te Dei (1938)<br />
* Sonetos (1938)<br />
* O Livro do Povo (1944)<br />
* Ódio e Amor (1947)<br />
* Fátima &#8211; Poema do Mundo (1955)<br />
* Ainda Não se Escreveu (1959)</p>
<blockquote><p><span style="color: #008080;"><strong>Ficção</strong></span></p></blockquote>
<p>* Antônio (1933)<br />
* Isto Sucedeu Assim (1940)<br />
* Os Contos de Antônio Botto (1942) &#8211; literatura infantil<br />
* Ele Que Diga Se Eu Minto (1945)</p>
<blockquote><p><span style="color: #008080;"><strong>Teatro</strong></span></p></blockquote>
<p>* Alfama (1933)</p>
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		<title>Berthold Brecht &#8211; Dramaturgo</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jul 2008 21:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dramaturgos]]></category>
		<category><![CDATA[Berthold Brecht]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura alemã]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidades]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poetas]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[
Eugen Berthold Friedrich Brecht 
* Augsburg, Alemanha &#8211; 10 de Fevereiro de 1898 d.C
d.C + Berlim, Alemanha &#8211; 14 de Agosto de 1956 d.C

Vídeo &#8211; O Analfabeto Político

Poeta, romancista, dramaturgo alemão, teórico renovador do teatro moderno. Nascido Eugen Berthold Friedrich Brecht na Baviera, Brecht estudou Medicina e trabalhou como enfermeiro num hospital em Munique durante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #808080;"><a href="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/07/personalidades-dramaturgos-alemanha-brecht11.jpg" class="lightview" rel="gallery[165]" title="personalidades-dramaturgos-alemanha-brecht1[1]"><img class="size-medium wp-image-869 aligncenter" title="personalidades-dramaturgos-alemanha-brecht1[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/07/personalidades-dramaturgos-alemanha-brecht11-211x300.jpg" alt="personalidades-dramaturgos-alemanha-brecht1[1]" width="211" height="300" /></a></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><strong>Eugen Berthold Friedrich Brecht</strong> </span><span style="color: #008080;"><br />
* Augsburg, Alemanha &#8211; 10 de Fevereiro de 1898 d.C<br />
d.C + Berlim, Alemanha &#8211; 14 de Agosto de 1956 d.C</span></p>
<p style="text-align: center;"><object style="width: 520px; height: 400px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="520" height="400" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/2RwJemF_9tY" /><embed style="width: 520px; height: 400px;" type="application/x-shockwave-flash" width="520" height="400" src="http://www.youtube.com/v/2RwJemF_9tY"></embed></object><br />
<span style="color: #008080;">Vídeo &#8211; O Analfabeto Político</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Poeta, romancista, dramaturgo alemão, teórico renovador do teatro moderno. Nascido Eugen Berthold Friedrich Brecht na Baviera, Brecht estudou Medicina e trabalhou como enfermeiro num hospital em Munique durante a Primeira Guerra Mundial. Filho da burguesia sofreu, como todos em seu país, a sensação de desolamento de encarar um país completamente destruído pela guerra.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-871" title="bertolt_brecht_house_berlin1-300x225[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/07/bertolt_brecht_house_berlin1-300x2251.jpg" alt="bertolt_brecht_house_berlin1-300x225[1]" width="300" height="225" /></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Depois da guerra mudou-se para Berlim, onde o influente crítico, Herbert Ihering, chamou-lhe a atenção para a apetência do público pelo teatro moderno. Já em Munique, as suas primeiras peças (Baal (1918/1926) “Tambores na Noite” Trommeln in der Nacht(1918-1920) ) foram levadas ao palco e Brecht conheceu Erich Engel com quem veio a trabalhar até ao fim da sua vida. Em Berlim, a peça Im Dickicht der Städte, protagonizado por Fritz Kortner e dirigido por Engel, tornou-se seu primeiro sucesso. O totalitarismo afirmava-se como a força renovadora que não só iria reerguer o país, como se outorgava a missão de reviver o Sacro Império Romano-Germânico.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Mas, ao mesmo tempo, chegava à Alemanha influências da recém formada União Soviética, com sua bem-sucedida implantação de um regime socialista, o que significava esperança para um povo sofrido como o da Alemanha naquele período. É a este último grupo que Brecht vai se unir, na ânsia de debelar o seu desespero existencial. No entanto, depois de Hitler eleito em 1933 Brecht não estava totalmente seguro na Alemanha Nazista, exilando-se na Áustria, Suíça, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Inglaterra, Rússia e finalmente nos Estados Unidos. Recebeu o Prêmio Lênin da Paz em 1954. Como ele mesmo disse viveu em tempos negros: viu a 1a Grande Guerra, viu a Revolução ser massacrada na Alemanha e seus líderes serem barbaramente assassinados, assim como milhares de operários e também as lideranças sindicais.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Viu a fome nos anos 20, viu a ascensão de Hitler, viu a perseguição de perto. Em 1933 viu o incêndio do Parlamento Alemão &#8211; o Reichstag &#8211; e compreende que tinha chegado uma nova era… Sabia que os próprios nazistas tinham colocado fogo no parlamento e colocado a culpa nos comunistas. As perseguições iam aumentar. Era hora de fugir.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">A partir daí fugiu de país em país, sempre com a mala em cima do armário, sabendo sempre que não era bem vindo. Finalmente nos Estados Unidos sentiu na carne o que era a Caça às Bruxas. O anticomunismo estava mais forte do que nunca no país que se dizia a terra da liberdade.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">A pesar de todas as perseguições &#8211; ou talvez justamente por elas &#8211; Brecht nunca parou de escrever. Escreveu de tudo: poesia, teatro, ensaios, roteiros de cinema. Mas apesar da sua produção ser enorme tinha grandes dificuldades para sobreviver: dinheiro curto, dificuldades com a língua (por causa das sucessivas mudanças de país), e, sobretudo o constante rótulo &#8211; comunista.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Brecht é uma época. Uma época tumultuosa de rebeldia e de protesto. Refletem-se, em suas obras, os problemas fundamentais do mundo atual: a luta pela emancipação social da humanidade. Brecht tem plena consciência do que pretende fazer. Usa o materialismo dialético da maneira mais sábia para a revolução estética que se dispôs a promover na poesia e no teatro.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">O teatro épico e didático caracteriza-se, em Brecht, pelo cunho narrativo e descritivo cujo tema é apresentar os acontecimentos sociais em seu processo dialético: Diverte e faz pensar. Não se limita a explicar o mundo, pois se dispõe a modificá-lo. É um teatro que atua, ao mesmo tempo, como ciência e como arte.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">A alienação do homem, para Brecht, não se manifesta como produto da intuição artística. Brecht ocupa-se dela de maneira consciente e proposital. Mas não basta compreendê-la e focalizá-la. O essencial não é a alienação em si, mas o esforço histórico para a desalienação do homem.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">O papel do autor dramático não se reduz a reproduzir, em sua obra, a sociedade de seu tempo. O principal objetivo quer pelo conteúdo, quer pela forma, e exercer uma função transformadora, que atue revolucionariamente sobre o ‘ambiente social. Abandonou a Alemanha após a subida de Hitler ao poder, tendo passado a maior parte do exílio na América, de onde regressou apenas em 1948. Influenciado pela filosofia marxista e ainda pela sabedoria oriental &#8211; Brecht afasta das suas peças dramáticas todos os tradicionais elementos pitorescos e mágicos, reservando-lhes uma função didática; o teatro da era científica, fazendo mais apelo à razão do que ao sentimento, deve desencadear no espectador uma tomada de consciência que o conduza a ação política imediata.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #008080;">Obra</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">As suas principais influências foram Constantin Stanislavski, Vsevolod Emilevitch Meyerhold e Erwin Piscator. Stanislavski é o primeiro revolucionário, e suas teorias servem de base para o trabalho de Meyerhold e seu “método biomecânico” cuja principal intenção é fazer com que o ator exprima as nuanças psicológicas de seu personagem através de uma “máscara pantomímica”. Ele já desenvolve a técnica de comentar o texto através do gesto, inspiração asiática evidente no teatro de Brecht.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">A contribuição de Piscator é a noção de um teatro propagandístico e educativo. É ele quem abre caminho para o verdadeiro teatro épico teorizado e executado por Brecht. Também foram influências significativas os seus estudos sobre Sociologia e o marxismo. Brecht Theater &#8211; Berlim Podem ser identificadas duas motivações principais para o Teatro Épico de Brecht: • a concepção marxista do Homem, um ser que deve ser entendido observando-se o conjunto de todas as relações sociais de que participa. Para Brecht, a forma épica é a única capaz de apresentar as determinantes sociais das relações inter-humanas. • o seu intuito didático, a necessidade de um “palco científico” capaz de desmistificar as relações da sociedade, esclarecendo o público e suscitando a ação transformadora.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Algumas de suas principais obras são: Um Homem É um Homem, em que cresce a idéia do homem como um ser transformável, Mãe Coragem e Seus Filhos, sobre a Guerra dos Trinta Anos, escrita no exílio no começo da Segunda Guerra Mundial, e A Vida de Galileu, drama biográfico com o qual Brecht encontra definitivamente o caminho do teatro dialético. Afirma Bernard Dort a respeito deste último: … Galileu foi escrita, pelo menos originalmente, para servir de exemplo e de conselho aos sábios alemães tentados a abdicar seu saber nas mãos dos chefes nazistas. Além dessas, escreveu Seu Puntila e seu Criado Matti, A Irresistível Ascenção de Arturo Ui, O Círculo de Giz Caucasiano e A Boa Alma de Setzuan.</span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-872" title="arte-escultura-alemanha-bertolt-brecht-escultura-de-bronze-por-fritz-cremer-praca-bertolt-brecht-em-berlim-225x300[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/07/arte-escultura-alemanha-bertolt-brecht-escultura-de-bronze-por-fritz-cremer-praca-bertolt-brecht-em-berlim-225x3001.jpg" alt="arte-escultura-alemanha-bertolt-brecht-escultura-de-bronze-por-fritz-cremer-praca-bertolt-brecht-em-berlim-225x300[1]" width="225" height="300" /></p>
<div style="text-align: center;"></div>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #008080;">Teatro Épico</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Além de dramaturgo e diretor, Brecht foi responsável por aprofundar o método de interpretação do teatro épico, uma das grandes teorias de interpretação do século xx. Uma das grandes influências no desenvolvimento desta forma de interpretação foi a arte do ator Mei Lan-Fang, que Brecht acompanhou numa representação em Moscou.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Descreve Brecht em Escritos sobre Teatro um relato deste ator chinês que informa muito sobre a forma de interpretação no teatro épico, ao representar papéis femininos. “Mei Lan-Fang repetira várias vezes numa palestra, por seu tradutor, que ele representava personagens femininos em cena, mas que não era imitador de mulheres “.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Continua Brecht, descrevendo uma demonstração das técnicas deste ator num encontro, que este ator, de terno, executava certos movimentos femininos, ressaltando sempre a presença de duas personagens, um que apresentava e outro que era apresentado. Brecht sublinha que o ator chinês não pretendia andar e chorar como uma mulher, mas como uma determinada mulher (pg40, vol2). Interpretação Épica No início de sua carreira Brecht estabelece os elementos de uma nova forma de interpretação para o ator. Em, a propósito dos critérios de apreciação da arte dramática, defende o ator Peter Lore de críticas negativas dizendo que uma interpretação gestual levará o público a exercer uma operação crítica do comportamento humano.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Afirma que cada palavra deve encontrar um significado visual e através do gesto o espectador pode compreender as alternativas da cena. (Peixoto, 1974, 2. edição, pg; 68). Peixoto descreve que para Brecht a interpretação gestual deve muito ao cinema mudo, principalmente a Chaplin, que elaborara uma nova forma de figuração do pensamento humano (Peixoto, 1974, 2. edição, pg; 68). Esta preocupação levará a que Brecht defina o conceito de gestus na interpretação e montagem de suas peças.</span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-873" title="another-view-of-the-grave-of-bertolt-brecht-and-helen-weigel-dorotheenstadtischer-friedhof-berlin-germany-225x300[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/07/another-view-of-the-grave-of-bertolt-brecht-and-helen-weigel-dorotheenstadtischer-friedhof-berlin-germany-225x3001.jpg" alt="another-view-of-the-grave-of-bertolt-brecht-and-helen-weigel-dorotheenstadtischer-friedhof-berlin-germany-225x300[1]" width="225" height="300" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #808080;"><br />
</span></p>
<blockquote><p><span style="color: #000000;"><span style="color: #008080;">Brecht por Edmundo Moniz -</span> <a href="http://www.culturabrasil.org/brecht.htm" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.culturabrasil.org/brecht.htm?referer=');">site</a></span></p></blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Brecht é uma época. Uma época tumultuosa de rebeldia e de protesto. Refletem-se, em suas obras, os problemas fundamentais do mundo atual: a luta pela emancipação social da humanidade. Brecht tem plena consciência do que pretende fazer. Usa o materialismo dialético da maneira mais sábia para a revolução estética que se dispôs a promover na poesia e no teatro. O teatro épico e didático caracteriza-se, em Brecht, pelo cunho narrativo e descritivo cujo tema é apresentar os acontecimentos sociais em seu processo dialético: Diverte e faz pensar. Não se limita a explicar o mundo, pois se dispõe a modificá-lo. É um teatro que atua, ao mesmo tempo, como ciência e como arte. A alienação do homem, para Brecht, não se manifesta como produto da intuição artística.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Brecht ocupa-se dela de maneira consciente e proposital. Mas não basta compreendê-la e focalizá-la. O essencial não é a alienação em si, mas o esforço histórico para a desalienação do homem. O papel do autor dramático não se reduz a reproduzir, em sua obra, a sociedade de seu tempo. O principal objetivo quer pelo conteúdo, quer pela forma, e exercer uma função transformadora, que atue revolucionariamente sobre o ‘ambiente social.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #008080;">Galileu</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Brecht, que passou pelo expressionismo, não ancorou o seu barco em nenhum dos portos das escolas literárias. Apesar de ligado ao Partido Comunista, não se subordinou ao realismo socialista.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Ao contrário, opôs-se a ele com ardente tenacidade. Daí a repulsa das autoridades soviéticas pelas suas peças teatrais que foram proibidas de serem representadas na Rússia de Stalin. Muito embora Brecht não se tivesse pronunciado abertamente contra os processos de Moscou, em virtude da pressão que sofreu no ocidente, sob o pretexto de que o combate a Stalin significava o fortalecimento de Hitler e do nazismo, foi com profundo horror que ele acompanhou os trágicos acontecimentos que levaram os principais dirigentes da revolução russa, companheiros de Lênin, a confessar, antes ser fuzilados, uma série de crimes hediondos que jamais cometeram.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Foram estas falsas confissões, segundo Isaac Deutscher, que levaram Brecht a escrever Galileu Galilei, talvez a mais importante de suas obras dramáticas. A muito de Kamenev, de Zinoviev e de Bukharin no genial astrônomo que, vítima da Inquisição, atirado no cárcere, diante dos instrumentos de tortura, se viu na contingência de renegar as próprias idéias.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">A incompatibilidade de Brecht com o regime stalinista era tão aguda que, ao exilar-se da Alemanha de Hitler, preferiu asilar-se nos Estados Unidos, onde se sentiu mais seguro.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #008080;">Brecht e Shakespeare</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">É muito comum comparar-se Brecht a Shakespeare. O motivo da associação entre um e outro é o paralelismo histórico dos períodos em que eles viveram. Shakespeare surgiu no Renascimento, na decadência do regime feudal, e alvorecer da burguesia, Brecht apareceu na fase crepuscular da burguesia, em plena ascensão do movimento operário. Ambos viveram em períodos congêneres de transição social. Em certos aspectos, Brecht é uma chave para Shakespeare. Shakespeare, em quase todas as suas obras, passava da poesia para a prosa e da prosa para a poesia. Acreditavam os estudiosos de sua obra que a razão desta simultaneidade estava na premência do tempo.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Shakespeare não chegava a pôr em versos, do começo ao fim, a peça que escrevia porque tinha de aprontá-la o mais rápido possível, dentro de prazos marcados, para levá-la ao palco. A pressa o impedia de dar o arremate final. Deixava sempre para completá-la mais tarde, quando dispusesse de tempo. A forma definitiva ficava adiada para um futuro incerto. Nunca, porém, chegou a hora de executar o que pretendera. Este modo de ver exige uma revisão. Brecht empregava também, simultaneamente, em suas peças teatrais, a prosa e a poesia sem que estivesse disposto a dar-lhes, no futuro, uma forma diferente, pondo-as todas em versos.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">O erro de julgamento quanto ao uso do verso e da prosa por Shakespeare, em sua obra dramática, está na velha tendência de compará-lo a Corneille, Racine e Molière, que não misturavam a prosa com a poesia. Shakespeare, mais espontâneo do que os clássicos franceses, mais plástico, mais livre, não se apagava, como aqueles, à pureza da forma. Passava do verso para a prosa quando julgava que certas idéias ficariam mais bem expressas em prosa do que em versos.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">De grande importância, para ele, era o efeito no palco, o lado puramente teatral que deveriam estar acima da métrica e da estilística. Não havia necessidade de manter-se só a prosa ou só a poesia. Preferia jogar com uma e com outra como julgasse mais adequado. Esta independência tornava mais fácil o jogo das palavras e dos diálogos. Não prejudicava a estrutura da obra dramática. Só contribuía para valorizá-la. Brecht chegou às mesmas conclusões de Shakespeare quatro séculos depois. E da maneira tão indicada, tão aceitável e tão proveitosa.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #008080;">Arte e Ciência</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">As realizações práticas, de Brecht, nó teatro, foram acompanhadas de suas conclusões no terreno da estética: Não se tratava de tentativas empíricas, mas da aplicação de uma teoria que considerava científica. Daí seus estudos sobre uma arte dramática não aristotélica, sem submissão ou obediência às regras secularmente estabelecidas. Brecht colocou-se à margem de todo o esquematismo das escolas literárias: Aceitando a concepção de Hegel de que há nos fenômenos artísticos uma realidade superior a uma existência mais verdadeira em comparação com a realidade habitual, chegou a Marx com a extraordinária independência de seu gênio poético e teatral.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Como Shakespeare, ele soube usar, na época atual, o heróico e o lírico, o dramático e o cômico, o grave e o ridículo, dando à sua obra um sentido universal. Brecht confessa que, embora a arte e a ciência atuem de modos diferentes, não lhe era possível subsistir como artista sem servir-se da ciência. “Do que necessitamos de fato &#8211; escreve Brecht &#8211; é de uma arte que domine a natureza, necessitamos de uma realidade moldada pela arte e de uma arte natural”.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Acrescenta: “Não nos podemos esquecer de que somos filhos de uma era científica”. Insiste: “A ciência e a arte têm, de comum, o fato de que ambas existem para simplificar a vida do homem: uma ocupada com sua subsistência material e a outra, em proporcionar-lhe uma agradável diversão”. E conclui: “Tal como a transformação da natureza, a transformação da sociedade é um ato de libertação. Cabe ao teatro de uma época científica transmitir o júbilo desta libertação”.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Quando Brecht liga a arte à ciência procura justificar o seu papel atuante nas letras sociais e políticas do mundo atual. O teatro de Brecht é eminentemente político. Não de forma indireta, mas aberta e declaradamente. Pode-se dizer: um teatro a serviço da causa operária, da revolução social. Daí o seu caráter épico e didático.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #008080;">Nazismo e Exílio</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Em 1933, quando Adolfo Hitler, à frente do Terceiro Reich estabeleceu o nazismo na Alemanha, inaugurando uma nova ordem que, segundo ele, deveria durar dez mil anos, Bertolt Brecht, com trinta e cinco anos de idade, abandonou o país, asilando-se em várias cidades da Europa.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Suas obras, em Berlim, foram queimadas em praça pública com tantas outras dos mais famosos escritores da época. No dia em que a Alemanha invadiu a Dinamarca, Brecht, que se encontrava neste país, fugiu para a Finlândia. Dali partiu para Vladivostok, onde embarcou para os Estados Unidos. No exílio, que durou até o fim da Segunda Guerra Mundial, publicou vários poemas que contribuem para sua glória literária tanto como suas peças teatrais. Brecht não se cansou de fustigar violentamente a figura de Hitler, mostrando os crimes do nazismo. De volta à Alemanha, depois do desmoronamento deste regime, continuou a lutar, como marxista, pela causa operária. Ao morrer, em 1956, o mundo inteiro reconhecia a grandeza de sua obra.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #008080;">O Objetivo da Poesia Moderna</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Brecht tem, sobre a poesia, o mesmo pensamento que tem sobre a arte dramática. Maneja-a da maneira mais sábia em defesa da liberdade do homem. Há, em seus poemas, o mesmo sentido épico e didático de suas peças teatrais. Recusa-se a aceitar uma poesia alheia aos acontecimentos sociais. Exige que ela seja atuante sem perder, entretanto, o seu sentido artístico. A poesia moderna deve estar ao lado da revolução. O êxito excepcional do teatro e da poesia de Brecht confirma a justeza de seus pontos-de-vista. Sua arte é duplamente revolucionária: no fundo e na forma. Não só se opõe à estética de Aristóteles como não se submete ao convencionalismo e aos preconceitos sociais. Escreve independentemente como acha que se deve escrever.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Não conseguireis desgostar-me da guerra. Diz-se que ela destrói os fracos, mas a paz faz o mesmo.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;"><span style="color: #008080;"><strong>Textos e Poesias</strong></span></span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Para quem tem uma boa posição social, / falar de comida é coisa baixa. / É compreensível: eles já comeram. Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem. A vida é curta e o dinheiro também. Temam menos a morte e mais a vida insuficiente. Apenas a violência pode servir onde reina a violência, e / apenas os homens podem servir onde existem homens. De todas as coisas seguras, / a mais segura é a dúvida. Primeiro vem o estômago, depois a moral.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Um homem tem sempre medo de uma mulher que o ame muito.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">O que não sabe é um ignorante, mas o que sabe e não diz nada é um criminoso.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Quem não conhece a verdade não passa de um tolo; mas quem a conhece e a chama de mentira é um criminoso!</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">O amor é a arte de criar algo com a ajuda da capacidade do outro.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">A confiança pode exaurir-se caso seja muito exigida.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Perante um obstáculo, a linha mais curta entre dois pontos pode ser a curva.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Pão e um gole de leite são vitórias! / Um quarto quente: uma batalha vencida! / Para te fazer crescer / Devo combater dia e noite.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Apenas quando somos instruídos pela realidade é que podemos mudá-la.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #008080;"><strong><span>Poesias</span></strong></span></p>
</blockquote>
<p><span style="color: #008080;">O Uso das Palavras Obscenas</span><br />
Desmedido eu que vivo com medida<br />
Amigos, deixai-me que vos explique<br />
Com grosseiras palavras vos fustigue<br />
Como se aos milhares fossem nesta vida!</p>
<p>Há palavras que a foder dão euforia:<br />
Para o fodidor, foda é palavra louca<br />
E se a palavra traz sempre na boca<br />
Qualquer colchão furado o alivia.</p>
<p>O puro fodilhão é de enforcar!<br />
Se ela o der até se esvaziar: bem.<br />
Maré não lava o que a arvore retém!</p>
<p>Só não façam lavagem ao juízo!<br />
Do homem a arte é: foder e pensar.<br />
(Mas o luxo do homem é: o riso).</p>
<p><span style="color: #008080;">Aula de Amor</span><br />
Mas, menina, vai com calma<br />
Mais sedução nesse grasne:<br />
Carnalmente eu amo a alma<br />
E com alma eu amo a carne.</p>
<p>Faminto, me queria eu cheio<br />
Não morra o cio com pudor<br />
Amo virtude com traseiro<br />
E no traseiro virtude pôr.</p>
<p>Muita menina sentiu perigo<br />
Desde que o deus no cisne entrou<br />
Foi com gosto ela ao castigo:<br />
O canto do cisne ele não perdoou.</p>
<p><span style="color: #008080;">Ah! Desgraçados!</span><br />
Um irmão é maltratado e vocês olham para o outro lado?<br />
Grita de dor o ferido e vocês ficam calados?<br />
A violência faz a ronda e escolhe a vítima,<br />
e vocês dizem: “a mim ela está poupando, vamos fingir que não estamos olhando”.<br />
Mas que cidade?<br />
Que espécie de gente é essa?<br />
Quando campeia em uma cidade a injustiça,<br />
é necessário que alguém se levante.<br />
Não havendo quem se levante,<br />
é preferível que em um grande incêndio,<br />
toda cidade desapareça,<br />
antes que a noite desça.</p>
<p><span style="color: #008080;">A Exceção e a Regra</span><br />
Estranhem o que não for estranho.<br />
Tomem por inexplicável o habitual.<br />
Sintam-se perplexos ante o cotidiano.<br />
Tratem de achar um remédio para o abuso.<br />
Mas não se esqueçam<br />
de que o abuso é sempre a regra.</p>
<p><span style="color: #008080;">A Cruz de Giz</span><br />
Eu sou uma criada. Eu tive um romance<br />
Com um homem que era da SA.<br />
Um dia, antes de ir<br />
Ele me mostrou, sorrindo, como fazem<br />
Para pegar os insatisfeitos.<br />
Com um giz tirado do bolso do casaco<br />
Ele fez uma pequena cruz na palma da mão.<br />
Ele contou que assim, e vestido à paisana<br />
anda pelas repartições do trabalho<br />
Onde os empregados fazem fila e xingam<br />
E xinga junto com eles, e fazendo isso<br />
Em sinal de aprovação e solidariedade<br />
Dá um tapinha nas costas do homem que xinga<br />
E este, marcado com a cruz branca<br />
é apanhado pela SA. Nós rimos com isso.<br />
Andei com ele um ano, então descobri<br />
Que ele havia retirado dinheiro<br />
Da minha caderneta de poupança.<br />
Havia dito que a guardaria para mim<br />
Pois os tempos eram incertos.<br />
Quando lhe tomei satisfações, ele jurou<br />
Que suas intenções eram honestas. Dizendo isso<br />
Pôs a mão em meu ombro para me acalmar.<br />
Eu corri, aterrorizada. Em casa<br />
Olhei minhas costas no espelho, para ver<br />
Se não havia uma cruz branca.</p>
<p><span style="color: #008080;">A Fumaça</span><br />
A pequena casa entre árvores no lago.<br />
Do telhado sobe fumaça<br />
Sem ela<br />
Quão tristes seriam<br />
Casa, árvores e lago.</p>
<p><span style="color: #008080;">A Máscara do Mal</span><br />
Em minha parede há uma escultura de madeira japonesa<br />
Máscara de um demônio mau, coberta de esmalte dourado.<br />
Compreensivo observo<br />
As veias dilatadas da fronte, indicando<br />
Como é cansativo ser mal</p>
<p><span style="color: #008080;">A Minha Mãe</span><br />
Quando ela acabou, foi colocada na terra<br />
Flores nascem borboletas esvoejam por cima…<br />
Ela, leve, não fez pressão sobre a terra<br />
Quanta dor foi preciso para que ficasse tão leve!</p>
<p><span style="color: #008080;">Acredite Apenas</span><br />
Acredite apenas no que seus olhos vêem e seus ouvidos<br />
Ouvem!<br />
Também não acredite no que seus olhos vêem e seus<br />
Ouvidos ouvem!<br />
Saiba também que não crer algo significa algo crer!</p>
<p><span style="color: #008080;">A Troca da Roda</span><br />
Estou sentado à beira da estrada,<br />
o condutor muda a roda.<br />
Não me agrada o lugar de onde venho.<br />
Não me agrada o lugar para onde vou.<br />
Por que olho a troca da roda<br />
com impaciência?</p>
<p><span style="color: #008080;">As Boas Ações</span><br />
Esmagar sempre o próximo<br />
não acaba por cansar?<br />
Invejar provoca um esforço<br />
que inchas as veias da fronte.<br />
A mão que se estende naturalmente<br />
dá e recebe com a mesma facilidade.<br />
Mas a mão que agarra com avidez<br />
rapidamente endurece.<br />
Ah! que delicioso é dar!<br />
Ser generoso que bela tentação!<br />
Uma boa palavra brota suavemente<br />
como um suspiro de felicidade!</p>
<p><span style="color: #008080;">Aos que virão depois de nós</span><br />
I</p>
<p>Eu vivo em tempos sombrios.<br />
Uma linguagem sem malícia é sinal de<br />
estupidez,<br />
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.<br />
Aquele que ainda ri é porque ainda não<br />
recebeu a terrível notícia.</p>
<p>Que tempos são esses, quando<br />
falar sobre flores é quase um crime.<br />
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?<br />
Aquele que cruza tranqüilamente a rua<br />
já está então inacessível aos amigos<br />
que se encontram necessitados?</p>
<p>É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.<br />
Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço<br />
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.<br />
Por acaso estou sendo poupado.<br />
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)</p>
<p>Dizem-me: come e bebe!<br />
Fica feliz por teres o que tens!<br />
Mas como é que posso comer e beber,<br />
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?<br />
se o copo de água que eu bebo, faz falta a<br />
quem tem sede?<br />
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.</p>
<p>Eu queria ser um sábio<br />
Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:<br />
Manter-se afastado dos problemas do mundo<br />
e sem medo passar o tempo que se tem para<br />
viver na terra;<br />
Seguir seu caminho sem violência,<br />
pagar o mal com o bem,<br />
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.<br />
Sabedoria é isso!<br />
Mas eu não consigo agir assim.<br />
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!</p>
<p>II</p>
<p>Eu vim para a cidade no tempo da desordem,<br />
quando a fome reinava.<br />
Eu vim para o convívio dos homens no tempo<br />
da revolta<br />
e me revoltei ao lado deles.<br />
Assim se passou o tempo<br />
que me foi dado viver sobre a terra.<br />
Eu comi o meu pão no meio das batalhas,<br />
deitei-me entre os assassinos para dormir,<br />
Fiz amor sem muita atenção<br />
e não tive paciência com a natureza.<br />
Assim se passou o tempo<br />
que me foi dado viver sobre a terra.</p>
<p>III</p>
<p>Vocês, que vão emergir das ondas<br />
em que nós perecemos, pensem,<br />
quando falarem das nossas fraquezas,<br />
nos tempos sombrios<br />
de que vocês tiveram a sorte de escapar.</p>
<p>Nós existíamos através da luta de classes,<br />
mudando mais seguidamente de países que de<br />
sapatos, desesperados!<br />
quando só havia injustiça e não havia revolta.</p>
<p>Nós sabemos:<br />
o ódio contra a baixeza<br />
também endurece os rostos!<br />
A cólera contra a injustiça<br />
faz a voz ficar rouca!<br />
Infelizmente, nós,<br />
que queríamos preparar o caminho para a<br />
amizade,<br />
não pudemos ser nós mesmos, bons amigos.<br />
Mas vocês, quando chegar o tempo<br />
em que o homem seja amigo do homem,<br />
pensem em nós<br />
com um pouco de compreensão.</p>
<p><span style="color: #008080;">Com Cuidado Examino</span><br />
Com cuidado examino<br />
Meu plano: ele é<br />
Grande, ele é<br />
Irrealizável.</p>
<p><span style="color: #008080;">Como Bem Sei</span><br />
Como bem sei<br />
Os impuros viajam para o inferno<br />
Através do céu inteiro.<br />
São levados em carruagens transparentes:<br />
Isto embaixo de vocês lhe dizem<br />
É o céu.<br />
Eu sei que lhes dizem isso<br />
Pois imagino<br />
Que justamente entre eles<br />
Há muitos que não o reconheceriam, pois eles<br />
Precisamente<br />
Imaginavam-no mais radiante</p>
<p><span style="color: #008080;">Da Sedução dos Anjos</span><br />
Anjos seduzem-se: nunca ou a matar.<br />
Puxa-o só para dentro de casa e mete-lhe<br />
a língua na boca e os dedos sem frete<br />
Por baixo da saia até se molhar<br />
Vira-o contra a parede, ergue-lhe a saia<br />
E fode-o. Se gemer, algo crispado<br />
Segura-o bem, fá-lo vir-se em dobrado<br />
Para que do choque no fim te não caia.</p>
<p>Exorta-o a que agite bem o cú<br />
Manda-o tocar-te os guizos atrevido<br />
Diz que ousar na queda lhe é permitido<br />
Desde que entre o céu e a terra flutue -</p>
<p>Mas não o olhes na cara enquanto fodes<br />
E as asas, rapaz, não lhas amarrotes.</p>
<p><span style="color: #008080;">Das elegias de Buckow</span><br />
Viesse um vento<br />
Eu poderia alçar vela.<br />
Faltasse vela<br />
Faria uma de pano e pau.</p>
<p><span style="color: #008080;">De que serve a bondade</span><br />
1<br />
De que serve a bondade<br />
Se os bons são imediatamente liquidados, ou são liquidados<br />
Aqueles para os quais eles são bons?</p>
<p>De que serve a liberdade<br />
Se os livres têm que viver entre os não-livres?</p>
<p>De que serve a razão<br />
Se somente a desrazão consegue o alimento de que todos necessitam?</p>
<p>2<br />
Em vez de serem apenas bons, esforcem-se<br />
Para criar um estado de coisas que torne possível a bondade<br />
Ou melhor: que a torne supérflua!</p>
<p>Em vez de serem apenas livres, esforcem-se<br />
Para criar um estado de coisas que liberte a todos<br />
E também o amor à liberdade<br />
Torne supérfluo!</p>
<p>Em vez de serem apenas razoáveis, esforcem-se<br />
Para criar um estado de coisas que torne a desrazão de um indivíduo<br />
Um mau negócio.</p>
<p><span style="color: #008080;">Elogio da Dialética</span><br />
A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.<br />
Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.<br />
Só a força os garante.<br />
Tudo ficará como está.<br />
Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores.<br />
No mercado da exploração se diz em voz alta:<br />
Agora acaba de começar:<br />
E entre os oprimidos muitos dizem:<br />
Não se realizará jamais o que queremos!<br />
O que ainda vive não diga: jamais!<br />
O seguro não é seguro. Como está não ficará.<br />
Quando os dominadores falarem<br />
falarão também os dominados.<br />
Quem se atreve a dizer: jamais?<br />
De quem depende a continuação desse domínio?<br />
De quem depende a sua destruição?<br />
Igualmente de nós.<br />
Os caídos que se levantem!<br />
Os que estão perdidos que lutem!<br />
Quem reconhece a situação como pode calar-se?<br />
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.<br />
E o “hoje” nascerá do “jamais”.</p>
<p><span style="color: #008080;">Elogio do Revolucionário</span><br />
Quando aumenta a repressão, muitos desanimam.<br />
Mas a coragem dele aumenta.<br />
Organiza sua luta pelo salário, pelo pão<br />
e pela conquista do poder.<br />
Interroga a propriedade:<br />
De onde vens?<br />
Pergunta a cada idéia:<br />
Serves a quem?<br />
Ali onde todos calam, ele fala<br />
E onde reina a opressão e se acusa o destino,<br />
ele cita os nomes.<br />
À mesa onde ele se senta<br />
se senta a insatisfação.<br />
À comida sabe mal e a sala se torna estreita.<br />
Aonde o vai a revolta<br />
e de onde o expulsam<br />
persiste a agitação.</p>
<p><span style="color: #008080;">Epístola sobre o suicídio</span><br />
Matar-se<br />
É coisa banal.<br />
Pode-se conversar com a lavadeira sobre isso.<br />
Discutir com um amigo os prós e os contras.<br />
Um certo pathos, que atrai<br />
Deve ser evitado.<br />
Embora isto não precise absolutamente ser um dogma.<br />
Mas melhor me parece, porém<br />
Uma pequena mentira como de costume:<br />
Você está cheio de trocar a roupa de cama, ou melhor,<br />
Ainda:<br />
Sua mulher foi infiel<br />
(Isto funciona com aqueles que ficam surpresos com<br />
essas coisas<br />
E (não é muito impressionante.)<br />
De qualquer modo<br />
Não deve parecer<br />
Que a pessoa dava<br />
Importância demais a si mesmo</p>
<p><span style="color: #008080;">Epitáfio para Gorki</span><br />
Aqui jaz<br />
O enviado dos bairros da miséria<br />
O que descreveu os atormentadores do povo<br />
E aqueles que os combateram<br />
O que foi educado nas ruas<br />
O de baixa extração<br />
Que ajudou a abolir o sistema de Alto a Baixo<br />
O mestre do povo<br />
Que aprendeu com o povo.</p>
<p><span style="color: #008080;">Esse desemprego!</span><br />
Meus senhores é mesmo um problema<br />
Esse desemprego!<br />
Com satisfação acolhemos<br />
Toda oportunidade<br />
De discutir a questão.<br />
Quando queiram os senhores! A todo momento!<br />
Pois o desemprego é para o povo<br />
Um enfraquecimento.<br />
Para nós é inexplicável<br />
Tanto desemprego.<br />
Algo realmente lamentável<br />
Que só traz desassossego.<br />
Mas não se deve na verdade</p>
<p>Dizer que é inexplicável<br />
Pois pode ser fatal<br />
Dificilmente nos pode trazer<br />
A confiança das massas<br />
Para nós imprescindível.<br />
É preciso que nos deixem valer<br />
Pois seria mais que temível<br />
Permitir ao caos vencer<br />
Num tempo tão pouco esclarecido!<br />
Algo assim não se pode conceber<br />
Com esse desemprego!<br />
Ou qual a sua opinião?<br />
Só nos pode convir<br />
Esta opinião: o problema<br />
Assim como veio, deve sumir.<br />
Mas a questão é: nosso desemprego<br />
Não será solucionado<br />
Enquanto os senhores não<br />
Ficarem desempregados!</p>
<p><span style="color: #008080;">Eu sempre pensei</span><br />
E eu sempre pensei: as mais simples palavras<br />
Devem bastar. Quando eu disser como e<br />
o coração de cada um ficará dilacerado.<br />
Que sucumbiras se não te defenderes<br />
Isso logo veras.</p>
<p><span style="color: #008080;">Expulso por bom motivo</span><br />
Eu cresci como filho<br />
De gente abastada. Meus pais<br />
Me colocaram um colarinho, e me educaram<br />
No hábito de ser servido<br />
E me ensinaram a dar ordens. Mas quando<br />
Já crescido, olhei em torno de mim<br />
Não me agradaram as pessoas da minha classe e me juntei<br />
À gente pequena.</p>
<p><span style="color: #008080;">Assim</span><br />
Eles criaram um traidor, ensinaram-lhe<br />
Suas artes, e ele<br />
Denuncia-os ao inimigo.<br />
Sim, eu conto seus segredos. Fico<br />
Entre o povo e explico<br />
Como eles trapaceiam, e digo o que virá, pois<br />
Estou instruído em seus planos.<br />
O latim de seus clérigos corruptos<br />
Traduzo palavra por palavra em linguagem comum,</p>
<p><span style="color: #008080;">Então</span><br />
Ele se revela uma farsa. Tomo<br />
A balança da sua justiça e mostro<br />
Os pesos falsos. E os seus informantes relatam<br />
Que me encontro entre os despossuídos, quando<br />
Tramam a revolta.<br />
Eles me advertiram e me tomaram<br />
O que ganhei com meu trabalho. E quando me corrigi<br />
Eles foram me caçar, mas<br />
Em minha casa<br />
Encontraram apenas escritos que expunham<br />
Suas tramas contra o povo. Então<br />
Enviaram uma ordem de prisão<br />
Acusando-me de ter idéias baixas, isto é<br />
As idéias da gente baixa.<br />
Aonde vou sou marcado<br />
Aos olhos dos possuidores.<br />
Mas os despossuídos<br />
Lêem a ordem de prisão<br />
E me oferecem abrigo. Você, dizem<br />
Foi expulso por bom motivo.</p>
<p><span style="color: #008080;">Ferro</span><br />
No sonho esta noite<br />
Vi um grande temporal.<br />
Ele atingiu os andaimes<br />
Curvou a viga feita<br />
A de ferro.<br />
Mas o que era de madeira<br />
Dobrou-se e ficou.</p>
<p><span style="color: #008080;">Jamais te amei tanto</span><br />
Jamais te amei tanto, ma soeur<br />
Como ao te deixar naquele pôr do sol<br />
O bosque me engoliu, o bosque azul, ma soeur<br />
Sobre o qual sempre ficavam as estrelas pálidas<br />
No Oeste.<br />
Eu ri bem pouco, não ri, ma soeur<br />
Eu que brincava ao encontro do destino negro -<br />
Enquanto os rostos atrás de mim lentamente<br />
Iam desaparecendo no anoitecer do bosque azul.<br />
Tudo foi belo nessa tarde única, ma soeur<br />
Jamais igual, antes ou depois -<br />
É verdade que me ficaram apenas os pássaros<br />
Que à noite sentem fome no negro céu.</p>
<p><span style="color: #008080;">Lendo Horácio</span><br />
Mesmo o dilúvio<br />
Não durou eternamente.<br />
Veio o momento em que<br />
As águas negras baixaram.<br />
Sim, mas quão poucos<br />
Sobreviveram!</p>
<p><span style="color: #008080;">Louvor ao estudo</span><br />
Estuda o elementar: para aqueles<br />
cuja hora chegou<br />
não é nunca demasiado tarde.<br />
Estuda o abc. Não basta, mas<br />
Estuda. Não te canses.</p>
<p>Começa. Tens de saber tudo.<br />
Estás chamado a ser um dirigente.<br />
Freqüente a escola, desamparado!<br />
Persegue o saber, morto de frio!</p>
<p>Empunha o livro, faminto! É uma arma!<br />
Estás chamado á ser um dirigente.<br />
Não temas perguntar, companheiro!<br />
Não te deixes convencer!<br />
Compreende tudo por ti mesmo.</p>
<p>O que não sabes por ti, não o sabes.<br />
Confere a conta. Tens de pagá-la.<br />
Aponta com teu dedo a cada coisa<br />
e pergunta: “Que é isto? e como é?”<br />
Estás chamado a ser um dirigente.</p>
<p>Na guerra muitas coisas crescerão<br />
Ficarão maiores As propriedades dos que possuem<br />
E a miséria dos que não possuem<br />
As falas do guia*<br />
E o silêncio dos guiados.</p>
<p>*Führer</p>
<p><span style="color: #008080;">Na morte de um combatente da paz</span><br />
<em>Á memória de Carl von Ossietzky</em></p>
<p>Aquele que não cedeu<br />
Foi abatido<br />
O que foi abatido<br />
Não cedeu.<br />
A boca do que preveniu<br />
Está cheia de terra.<br />
A aventura sangrenta<br />
Começa.<br />
O túmulo do amigo da paz<br />
É pisoteado por batalhões.<br />
Então a luta foi em vão?<br />
Quando é abatido o que não lutou só<br />
O inimigo<br />
Ainda não venceu.</p>
<p><span style="color: #008080;">Nada é impossível de mudar</span><br />
Desconfiai do mais trivial,<br />
na aparência singelo.<br />
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.<br />
Suplicamos expressamente:<br />
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,<br />
pois em tempo de desordem sangrenta,<br />
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,<br />
de humanidade desumanizada,<br />
nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.</p>
<p><span style="color: #008080;">Não necessito de pedra tumular</span><br />
Não necessito de pedra tumular, mas<br />
Se necessitarem de uma para mim<br />
Gostaria que nela estivesse:<br />
Ele fez sugestões<br />
Nos as aceitamos.<br />
Por tal inscrição<br />
Estaríamos todos honrados.</p>
<p><span style="color: #008080;">No muro estava escrito com giz</span><br />
Eles querem a guerra.<br />
Quem escreveu<br />
Já caiu.</p>
<p><span style="color: #008080;">No segundo ano de minha fuga</span><br />
No segundo ano de minha fuga<br />
Li em um jornal, em língua estrangeira<br />
Que eu havia perdido minha cidadania.<br />
Não fiquei triste nem alegre<br />
Ao ver meu nome entre muitos outros<br />
Bons e maus.<br />
A sina dos que fugiam não me pareceu pior<br />
Do que a sina dos que ficavam.</p>
<p><span style="color: #008080;">O analfabeto político</span><br />
“O pior analfabeto é o analfabeto político.<br />
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.<br />
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,<br />
do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio<br />
dependem das decisões políticas.<br />
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia<br />
a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta,<br />
o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,<br />
pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.”<br />
Nada é impossível de Mudar<br />
“Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.<br />
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.<br />
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de<br />
hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem<br />
sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,<br />
de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural<br />
nada deve parecer impossível de mudar.”</p>
<p><span style="color: #008080;">Privatizado</span><br />
“Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.<br />
É da empresa privada o seu passo em frente,<br />
seu pão e seu salário. E agora não contente querem<br />
privatizar o conhecimento, a sabedoria,<br />
o pensamento, que só à humanidade pertence.”</p>
<p><span style="color: #008080;">O maneta no bosque</span><br />
Banhado de suor ele se curva<br />
Para pegar o graveto. Os mosquitos<br />
Espanta com um movimento de cabeça. Com os joelhos<br />
Amarra a lenha com dificuldade. Gemendo<br />
Se apruma, ergue a mão<br />
Para ver se chove. A mão erguida<br />
Do temido Guarda SS.</p>
<p><span style="color: #008080;">O nascido depois</span><br />
Eu confesso: eu<br />
Não tenho esperança.<br />
Os cegos falam de uma saída. Eu<br />
Vejo.<br />
Após os erros terem sido usados<br />
Como última companhia, à nossa frente<br />
Senta-se o Nada.</p>
<p><span style="color: #008080;">O vosso tanque general é um carro forte</span><br />
Derruba uma floresta esmaga cem<br />
Homens,<br />
Mas tem um defeito<br />
- Precisa de um motorista</p>
<p>O vosso bombardeiro, general<br />
É poderoso:<br />
Voa mais depressa que a tempestade<br />
E transporta mais carga que um elefante<br />
Mas tem um defeito<br />
- Precisa de um piloto.</p>
<p>O homem, meu general, é muito útil:<br />
Sabe voar, e sabe matar<br />
Mas tem um defeito<br />
- Sabe pensar</p>
<p><span style="color: #008080;">Os esperançosos</span><br />
Pelo que esperam?<br />
Que os surdos se deixem convencer<br />
E que os insaciáveis<br />
Lhes devolvam algo?<br />
Os lobos os alimentarão, em vez de devorá-los!<br />
Por amizade<br />
Os tigres convidarão<br />
A lhes arrancarem os dentes!<br />
É por isso que esperam!</p>
<p><span style="color: #008080;">Os que lutam</span><br />
“Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;<br />
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;<br />
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;<br />
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.”</p>
<p><span style="color: #008080;">Os maus e os bons</span><br />
“Os maus temem tuas garras<br />
Os bons se alegram de tua graça.<br />
Algo assim Gostaria de ouvir<br />
Do meu verso.”</p>
<p><span style="color: #008080;">Para ler de manhã e à noite</span><br />
Aquele que amo<br />
Disse-me<br />
Que precisa de mim.<br />
Por isso<br />
Cuido de mim<br />
Olho meu caminho<br />
E receio ser morta<br />
Por uma só gota de chuva.</p>
<p><span style="color: #008080;">Perguntas de um operário que lê</span><br />
Quem construiu Tebas, a das sete portas?<br />
Nos livros vem o nome dos reis,<br />
Mas foram os reis que transportaram as pedras?<br />
Babilônia, tantas vezes destruída,<br />
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas<br />
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?<br />
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde<br />
Foram os seus pedreiros? A grande Roma<br />
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem<br />
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio<br />
Só tinha palácios<br />
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida<br />
Na noite em que o mar a engoliu<br />
Viu afogados gritar por seus escravos.</p>
<p>O jovem Alexandre conquistou as Índias<br />
Sozinho?<br />
César venceu os gauleses.<br />
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?<br />
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha<br />
Chorou. E ninguém mais?<br />
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos<br />
Quem mais a ganhou?</p>
<p>Em cada página uma vitória.<br />
Quem cozinhava os festins?<br />
Em cada década um grande homem.<br />
Quem pagava as despesas?</p>
<p>Tantas histórias<br />
Quantas perguntas</p>
<p><span style="color: #008080;">Poesia do exílio</span><br />
Nos tempos sombrios<br />
se cantará também?<br />
Também se cantará<br />
sobre os tempos sombrios.</p>
<p><span style="color: #008080;">Precisamos de você</span><br />
Aprende &#8211; lê nos olhos,<br />
lê nos olhos &#8211; aprende<br />
a ler jornais, aprende:<br />
a verdade pensa<br />
com tua cabeça.</p>
<p>Faça perguntas sem medo<br />
não te convenças sozinho<br />
mas vejas com teus olhos.<br />
Se não descobriu por si<br />
na verdade não descobriu.</p>
<p>Confere tudo ponto<br />
por ponto &#8211; afinal<br />
você faz parte de tudo,<br />
também vai ao barco,<br />
“aí pagar o pato, vai<br />
pegar no leme um dia.</p>
<p>Aponte o dedo, pergunta<br />
que é isso? Como foi<br />
parar aí? Por quê?<br />
Você faz parte de tudo.</p>
<p>Aprende, não perde nada<br />
das discussões, do silêncio.<br />
Esteja sempre aprendendo<br />
por nós e por você.</p>
<p>Você não será ouvinte<br />
diante da discussão,<br />
não será cogumelo<br />
de sombras e bastidores,<br />
não será cenário<br />
para nossa ação</p>
<p><span style="color: #008080;">Privatizado</span><br />
“Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.<br />
É da empresa privada o seu passo em frente,<br />
seu pão e seu salário. E agora não contente querem<br />
privatizar o conhecimento, a sabedoria,<br />
o pensamento, que só à humanidade pertence.”</p>
<p><span style="color: #008080;">Quem não sabe de ajuda</span><br />
Como pode a voz que vem das casas<br />
Ser a da justiça<br />
Se os pátios estão desabrigados?<br />
Como pode não ser um embusteiro aquele que<br />
Ensina os famintos outras coisas<br />
Que não a maneira de abolir a fome?<br />
Quem não dá o pão ao faminto<br />
Quer a violência<br />
Quem na canoa não tem<br />
Lugar para os que se afogam<br />
Não tem compaixão.<br />
Quem não sabe de ajuda<br />
Que cale.</p>
<p><span style="color: #008080;">Quem se defende</span><br />
Quem se defende porque lhe tiram o ar<br />
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo<br />
Que diz: ele agiu em legitima defesa. Mas<br />
O mesmo parágrafo silencia<br />
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.<br />
E, no entanto morre quem não come, e quem não come<br />
o suficiente<br />
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre<br />
Não lhe e permitido se defender.</p>
<p><span style="color: #008080;">Refletindo sobre o inferno</span><br />
Refletindo, ouço dizer, sobre o inferno<br />
Meu irmão Shelley achou ser ele um lugar<br />
Mais ou menos semelhante a Londres.<br />
Eu Que não vivo em Londres, mas em Los Angeles<br />
Acho, refletindo sobre o inferno,<br />
que ele deve Assemelhar-se mais ainda a Los Angeles.<br />
Também no inferno Existem, não tenho dúvidas, esses jardins luxuriantes<br />
Com as flores grandes como árvores, que naturalmente fenecem<br />
Sem demora, se não são molhadas com água muito cara.<br />
E mercados de frutas Com verdadeiros montes de frutos, no entanto<br />
Sem cheiro nem sabor. E intermináveis filas de carros<br />
Mais leves que suas próprias sombras, mais rápidos<br />
Que pensamentos tolos, automóveis reluzentes, nos quais<br />
Gente rosada, vindo de lugar nenhum, vai a nenhum lugar.<br />
E casas construídas para pessoas felizes, portanto vazias<br />
Mesmo quando habitadas.<br />
Também as casas do inferno não são todas feias<br />
Mas a preocupação de serem lançados na rua<br />
Consome os moradores das mansões não menos que<br />
Os moradores dos barracos</p>
<p><span style="color: #008080;">Se fossemos infinitos</span><br />
Fossemos infinitos<br />
Tudo mudaria<br />
Como somos finitos<br />
Muito permanece.</p>
<p>Sobre a violência<br />
A corrente impetuosa é chamada de violenta<br />
Mas o leito do rio que a contem<br />
Ninguém chama de violento.</p>
<p>A tempestade que faz dobrar as bétulas<br />
E tida como violenta<br />
E a tempestade que faz dobrar<br />
Os dorsos dos operários na rua?</p>
<p><span style="color: #008080;">Soube</span><br />
Soube que<br />
Nas praças dizem de mim que durmo mal<br />
Meus inimigos, dizem, já estão assentando casa<br />
Minhas mulheres põem seus vestidos bons<br />
Em minha ante-sala esperam pessoas<br />
Conhecidas como amigas dos infelizes.<br />
Logo<br />
Ouvirão que não como mais<br />
Mas uso novos ternos<br />
Mas o pior é: eu mesmo<br />
Observo que me tornei<br />
Mais duro com as pessoas.</p>
<p><span style="color: #008080;">Também o Céu</span><br />
Também o céu às vezes desmorona<br />
E as estrelas caem sobre a terra<br />
Esmagando-a com todos nós.<br />
Isto pode ser amanhã.</p>
<p><span style="color: #008080;">Tempos sombrios</span><br />
Realmente, vivemos tempos sombrios!<br />
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas<br />
denota insensibilidade. Aquele que ri<br />
ainda não recebeu a terrível notícia<br />
que está para chegar.<br />
Que tempos são estes, em que<br />
é quase um delito<br />
falar de coisas inocentes,<br />
pois implica em silenciar<br />
sobre tantos horrores.</p>
<p><span style="color: #008080;">Um homem pessimista</span><br />
Um homem pessimista<br />
É tolerante.<br />
Ele sabe deixar a fina cortesia desmanchar-se na língua<br />
Quando um homem não espanca uma mulher<br />
E o sacrifício de uma mulher que prepara café para<br />
seu amado<br />
Com pernas brancas sob a camisa -<br />
Isto o comove.<br />
Os remorsos de um homem que<br />
Vendeu o amigo<br />
Abalam-no, a ele que conhece a frieza do mundo<br />
E como é sábio<br />
Falar alto e convencido<br />
No meio da noite.</p>
<p><span style="color: #008080;">Esse desemprego</span><br />
Meus senhores é mesmo um problema<br />
Esse desemprego!<br />
Com satisfação acolhemos<br />
Toda oportunidade<br />
De discutir a questão.</p>
<p>Quando queiram os senhores! A todo momento!<br />
Pois o desemprego é para o povo<br />
Um enfraquecimento.<br />
Para nós é inexplicável<br />
Tanto desemprego.<br />
Algo realmente lamentável<br />
Que só traz desassossego.</p>
<p>Mas não se deve na verdade<br />
Dizer que é inexplicável<br />
Pois pode ser fatal<br />
Dificilmente nos pode trazer<br />
A confiança das massas<br />
Para nós imprescindível.</p>
<p>É preciso que nos deixem valer<br />
Pois seria mais que temível<br />
Permitir ao caos vencer<br />
Num tempo tão pouco esclarecido!</p>
<p>Algo assim não se pode conceber<br />
Com esse desemprego!<br />
Ou qual a sua opinião?<br />
Só nos pode convir<br />
Esta opinião: o problema</p>
<p>Assim como veio, deve sumir.<br />
Mas a questão é: nosso desemprego<br />
Não será solucionado<br />
Enquanto os senhores não<br />
Ficarem desempregados!</p>
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		<title>Dercy Gonçalves &#8211; Atriz</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Jul 2008 10:58:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atrizes]]></category>
		<category><![CDATA[Atrizes de cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Chanchada]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Comédia Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia Maria Castro]]></category>
		<category><![CDATA[Eugênio Pascoal]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Globo]]></category>

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		<description><![CDATA[
Dercy Gonçalves &#8211; Atriz &#8211; Comediante
* Santa Maria Madalena &#8211; RJ, Brasil &#8211; 23 de Junho de 1907 d.C
+ Rio de Janeiro, Capital &#8211; Brasil &#8211; 19 de Julho de 2008 (101 anos) d.C
Dolores Costa Gonçalves (Santa Maria Madalena RJ 1907). Atriz. Dercy Gonçalves pertence a uma categoria especial de ator, dos grandes comediantes populares [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-875" title="dercy_goncalves[1]" src="http://www.vidaeobra.com.br/wp-content/uploads/2008/07/dercy_goncalves1.jpg" alt="dercy_goncalves[1]" width="190" height="271" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008080;"><strong>Dercy Gonçalves &#8211; Atriz &#8211; Comediante<br />
</strong>* Santa Maria Madalena &#8211; RJ, Brasil &#8211; 23 de Junho de 1907 d.C<br />
+ Rio de Janeiro, Capital &#8211; Brasil &#8211; 19 de Julho de 2008 (101 anos) d.C</span></p>
<p align="justify">Dolores Costa Gonçalves (Santa Maria Madalena RJ 1907). Atriz. Dercy Gonçalves pertence a uma categoria especial de ator, dos grandes comediantes populares puramente intuitivos. Atriz do teatro de revista e posteriormente dedicada a shows solitários, é o maior expoente do teatro de improviso no Brasil.</p>
<p style="text-align: center;"><object style="width: 520px; height: 410px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="520" height="410" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/CWP524PnYiY&amp;feature" /><embed style="width: 520px; height: 410px;" type="application/x-shockwave-flash" width="520" height="410" src="http://www.youtube.com/v/CWP524PnYiY&amp;feature"></embed></object><br />
<span style="color: #008080;"><strong>Dercy Gonçalves &#8211; Trecho do Filme “Entrei de Gaiato”</strong></span></p>
<p align="justify">Estréia em 1929, na cidade de Leopoldina na Companhia Maria Castro, fazendo dueto com Eugênio Pascoal. No ano seguinte, viaja pelo interior dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, apresentando-se em dupla com Eugênio Pascoal, como Os Pascoalinos. No Rio de Janeiro, faz carreira no teatro de revista na década de 30 e, nos anos 40, trabalha para a empresa de Walter Pinto em espetáculos como <em>Rumo a Berlim</em>, de Freire Jr. e Walter Pinto; <em>Passo de Ganso</em>, de Freire Jr., em 1942; <em>Rei Momo na Guerra</em>, de Freire Jr. e Assis Valente, 1943; <em>Momo na Fila</em>, de Geysa Bôscoli e Luiz Peixoto, 1944; e <em>Canta Brasil</em>, de Luiz Peixoto, Geysa Bôscoli e Paulo Orlando, 1945; todos com direção de Otávio Rangel. Nos anos 50, quando a revista já não atrai o mesmo público, dedica-se à comédia.</p>
<p align="justify">Nos espetáculos em que atua, Dercy se sobrepõe ao texto, nunca representando a personagem, mas fazendo com que esta se amolde a ela. O restante do elenco se converte em apoio aos improvisos da diva popular, reduzindo-se ao papel de coro. Este procedimento é alvo de críticas, que, no entanto, não abalam o direcionamento da atriz.</p>
<p align="justify">A partir do final dos anos 60, Dercy abandona a dramaturgia, para recorrer a um formato mais próximo ao show, em que ela tem papel solo. Inicialmente, alguns autores são chamados a escrever sob encomenda. Depois, a própria atriz assina roteiro e direção. O nome dos espetáculos muda, mas seu conteúdo e sua forma são sempre idênticos: solos de Dercy Gonçalves com sua comicidade bufa em diálogo direto com o espectador, sem personagem, feito de uma seqüência de piadas e tiradas cômicas. O palavrão tem uso recorrente, o que faz o crítico Sábato Magaldi observar que, nos espetáculos da atriz, o palavrão aplaudido tem função de ária de ópera.</p>
<p align="justify">Em cinema, atua em <em>Samba em Berlim</em>, direção de Luís de Barros, 1943; <em>Abacaxi Azul</em>, direção de J. Ruy (Ruy Costa), 1944;<em> Caídos do Céu</em>, direção de Luís de Barros, 1946; <em>Uma Certa Lucrécia</em>, direção de Fernando de Barros, 1957;<em> A Baronesa Transviada</em>, direção de Watson Macedo, 1957;<em> A Grande Vedete</em>, direção de Eurides Ramos, 1958; <em>Cala Boca Etelvina</em>, direção de Eurides Ramos, 1959; <em>Só Naquela Base</em>, direção de Ronaldo Lupo, 1960; <em>Com Minha Sogra em Paquetá</em>, direção de Saul Lachtermacher, 1961.</p>
<p align="justify">Em 1985, a atriz recebe o Troféu Mambembe como melhor personagem de teatro, uma categoria criada especialmente para ela que, em setenta anos de carreira, não conquistou nenhum prêmio por seu desempenho de atriz. Os críticos vêem dois lados de abordagem de seu trabalho: o lado do sucesso fácil e o da autenticidade. Yan Michalski, quando a atriz anuncia seu afastamento dos palcos, em 1971, escreve:</p>
<p align="justify">“Não é este, por certo, o teatro popular que eu gostaria de ver florescer no Brasil: a obstinação de Dercy em ver o público das chamadas camadas menos privilegiadas como algo de irremediavelmente primário; a sua recusa em contribuir para que esse público fosse levado sequer um passo na direção da conscientização; a sua ojeriza a qualquer idéia de renovação &#8211; tudo isso caracteriza uma posição revoltantemente reacionária”.<sup>1</sup></p>
<p align="justify">Já o crítico Sábato Magaldi aborda o estilo da atriz pelo lado da assumida marginalidade:</p>
<p align="justify">“Imperceptivelmente, começa-se a sentir por que Dercy sintoniza tanto com o público. Ela assume a própria marginalidade, erigindo-a como um troféu. O povo brasileiro também, por circunstâncias históricas, políticas e econômicas, acabou sendo marginalizado, ainda que ostente o emblema da completa soberania. Dercy perseguida, incompreendida, marginalizada, mas dando a volta por cima, no deboche e no sarcasmo, confunde-se com a efígie não expressa que parcela ponderável da população tem a seu próprio respeito. O riso provoca a catarse. (…) rindo, se aprende com ela uma profunda lição de brasilidade”.<sup>2</sup></p>
<p><strong>Notas</strong></p>
<p align="justify"><sup>1.</sup> MICHALSKI, Yan. Despedida demagógica. <em>Jornal do Brasil</em>, Rio de Janeiro, 27 abr. 1971.<br />
<sup>2.</sup> MAGALDI, Sábato. A marginalidade erigida em troféu. <em>Jornal da Tarde</em>, São Paulo, 26 mar. 1983. Divirta-se.</p>
<blockquote>
<p align="justify">Filmografia</p>
<p>* 1943 &#8211; Samba em Berlim<br />
* 1944 &#8211; Abacaxi Azul<br />
* 1944 &#8211; Romance Proibido (Dercy)<br />
* 1946 &#8211; Caídos do Céu (Rita Naftalina)<br />
* 1948 &#8211; Folias Cariocas<br />
* 1956 &#8211; Depois Eu Conto<br />
* 1957 &#8211; A Baronesa Transviada (Gonçalina / Baronesa)<br />
* 1957 &#8211; Absolutamente Certo (Bela)<br />
* 1957 &#8211; Feitiço do Amazonas<br />
* 1958 &#8211; Uma certa Lucrécia (Lucrécia)<br />
* 1958 &#8211; A Grande Vedete (Janete)<br />
* 1959 &#8211; Cala a Boca, Etelvina (Etelvina)<br />
* 1959 &#8211; Entrei de gaiato(Anastácia da Emancipação)<br />
* 1959 &#8211; Minervina Vem Aí (Minervina)<br />
* 1960 &#8211; A Viúva Valentina (Valentina)<br />
* 1960 &#8211; Dona Violante Miranda (Violante Miranda)<br />
* 1960 &#8211; Com Minha Sogra em Paquetá<br />
* 1960 &#8211; Só Naquela Base<br />
* 1963 &#8211; Sonhando com Milhões<br />
* 1970 &#8211; Se Meu Dólar Falasse<br />
* 1980 &#8211; Bububu no Bobobó<br />
* 1983 &#8211; O Menino Arco-Íris<br />
* 1993 &#8211; Oceano Atlantis<br />
* 2000 &#8211; Célia &amp; Rosita (curtametragem)</p></blockquote>
<blockquote>
<p align="justify">
<p>Televisão</p>
<p>* 1966: Dercy Espetacular &#8211; programa de variedades (Globo)<br />
* 1968: Dercy de Verdade &#8211; programa de variedades (Globo)<br />
* 1971: Dercy em Famlia &#8211; programa de variedades (Record)<br />
* 1971: Família Trapo &#8211; participação como a namorada de Bronco (Record)<br />
* 1980: Cavalo Amarelo &#8211; Dulcinéa (Rede Bandeirantes &#8211; Troféu Imprensa de Melhor Atriz, empate com Dina Sfat)<br />
* 1980: Dulcinéa vai à guerra &#8211; Dulcinéa (Rede Bandeirantes)<br />
* 1984: Humor Livre (Globo)<br />
* 1989: Que Rei Sou Eu? &#8211; Baronesa Eknésia (participação especial) (Globo)<br />
* 1990: La Mamma &#8211; Mamma (Globo)<br />
* 1992: Deus nos Acuda &#8211; Celestina (Globo)<br />
* 1994: Brasil Especial (Globo)<br />
* 1996: Caça Talentos &#8211; Miss Dayse (Globo)<br />
* 1996: Sai de Baixo &#8211; Mãe de Vavá e Cassandra (participação especial) (Globo)<br />
* 2000: Fala Dercy (SBT)<br />
* 2001: A Praça é Nossa &#8211; participações como ela mesma (SBT)</p></blockquote>
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